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30.3.04
O vício do inverno
Agora eu tenho três coisas pra fazer na internet: conferir meus e-mails, conferir meu blogue e conferir meu ORKUT.
Estou viciada. Tudo eu quero tranformar em comunidade.
Fodeu!
Murmure:
Kátia 17:22
29.3.04
Toda feita de mentiras: texto de clichês.
Suas palavras não me doem. Nada me dói nesse momento, nem me arrependo, na verdade. Eu as leio, não me doem. O seu julgamento é mesquinho, doente, infantil e apelativo. Eu não tenho mãe, eu não tenho caráter, eu não tenho ética, eu não tenho felicidade. Mas eu busco. Não se preocupe em me ofender, em achar que eu sou infeliz. Depois que eu perdi a pessoa que eu mais amava na minha vida, pouca coisa importa. É assim: você ama tanto alguém, ama de amor puro, ama de verdade, e essa pessoa se vai. Por algum motivo, se vai. Daí você cai numa inércia, num descaso; tudo sem querer. E eu quero ser feliz. Apesar dos pesares, felicidade ainda que tardia. Mamãe não está mais aqui, mas eu sei que ela está em algum lugar olhando pra mim. Sorrindo. Aprovando tudo o que eu faço. Como ela sempre fez. Mamãe era, antes de tudo, uma forte. E eu, felizmente, aprendi isso com ela.
Não adianta tentar bater de frente comigo. Eu sou egoísta quanto a isso: quero minha felicidade do jeito que eu bem entender. A vida é curta, e é minha, por isso vou usá-la.
Hoje é segunda-feira, começo de nova vida, vida que começou molhada, sorridente e desastrada na sexta a noite.
Teria uma tonelada de ofensas e justificativas pra despejar aqui. Mas não vou fazê-lo por respeito. E nem importa mais. Estou bem cuidada, bem amparada. Tenho amigos. Não tenho mãe, mas tenho amigos. E eles cuidam de mim. Na alegria ou na tristeza, na cervejinha ou na doença.
E tenho dito.
Murmure:
Kátia 09:10
26.3.04
Engraçadíssimo...
E agora, a verdade:
Porque é sexta-feira e eu acho que todo mundo merece uma fresquinha...
Murmure:
Kátia 11:43
24.3.04
Vai saber, né?!
"Today is the greatest
Day I' ve ever know
Can't live for tomorrow
Tomorrow's much too long
I burn my eyes out
Before I get out
I wanted more
Than life could ever grant
Bored by the chore
Of saving face"
***
Ou não!
Murmure:
Kátia 16:30
23.3.04
Cacá, em Ribeirão, se extasia: OS INGRESSOS CHEGARAM!!!
Telefonemas, telefonemas: hoje eu durmo em paz.
Daqui a um pouco mais de mês estaremos gritando aos pés de Frank Black e Kim Deal...
Morram de inveja, mortais.
Murmure:
Kátia 13:45
Do princípio
De boca costurada, mesmo, com aquele fio preto de nylon, olhos apontando o chão, olheiras profundas, respiração calma como a de um morcego que vai atacar a presa.
Mãos entrelaçadas, tensas, se esfregando, suando, expondo toda uma angustia antiga, de antes de ter a boca toda furada.
O vestidinho de cinco mil reais todo sujo de sangue da operação, cheio de lama seca pelos lados, porque ela tinha rastejado no chão de terra vermelha como uma lagartixa. Ou qualquer outro bicho rastejante insosso, nojento, sem importância.
Tinha raiva, tinha crise de abstinência, tinha merda na cabeça. Ou nada.
Grudada na cadeira, um pouco de resgate cultural.
(Adendo: fizeram com ela o que fizeram com Alex em Laranja Mecânica.
Adendo do adendo: esperando que o resultado fosse mais ou menos aquele, mas que ela morresse no final)
Filmes, milhares de filmes da miséria e da fome, da angústia verdadeira e da rejeição, do preconceito e do genocídio, da exclusão, da humilhação, da desumanização.
- Eu nunca te pedi que fosse boa, minha filha, eu só te pedi que não fizesse o mal.
