"Mas, no mais choro, se serenou - o sorriso tão bom, tão grande - suspensão num pensamento: que não era preciso encomendar, nem explicar, pois havia de sair bem assim, do jeito, cor-de-rosa com verdes funebrilhos, porque era, tinha de ser!"
30.12.03
 |
 |
 |
 |
AÊÊÊÊÊ, povo!
Feliz 2004...!
Tudo de bom pra gente!
Patotinha, amo vocês...
Sucesso pra todos!
postado por: Kátia 21:19
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
29.12.03
 |
 |
 |
 |
Free Solitaire
5:30 da manhã. Jogando Paciência em um browser que chama "free solitaire". Ironia.
Daqui a pouco, ano novo. Bumbum doendo de ficar sentada.
A espera desespera. Descansar cansa.
A irrelevância de certas coisas me bota em pânico. E tenho sido menos sincera do que gostaria. Cheiro de doce de leite de panela. Coisas que só mamãe sabia causar.
Sobre os sentimentos que se perderam...como já disse, se perderam, não voltam.
Mas lembrar faz bem. Faz parte de mim negar meu passado. Talvez você veja isso como uma falha, mas eu vejo como evolução.
Taí. Não cresci. Estou encanada nisso ultimamente.
Depois de tomar tanto "toco" da vida, repito umas cagadas. Tá bom, nem tão cagadas assim.
Mas não aprendo direito.
O meu problema é o amor. Acho que já faz uns cinco ou seis anos que eu sei que sinto amor e sei pra que serve a frase Eu Te Amo, mas, até hoje, não aprendi a amar sem me machucar.
Então a quase conclusão é de que o amor existe, sim, para nos machucar também.
Tem gente que eu posso prometer até felicidade, de tanto que amo.
Amo sozinha. Amo `free solitaire`, ironicamente.
Vou dormir.
Nem responder alguns e-mails estou conseguindo.
Queria bater um papo com Dalmo Dallari e ouvindo Miles Davis. Quer dizer, digo, queria bater um papo com você sobre Dalmo Dallari. Ouvindo Miles Davis.
Mas nego meu passado. `Cuspo no prato que comi` é uma frase um tanto forte pra definir, mas é mais ou menos isso. Nego o que não foi bom. Tomei consciência.
Mas porque estou falando disso?
Assunto chato.
Deixa eu voltar pra Paciência.
postado por: Kátia 05:42
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
26.12.03
 |
 |
 |
 |
A saudade, a falta de tempo e o calor
Sim, sim, tenho muitas coisas para contar aos meus amigos leitores.
Estou sem tempo de escrever porque tenho que ir para o bar ou para a piscina. Coisa chata.
Não se preocupem, estou bem.
Logo vou pra casa. Estou com saudades.
O Mancha vem passar o Reveillon aqui em Monte, numa festa da minha turma que se chama "Mais Será o Bynidito?" e, de quebra, vai curtir a "Festa do Velho Puto (porque o bom velhinho não se comportou bem neste natal)".
Queria vocês estivessem por aqui também.
Seria foda.
E, depois do meu recesso, vos escreverei com calma.
Brain in vacation. Sorry.
postado por: Kátia 17:00
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
20.12.03
18.12.03
 |
 |
 |
 |
A Calma Tensa de uma Espera
Corações se partem no caos
Da calma tensa de uma espera. (Márvio dos Anjos)
Quem nunca teve uma calma tensa?
Quem nunca teve em seus olhos o desespero e em seus lábios a leveza de quem nada quer?
Quem nunca ficou quieto quando o que mais queria era falar, por vezes gritar, gesticular?
Quem nunca se sentiu um louco por estar roendo todas as unhas e, ainda assim, ficar blásè?
O coração se parte em caos. Pela calma tensa. De uma espera.
Em mil.
De mil esperas, em mil pedaços.
O peito frágil de alegrias rarefeitas, todo, todo destruído.
O coração na boca, cabeça que não se concentra, distração fora de hora.
E a calma tensa, não menos tensa do que a calma nervosa, aniquilante.
O desespero.
A paranóia.
Sousândrade. "Meões do nada, desaparecei-me!"
Desaparecei-me, calma tensa, não de uma espera, mas de uma angústia alicerçada em anos de neurose.