(Era a voz de Deus, pra quem acredita em Deus. Pra quem não acredita, tanto faz)
Ela sentia fome também. Agora sabia. Colocaram fogo nos seus cabelos. Tinha asco de si. Não por ter sido a merda que foi esse tempo todo, mas por estar feia.
Escrava de um espelho e de um cartão de crédito. Cortam-lhe estas coisas e ela pode ir para o lixo. É como um liquidificador que perde o corte.
Urinavam nela, era digna de ser alvo de dejetos. Humanos, animais, lixo fétido. Eletrochoque, pau-de-arara, afogamento, tortura pura e simples.
Assim como aqueles porcos de farda fazem com gente pobre. Nada gratuita. Cada um vai pagar por cada coisa estúpida que disser.
Toma teu preconceito de volta, mas fisicamente: quero oitenta chibatadas nas costas da loirinha. A piranhazinha acha que pode destratar pessoas só porque tem mais dinheiro. Oitenta, não, quero duzentas e cinquenta. Quero vê-la se esvaindo em sangue.
- Ué, não é sangue azul, morfética? Cadê tua nobreza, imbecil?
Pais, este será vosso castigo: a dor amarga de não ter educado direito. Respeito é o mínimo que vocês poderiam ter ensinado. Fizeram errado. Agora chorem por sua bonequinha no caixão. Por seu pequeno fantoche endemoniado, encarnaçãozinha do coisa-ruim.
***
É mais ou menos nesta situação que eu queria ver aquelas patricinhas da tal "Geração $"
Murmure:
Kátia 11:46
22.3.04
Stephanie says that she wants to know
Why she's given half her life, to people she hates now
Stephanie says when answering the phone
What country shall I say is calling from across the world
But she's not afraid to die, the people all call her Alaska
Between worlds so the people ask her 'cause it's all in her mind
It's all in her mind
Stephanie é uma versão de Kátia para Lou Reed?
Murmure:
Kátia 19:34
De segunda a sexta esporro na escola
"Sába-dábado" e domingo eu solto pipa e jogo bola...
Murmure:
Kátia 08:42
19.3.04
Desde que me tornei parte da massa assalariada do país, adoro as sextas-feiras!
Poxa vida!
O fim de semana se tornou, para mim, o maior exponencial de liberdade que eu já tive contato.
Tenho uma agenda agora, cumpro os desejos do meu ego.
Uma delícia.
***
Eu sou a working class hero!
Certo, John?!
***
Feliz final de semana, folks!
Murmure:
Kátia 14:44
18.3.04
Samba, canção do crioulo doido!
Eu sempre tive alguma fascinação por cuecas samba-canção. Olhava a tira larga/fina que escapa pelo cós da calça, analisava, escalava entre bela ou feia, fina ou largada.
Aliás, gosto de algo escapando pelo cós, seja samba-canção, seja tanga, seja ceroula. Intencional ou não, pra esconder o cofre ou só pra mostrar a peça íntima, tanto faz.
Eu nunca despi ninguém que vestia uma samba-canção, talvez daí nasça minha mais nova fascinação. A curiosidade, a o quê incita um pedaço de cueca à mostra, a análise, o conjunto da obra, a aventura de poder olhar raras vezes, de fingir que não viu ou que não se importa, o inacessível. Inacessível tocar uma samba-canção em meio a uma festa, inacessível o que se esconde, inacessível tesão reprimido.
A samba-canção do sonho involuntário, aquele da noite mal dormida, arrancada.
Pra ser jogada no chão, qualquer cueca serve. Mas para ser explorada, a samba-canção vence por conforto.
O delicado trejeito que pertence somente aos homens, de deixar uma amostra grátis de seu conteúdo e, sutilmente, fazer com que a camiseta suba o suficiente para dar a brecha. Delícia.
E nós, "pobres indefesas senhoritas puras", caimos em tentação e nos soltamos em um imaginar (e a liberar alguns hormônios) profundo e ansioso.
De querer tirar.
De querer tirar...
Murmure:
Kátia 12:12
17.3.04
Tanto faz...
Sempre gostei de realejos. O som, o periquito treinadinho, a simpatia do homem que manuseia (tem um nome?) a caixinha, o bilhete da sorte.
Sempre acreditei um pouquinho também, é bom ter fé.
A manivela, aquele som bonito de tão triste, abafado, antigo, gostoso de viver.
Hoje parei em um.
O cara me chamou, deu uma "amostra" do que o periquito sabia sobre mim e me ofereceu a sorte por R$1,50.
Eu tinha uma nota de 20, ele não tinha troco. Olhei minha moedas: 0,80 centavos. Ele disse que tiraria por minhas moedas, afirmando que eu merecia ganhar a sorte.
Antes da ave tirar meu bilhete, o rapaz pediu para ela me olhar e adivinhar meu futuro: sairam três papéis de uma vez.
- Olha, ela tem três pretendentes! Então vamos de novo, tire só a sorte da menina!
Sairam dois bilhetinhos e foi pedido à ave que escolhesse a minha sorte "verdadeira e merecida".
Fiquei com o papelzinho verde.
O engraçado é que a sorte de hoje diz duas coisas idênticas à sorte que eu tirei há quatro meses: que vou casar em breve e ter duas "lindas criaturas".
Entre outras coisas confortantes e delicadas.
Por isso volto. Não só por terem sempre ali naquele papel "coisas confortantes e delicadas".
Mas porque eu sinto que eu estou salvando uma pedacinho da cultura que eu gosto de encontrar na rua.
Murmure:
Kátia 15:53
16.3.04
INGRESSOS COMPRADOS, CATS: NÓS VAMOS VER OS PIXIES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
VOU EXPLODIR DE ALEGRIA. QUERIA TE PASSAR SÓ UM PINGO DE NOÇÃO DA MINHA ALEGRIA!!!!!!!!!
É GIGANTE, INCONTROLÁVEL, FODAÇA...
COMO UM CÃO ANDALUZZZ!!!!!!!!!!!
Murmure:
Kátia 16:41
15.3.04
PUTA MERDA, FREDI, VAMOS FAZER UMA RETROSPECTIVA (OBJETIVO - ANOS DE OURO EM VISTA ALEGRE - ALMOÇOS - RABOS DE GALO) VIA E-MAIL E PUBLICAR, SIMULTANEAMENTE, EM NOSSOS BLOGUES!!!!!!!!!!!!!
Murmure:
Kátia 20:42
12.3.04
Um punhado de Smiths, um e-mailzinho do Luiz e uma ligação do Zé Galinha: tudo está melhor.
Cacá, em Maio estaremos em Curitiba: Kim Deal e Normam Blake que nos aguardem...
Murmure:
Kátia 13:59
11.3.04
Um pouquinho de amargura
No limite. De saco cheio. Sem saída.
Já estive assim outras vezes, poucas. Parece que está tudo travado, parado, que não posso fazer nada. Tenho que esperar e esperar cansa.
Impaciência, a ciência do não-aguentar.
Vontade de chutar a boca, de bater, de cuspir na cara, de ofender, de se vingar.
Se vingar do que mesmo?
De nada. Ninguém fez nada. A culpa é minha. Sou neurótica, imbecil, burra.
Sabe quando você olha e não vê nada? Sem perspectiva, sem futuro. Acima de tudo, sem vontade.
Vontade de parar o brinquedo, estou enjoada. Quero descer.
Quero voltar pra casa agora. O ciclo se fechou. Hora de descansar os ossos, deitar na rede, chorar devagar.
Aquilo que eu tinha, sim, era vida.
Chegar em casa, ter comidinha quente na mesa, mamãe cantarolando na cozinha, fumar um cigarro, levar os amigos para tomar uma coca, tirar uma sesta, comer um bolo com as tias, jantar, dar mais risadas com o moleques, dormir. Não fazer absolutamente nada além de ler uma revista ou assistir um filme.
Hoje em dia?
O presente é uma merda. Pelo menos está.
"Todo dia ela faz tudo sempre igual..."
Não quero mais ir pra merda da Cásper Líbero, não quero mais ter aulas imbecis, não quero mais andar no meio daquela concentração de gente estúpida.
Não que eu seja melhor que eles, nem, sou um pouco pior. Sou uma cachorra, idiota.
Nem.
Sou uma sentimentalista, sou toda sentimentos, sou toda saudade, sou toda babona, sou toda carente, sou toda criança chorona.