A calma tensa de quem não quer sentir amor, nem mais nada.
De quem não quer sentir.
Desaparecei-me, porque não quero mais sentir. Nada.
O tenso devaneio da lucidez.
Álvares de Azevedo. "Sou o sonho de tua esperança, tua febre que nunca descansa, o delírio que te há de matar".
Todo bom poema serve para muitos outros sentimentos além do amor.
Definindo a calma tensa.
Escrever este texto é controlar a calma da impaciência.
Paradoxo.
Escrever não vai me livrar.
postado por: Kátia 15:58
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
17.12.03
 |
 |
 |
 |
Um Zumbi?
Zombies é uma das bandas mais fodonas que eu conheci no final do ano passado...
Como eu posso te explicar...? Aquele órgão, hum, aquele tecladinho cool...
Deixa pra lá.
Zombies é uma daquelas bandas que têm letras simples e cotidianas, que cabem na vida de qualquer mortal que teve, pelo menos, um amor na vida.
É música dos abandonados, dos que estão tentando ser felizes...
Essa é a que cabe na vida de uma pessoa da minha vida (entendeu?):
She's Coming Home
I saw her walking out the other day
I thought my love for her had gone - away
Till I remembered how I loved her so (Baby, come on home)
My solitude tells me she couldn't know
But she sent word to me
She's coming home and so I'll cry no more
I'll dry my tears - She's coming home to me
I thought the words of love we used to say were lost in time
Oh baby baby I'll be good to you
If you will only try again to love me too
Our love was such a sweet and tender thing
I threw our love away without knowing
postado por: Kátia 14:29
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
16.12.03
 |
 |
 |
 |
Das explicações gerais: Questionamentos saudáveis de uma sociedade doente
Questione quantas vezes lhe for necessário para entender: gostar do Marcinho VP é normal?
Arrume argumentos fortes e verdadeiros, críticas com embasamento e o diabo a quatro: de nada vai servir.
***
Paiê: quero o CD da Brigitte Bardot que tem na FNAC ao lado da minha casa.
***
Fiquei amiga dos meus vizinhos homossexuais. São pessoas sensacionais. E têm uma coisa que eu sempre procuro nas pessoas: cumplicidade.
É, sem dúvida, a coisa que eu mais respeito em uma pessoa: cumplicidade.
Você pode me fazer o que for, brigar, me tratar mal demais, mas se for meu cúmplice, ponto postitivo. De brother mesmo, de estar do lado, de apoiar até o feito mais desesperador, de acompanhar pra programas idiotas/divertidos, de estar perto quando eu precisar, de trocar segredos. E eu que achava que isso era coisa de criança, me enganei. É coisa de adulto.
Errado de novo. Não ter discernimento pra escolher quem merece ouvir/falar, ser companheiro simples e puramente pelo companheirismo/cumplicidade. Errado, tudo errado.
A gente cresce e fica burro demais. Pensa com a cabeça. Antes pensar com o coração.
E o cumplice te deixa quebrar a cara, ninguém faz nada além de avisar. Mas está lá pra te apoiar, quando você só quiser esquecer, com um café e um cigarro.
Ah, isso está muito confuso.
Então, essa frase do Belle&Sebastian resume bem o que eu faço com quem quero ser cúmplice: "Because I'll be here quite a while"...
***
Pai: Não esqueça minha Caloi! (Lembra-se dessa campanha?)
postado por: Kátia 17:15
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
15.12.03
 |
 |
 |
 |
Óh, sim, me entendam: é assim que venho me sentindo ultimamente...
"Estou sonhando de olhos abertos
Estou fugindo da realidade
Todas as cervejas já bebi
Todos os baseados já fumei
E o que há de errado no mundo
Meus olhos já não podem ver
Estou do jeito certo
Pra qualquer compromisso assumir
E é assim que me querem
Sem que possa pensar
Sem que possa lutar por um ideal
É assim que me querem
A ver na TV todo o sangue jorrar e ainda aprovar
A pena capital"
É assim que me querem - Ira!
postado por: Kátia 16:01
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
"Dá uma vontade gostosa de sofrer"...
Ah, sim, bem que eu tentei escrever alguma coisa interessante.
Esquece, estou besta hoje. Tepeêmica.