Só que enfiei essa Kátia sentimentalista em algum lugar escondido, inacessível, embaixo dessa carcaça de ruindade e auto-proteção, de rebeldia e falta de educação, de defesa do mundo, debaixo de um coração que empedrou por motivo que não há de ser desfeito, que não tem volta ou solução. Uma Kátia que não dá mais risadas, que não faz mais piadas, que perdeu a leveza original, embrutecida, fracassada, miúda, mesquinha. Uma Kátia, para mim, insuportável. Que eu não gosto, não aceito, não moldo, não mudo.
Preciso REAPRENDER a falar eu te amo, preciso voltar a distribuir meus "eu te amos" por aí, porque eu amo mesmo, amo muito, mas desaprendi a falar. Então guardo. Amor guardado de nada serve. Só sentir de nada basta. As pessoas precisam ser amadas e ser avisadas por isso. Somos cuidadosos com quem nos ama. Não somos?
Somos delicados, cuidadosos, gentis, afáveis, aduladores, agradecidos por quem nos ama. Eu não estou sendo. Mas deveria.
Ninguém vai adivinhar o amor que guardo.
Cadê a Kátia que eu gostava de ser? Morreu de incompreensão, talvez.
Às vezes não somos compreendidos por quem amamos. E isso dói. E a dor cansa. E o cansaço mata os sentimentos mais puros. Talvez ter amado gente que não mereça amor me fez assim. E o azar é de todos.
"Viver é não consegir" (Fernando Pessoa)
Murmure:
Kátia 11:57
10.3.04
Saudades...
Eu e o Zéga - 01/01/2003
Te amo, fofão!
Murmure:
Kátia 12:08
9.3.04
Sonnet - Porque me lembra o Bruno zegaliminus
My friend and me
Looking through her red box of memories
Faded I'm sure
But love seems to stick in her veins you know
Yes, there's love if you want it
Don't sound like no sonnet, my lord
Yes, there's love if you want it
Don't sound like no sonnet, my lord
My lord
Why can't you see
That nature has its way of warning me
Eyes open wide
Looking at the heavens with a tear in my eye
Yes, there's love if you want it
Don't sound like no sonnet, my lord
Yes, there's love if you want it
Don't sound like no sonnet, my lord
My lord
Sinking faster than a boat without a hull
My lord
Dreaming about the day when I can see you there
My side
By my side
Here we go again and my head is gone, my lord
I stop to say hello
'Cause I think you should know, by now
By now
Murmure:
Kátia 17:22
8.3.04
De quem é meu coração...
Conheço Bruno há mais de 11 anos. Desde quando ele ainda usava óculos de armação preta, arredondada, de plástico. Desde quando ele penteava o cabelo, usava calças esquenta coração e paquerava a Tatiana Ueda. Desde quando ele deu seu primeiro beijo, e, ao contrário do que muitos pensam, não foi em mim. A gente nunca se beijou. Ele sempre foi um dos meus três melhores amigos. Desde quando cheirávamos cola de sapateiro escutando Led Zeppelin no meu quarto e babávamos de dar risada. Ele foi o primeiro a falar de masturbação comigo, junto com o Thiago Capelane. Daí medimos nossos pelinhos pubianos e eu ganhei dos dois. Tínhamos doze anos. Vi Bruno passar do mais baixinho e magrelo da turma para o mais alto e coxudo. Ví seu primeiro pêlo de barba nascer. Já bati nele. Já apanhei dele. Já brigamos, nos mordemos, nos estranhamos, fizemos as pazes, nos consolamos, nos aconselhamos, nos abraçamos de saudade dolorida e nos confortamos.
Bruno é o mais gentil, mais bem intencionado, mais carinhoso, mais amoroso, mais amigo, mais fiél e mais fofo dos seres que eu conheço na terra. Iluminado, é mais ou menos isso que o Zéga é. Um ser iluminado.
Bruno, te ter rangando lá em casa todos dias não era um fardo, era uma dádiva. Sua companhia é ótima. Mamãe estaria ensandecida com a sua situação.
O desespero que me dá cada vez que penso em você, é indescritível. Um pânico, uma vontade de te abraçar, de te ver, de pular em você, de te avisar que te amo, preste atenção, te amo muito.