Mas já tá dando aquele desespero pré-ferias. Aquela coisa de ir embora, deixar as pessoas que eu adoro etc.
E o medo do ano que vem?
E a expectativa?
Aí, Nossa Senhora dos Ansiosos, me acuda!
postado por: Kátia 12:46
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
13.12.03
 |
 |
 |
 |
Ai, Marcinho, Marcinho...
Aquisições da semana: The Monkees, Headquartes, 1967 e Los Hermanos, Bloco do Eu Sozinho, 2001.
Fala sério...esse Monkees é muito fodaço.
Culpa do Corazza. Que arranjou um cara vendendo vinis no meio da balada. Ah, Vila Madalena (?) é assim. Todo mundo tentando vender alguma coisa o tempo todo...
Daí que o vendedor se espantou: Ela conhece isso?
Não, amigo, minha interjeição de alegria foi uma expressão falsa da angústia reprimida pela Kelly Key.
Peloamordedeus, sensacional.
Obrigada, Coris.
postado por: Kátia 12:31
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
12.12.03
 |
 |
 |
 |
"I ever fallen in love with someone"...
Eu e a Bia (e mais umas mil garotas que leram "Abusado", do Caco Barcelos)
estamos apaixonadas pelo "Juliano VP", como é chamado no livro o traficante Marcinho. Queria poder encontra-lo e falar "seu viado puto, viado puto".
Só lendo pra saber. Doce, doce de matar de vontade; forte; poderoso e...abusado. E aquele carioquês malandro dele? Meu Deus...
Apaixonada.
Como me apaixonei por Assis Chateubriand quando li Chatô, do Fernando Moraes.
A verdade é que o que eu gosto mesmo são dos canalhas.
postado por: Kátia 17:56
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
11.12.03
 |
 |
 |
 |
Diálogo de sala
- Sente. Tá sentindo?
- Tô.
- Isso chama dor.
- Mas eu não consigo apalpar.
- Onde dói?
- Aqui ó, aqui dentro do peito, o coração.
- É, isso chama dor.
- Mas de onde vem?
- Não sei. Simplesmente vem.
- Por que?
- Ah, dói por milhares de motivos. Às vezes a gente até sabe o porquê, mas não adianta muita coisa. Vai continuar doendo.
- Por que não adianta saber o motivo da dor?
- Às vezes não temos como resolver. A culpa é um pouco nossa, mas os outros também tem sua parcela de culpa.
- Que pena...mas ainda dói...e eu sei que não posso fazer muita coisa...
- Por que não?
- Ah, porque a culpa é um pouco deles também.
- E você realmente não pode fazer nada?
- Bem, eu já fiz o possível...
- Será?
- Ah, sim, eu amo, eu sorrio, eu fico perto, eu presto ajuda quando precisam, mas a dor volta...
- Você deve estar fazendo errado.
- Talvez...mas amar não é o suficiente?
- Não.
- Não?
- É, não.
- Tem muita coisa que a gente tem que fazer além de amar...
- E é o amor que dói?
- O amor dói. A saudade também. O amor sempre vai doer quando se misturar a outro sentimento.
- E existe amor puro?
- Acho que sim. Mas eu não sinto amor puro já faz um tempo.
- Hum...isso é triste.
- A tristeza dói. A tristeza do amor, a tristeza da saudade do amor, a tristeza do amor desesperado e engolido com um copo d'água...
- Então a dor é culpa da tristeza.
- E do amor.
- E se a gente ignorasse o amor?
- Não funciona. Ele nasce, até quando a gente mal quer.
- E engolir?
- Dói. Daí vem a dor.
- Acho que entendi. Amor engolido dói.
- E como...
***
A tristeza vem para pessoas que pensam demais, Gabriel. Eu deveria saber.
Deveria ter descoberto antes. A ignorância é a maior sabedoria.
Vamos esquecer? Não. Vai doer. Vamos lembrar, então? Não, vai doer.
Porque este filho da puta do amor não me deixa em paz.
***
Ah, sem essa de achar que esse é um texto pra você. É pra qualquer um. Que sinta dor de amor.
postado por: Kátia 12:10
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
9.12.03
 |
 |
 |
 |
Único como um orgasmo...
A lente queimava, mais ou menos, o minuto 3:50 da terceira faixa do disco. E a sua agônia se fez minha. Gritava, fiz de tuas palavras as minhas. Um arrepio levantou cada solitário pêlo do meu corpo. E a sua música me abraçou com força, me apertou, tomou meu coração de súbito. Me faltou o ar, espremi os olhos, ofeguei, inspirei, quase cuspi meus pulmões, entrei em transe. O que você recitava era meu também, havia de ser, eu sentia, eu sabia.
Todos os meus músculos ficaram enrijecidos, travei, pela minha espinha passou nitrogênio, frio que sobe do cóccix e explode no cérebro, como um orgasmo, como o melhor orgasmo, como imagino que seja heroína, como ver Jesus, como descobrir o segredo do universo.
Relaxei. Lentamente, uma intrometida adrenalina me deixou mole, fraca, com um sorriso bobo, e então abri os olhos. Luz, muita luz. Como se tivesse gozado. Obrigada, Patti, é exatamente isso que eu espero da música. Uma sinfonia que estupre meus sentidos, que me faça querer sempre mais. O êxtase da música está, para mim, muito próximo ao do sexo. Cada dia mais.
(Patti Smith - Birdland - Horses)
postado por: Kátia 11:56
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
8.12.03
 |
 |
 |
 |
Motivos para eu gostar de Funk Carioca, porque me orgulho disso e algumas explicações...
Prólogo
Eu aprendi a gostar de Funk Carioca por causa de duas pessoas: Adriana e Lígia.
Adriana me ensinou que é uma delícia horrorizar os cults falando bem de um produto da cultura de massa. De algo que a crítica detesta, que é mal feito, que é de baixo nível, que as pessoas torcem o nariz. É bom mesmo deixar as pessoas confusas, sem entender como alguém pode amar a cultura de elite e, ainda assim, reconhecer os méritos da cultura suburbana.
Lígia me ensinou uma coisa diferente: a me divertir. Antes eu ia às baladas e fechava a cara e fazia bico pra cada porcaria que tocava. Ela me ensinou a curtir, a dançar, a dar risada do que é ruim, ao invés de me irritar. E agora quem quer irritar sou eu. É engraçado constranger pessoas com uma música.
Das explicações gerais...
Funk Carioca (preste atenção: carioca, do morro, suburbana, excluída etc.) é uma 'coisa' que te curra no canto. Quando começa a tocar, te pega pela garganta, treme seus órgãos, te faz chacoalhar o quadril sem muito esforço. Te carrega pro batidão. Te pega por amor à música. Te dá uma energia comparável a do Axé, que te faz estourar os pulmões repetindo refrões e dançando freneticamente. Não há explicações maiores e mais completas do que essa: te fode. A foder. Te pega com gosto, com tesão, com ginga.
Ah, não, não me venha com questionamentos acadêmicos. Sem essa de querer escalar a qualidade do som. Eu sei o que é qualidade e aprendi a curtir o força da música, não sua produção.
E consigo, nesta fase da minha vida, dançar Chatuba de Mesquita com a mesma alegria de Good Vibrations. Sem nenhuma recriminação. E um quilo de olés pra quem não consegue entender.
Epílogo
Tente você também. Mesmo o que você não ama, você pode entender. Você pode rir: é simples.
Deixa o pancadão te dominar. Vicia.
E se seguir essa linha de raciocínio, o argumento fica ainda mais forte: você está numa festa. Toca Cut-Out Witch, do Guided By Voices ou Holland, 1945 do Neutral Milk Hotel. Quem vai dançar? Dois ou três indies. Agora toca Um Tapinha Não Dói. Todo mundo vai mexer as cadeiras. Ninguém fica parado.
Eu me orgulho de gostar de Funk Carioca. Da instituição Funk Carioca. "Não critique o que você não consegue entender".
Seja um pouco mais antropofágico. A nossa cultura não é única, temos muitas coisas pra aprender. Engula a cultura, todas as culturas. Não há bizarrices dentro de uma sociedade que entende a outra. Não há níveis de qualidade quando entende-se a diferença de educação entre as classes sociais. Eles têm motivos pra fazer esse tipo de música. Ou você queria que tocasse Sonic Youth na favela? Provavelmente eles diriam que esse som é uma droga.