Sábado foi cruel. Estava presa em um apartamento de 40 mts quadrados, não tinha o que fazer. Foi inevitável, é inevitável, pensar que você poderia ter morrido. O medo de te perder foi imenso.
Achei que fosse morrer sufocada de tanto sentimento, do turbilhão de coisas que virou meus pensamentos. Sem controle. Lembrei de milhares de momentos ao seu lado, do tanto que você já me divertiu, de tudo que sou quando estou com você. Do quanto você é especial...não só para mim, mas pra muita gente. Teus olhos, saudades deles.
Me sinto uma bosta quando penso que a gente só dá valor pras pessoas quando acontecem coisas assim. O tanto que você é importante na minha vida. O medo que eu passei de te perder. O tamanho do meu amor, respeito, carinho e amizade. O choro, convulsivo, verdadeiro, inevitável, desesperado, profundo, vem sem eu querer. Você está vivo, é isto que importa. A sua luta vai ser árdua, mas estamos aqui pra te ajudar. Estamos aqui por que te amamos, porque te queremos bem, porque desejamos te ver como você sempre foi: alegre, animado, engraçado, cheio de sentimentos, gentil, forte, bonito, inteligente, esforçado e, acima de tudo, humano.
Não sei se já te falei, mas você sempre mereceu ouvir: te amo. Te amo demais. Você é muito importante pra mim. Você é meu irmão, cara. E é um dos donos do meu coração...
***
Para quem não entendeu, uma explicação: Zé Galinha sofreu um acidente de carro no sábado a noite. Um filho da puta entrou na pista dele e bateu de frente. O filho da puta morreu. E o Zéga está hospitalizado.
Murmure:
Kátia 10:17
6.3.04
Diagnóstico
- Dói aqui?
- Dói.
- Dói aqui também?
- Também.
- Hummmm...
- Dói bem naquela hora que vem antes?
- Hum, hum...
- All you need is sex...
***
Ainda no ginecologista:
- Você pode se trocar ali no banheiro.
(A menina volta tímida, de camisolinha)
- Deite-se aqui, não se sinta desconfortável etc.
- Tá tudo bem aí, doutor?
- Está...
(Silêncio. O Dr. cantarola...)
- I´m looking through you...
Murmure:
Kátia 15:58
5.3.04
Anna Lee, Anna Lee, the healer...
Da sucursal de Diadema.
Olha, meu trabalho é longe, viu?
Puta merda...e a vontade de ir pra casa, sexta-feira, pressão baixa e dor de cabeça?
Aqui é quase Diadema. Acho que se eu pegar um circular, vou parar em Santos...
Agora vou almoçar. Depois dou uma enrolada, três horas eu vou pra casa.
Tenho que melhorar.
Tenho muita cerveja pra tomar.
Murmure:
Kátia 12:00
1.3.04
Kátia: da massa proletária ao bandejão.
Primeiro dia de labuta. Adorei.
Falei tão mal de publicitários e agora trabalho com eles. Pagando a língua.
Bom Prato, Viva Leite, Alimenta São Paulo, Programa de Horta, Bom Lanche? É comigo mesmo!
Meio-dia e um tick: bandejão. O suco, batizado de "coragem", tinha cor de limão, cheiro de abacaxí e sabor de maçã verde. Só com muita coragem...
Olha, a comida é boa, a carne é dura, o arroz vem em bloco, a salada é cheia de repolho, mas o feijão, hum, que feijão...
É um prédio de repartição pública bem típico: ninguém faz nada e acha que tem trabalho demais. Tem aquelas divisórias brancas terríveis, um ar-condicionado que funciona mal e computadores lentos. Mas, contrariando expectativas, as pessoas são sensacionais: bem-humoradas, prestativas, gentis. Burocratas gentis. Dá pra imaginar?
Saio às três. Trabalho ao lado do Zoológico, sabe, aquele dos animais envenenados? Então. Ao lado.
Ganho pouco e não tenho vale-transporte. Mas gostei do lugar. Mesmo.
Pode fumar na sala, ligar o som, dormir, ler; ninguém se importa muito. Conversei com uma cara que trabalha lá há dois anos e, até hoje, não sabe que é o chefe de verdade. Bagunça? Não.
Bom. Banho. Amanhã tem mais.
Murmure:
Kátia 16:57
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