Paremos de nos adequar aos conceitos "gosto pessoal" que impõe a sociedade. Pare de acreditar nas pessoas que querem te ditar o que é bom ou ruim. Malditos modistas. Maldita cultura de elite, burra e infinitamente limitada.
E churumelas pra quem não me entende.
Repeteco:
postado por: Kátia 15:48
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
6.12.03
 |
 |
 |
 |
E eu vivia vestido de doirado: palhaço das perdidas ilusões...
Da minha infância, me resta umas lembranças muito remotas e algumas um pouco confusas já.
Ver bolas de Natal rosa-choque metálico, me remetem a lembranças doces de mamãe montando a árvore às vésperas dos festejos. Nunca houve festas na minha casa, todas as ceias eram na casa da tia Virgínia. Mas os almoços de Natal, ah, esses, sim, eram ofertados por mamãe. Só aos mais íntimos e o tom era de alegria. Eu acordava cedo pra pegar os presentes deixados pelo Papai Noel, debaixo daquela árvore dourada e suas bolas rosa-choque metálico. Amava aquela árvore, grande, e me senti mal demais quando mamãe, modernosa, resolveu troca-la por um pinheirinho artificial de 40 centímetros. Gostava do cheiro do papelão velho que embalava as bolas de cristal delicado, gostava de pentear as peças da árvore dourada antes de monta-la. Era cafona, mas meus olhos de criança amavam aquela árvore como se fosse a mais bela de todas.
Já é dia 5 de dezembro. Cheguei de viagem e ainda não tem nada montado. Mamãe, depois de reduzir a espalhafatosa árvore dourada a um pinheirinho, arranjou uma parafernália infinita de apetrechos para não deixar a casa vazia: o menino Jesus numa manjedoura, um arranjo de flores e anjos, botinhas de biscuit, outros adornos que mal me lembro e já penso que não vou encontrar nos maleiros profundos e carregados de outros sentimentos além de saudade. Não sei nem se me disponho a procurar, pois vai doer.
***
Há alguns natais já não me divirto mais. Aceitem essa verdade: o natal é a festa dos inocentes. Por vários motivos. É a festa de quem acredita em Papai Noel. É a festa de quem é novo demais e não carrega consigo o peso de muitos problemas. As pessoas mal se olham. Mal se amam. A ceia é um compromisso social a ser cumprido. Ninguém vai pelo prazer, mas pela obrigação de cumprimentar a família: gente que você não gosta, gente que você gosta; porque parente a gente não escolhe.
***
Natal é, também, a festa dos amargurados. A noite que parece o troco: o resumo do ano passa na sua cabeça, beirando o limite do amor e da dor, leito de morte do ano que está indo embora. Enfim, o natal se tornou uma porcaria tosca e hipócrita aos meus olhos. Ah, sociedade, o que vocês estão comemorando? O nascimento de quem? Por que? Pro diabo com suas respostas prontas. Hoje o natal lhes serve pra desfilar um vestido novo, pra expor seus filhos engomados, pra botar defeito nos outros, pra fingir que gosta de alguém além do seu umbigo e do seu dinheiro.
I`m bored.
***
Mas ainda assim, te desejo um bom natal. Desde que ele seja feito à sua maneira. Se você acha que tem que se trancar no quarto e assistir a um filme pornô, ou encher a cara num boteco, está valendo. Vai fundo. O importante é você se divertir...
postado por: Kátia 03:44
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
5.12.03
 |
 |
 |
 |
CAMPANHA EU JÁ FIZ UM TCHU-TCHU NO MARCELO COELHO!
Ontem, aniversário do Mário Vítor, barzinho na vila madá. Só pessoas que eu gosto de coração. Pelegos entrando e eu gritando. Fora daqui!
Parabéns cantado pela metade e tchu-tchu no Mário...desandou. As palavras brotaram da boca de Adriana Terra: meu sonho é fazer um tchu-tchu no Marcelo Coelho. Sonho coletivo, compartilhamos da mesma vontade. Minutos de enrolação, Pétria, Lígia, Bia, meninas ansiosas por esse momento.
Segue o refrão: No meio da floresta tinha uma coruja, em noite de luar, ouvia ela cantar: tchu-tchu (repete 76 vezes, até a vítima ter um ataque cardíaco).
Provavelmente o Bunny está no hospital hoje, pedindo por um psiquiatra: foi um momento muito traumatizante.
Agora vou colar um adesivo na janela non-sense da minha casa: Eu já fiz um tchu-tchu no Marcelo Coelho. Vai entrar pro meu currículo.
Joselito, Savarese e Corazza com suas imitações. Corazza, cuidado, você é uma puta em potencial.
Gargalhadas. Os caras são bons.
Gargalhadas. Adoro estar entre essas pessoas.
*********
Da série: conversas que nunca acontecerem, mas se acontecessem seriam assim...
- Começou errado.
- Mas o que você quer dizer com isso?
- Que vai terminar mal.
***
Indo pra Monte já já...boring-city, me aguarde: tô pronta pra te detonar.
postado por: Kátia 16:14
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
4.12.03
3.12.03
 |
 |
 |
 |
Resumo:
Olheiras. Sono e perversão.
Esperando um telefonema. Pra Lígia.
Monte Alto: ? Nunca mais.
Yo La Tengo: a bit of tenderness.
Tirem-me daqui. Preciso de uma cerveja.
Daniel CMFDP me ligou ontem. Sangue, suor e lágrimas.
9:00 da noite. Fome. De tudo. Menos de comida.
Amanhã: Filial. Com as amigas e os amigos. Afeto...
Qual era o assunto que girava em torno de paixão mesmo?
Esquece: eu quero mais é dar risada.
postado por: Kátia 21:06
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
Alguma coisa solta no meio da fúria...
Quando se está apaixonado, filmes românticos doem à beça.
***
Me desculpem, mas hoje sou só hormônios e cerveja.
***
É...noite loooonga. E das boas.
***
Preciso dormir.
(Deixa eu ver se entendi: eu só durmo, bebo, durmo de novo, posto, bebo, fumo...?)
postado por: Kátia 13:16
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
2.12.03
 |
 |
 |
 |
Papel de parede
De quando eu era poeta, só me restou o bom gosto.
Não escrevo mais.
Tinha poesias imensas, horrendas de mal feitas e ininteligíveis.
E nessa madrugada, me veio à cabeça duas poesias que eu amo.
A seguir.
Não se Mate
"Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."
(Carlos Drummond de Andrade, in: Sentimento do Mundo)
A Carlos Drummond de Andrade
"Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre."
(João Cabral de Melo Neto, in: O Engenheiro)
***
Lembrei, como lembrei de tantas outras de Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Sousândrade, Augusto dos Anjos e Mário Quintana.
***
E vou pra casa dormir, porque hoje a noite vai ser comprida.
postado por: Kátia 14:30
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
1.12.03
 |
 |
 |
 |
E o final da tarde vai para...
"Quase sempre ser feliz é um alento
Ou uma falta de ar"...
Genial, menina Takai, genial.
***
Cerveja com Mitkus hoje. Pra dar milhões de risadas.
postado por: Kátia 19:15
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
São Paulo Blues...
Juntou um punhado de lembranças e foi embora.
Com um punhado de lembranças poderia viver de sonhos por mais alguns meses.
Sentou perto do viaduto, respirou um ar pesado: o centro poderia ter o pior ar de São Paulo, mas era bom de se viver.
Triste soslaio...ver as pessoas correndo e os carros parados era um contraste dolorido e recompensador: amava o caos.
Ter ele por perto era, antes de tudo, garantia de proteção. Mas ele fora embora e carregara consigo um pedaço bucólico de sua vida: a de menina interiorana e leiga, boba que só vendo.
Agora tinha decidido para si que escolhera esta vida. Não haveria outra tão fácil, tão gostosa quanto a das cervejas, dos parapeitos, dos colchões no chão, do cigarro e do carinho.
Ela não era tão esperta a ponto de repetir, mas a frase lhe parecia um mantra de segurança: você é bobo demais para eu ser cruel.
Não era cruel. A não ser consigo mesma. Uma ditadora.
Desde que perdera a mãe, vivia órfã de sentimentos óbvios e vazios, e de outros um tanto importantes, como amor. Escusos.
Ah, sim, dizia que sentou próxima ao viaduto.
E escolheu. Aquela vida.
Aquela dos livros e do cinema.
A vida que só São Paulo poderia oferecer...
postado por: Kátia 18:05
Murmure:
|
 |
 |
 |
 |
|
|