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30.6.04
Perto do Coração Selvagem
Coração selvagem e de criança. Pensei hoje sobre crescer. Não guardo uma porção criança dentro de mim, eu ainda sou criança. Tenho um sorriso que atrai filhotes de gente e de cães e atrai psicólogas também. As psicólogas e as sogras costumam me adorar. As mães dos meus amigos também. E perto de um coração selvagem, isso é um elogio que envaidece até a alma.
Digo, e explico: eu sinto. Sinto quando alguém gosta ou desgosta de mi persona. E quando gosta - e eu sinto - meu ego parece que vai explodir. A pessoa não precisa fazer nada, basta que eu sinta que ela tem prazer em me ver.
Quando eu estou conversando com alguém que gosta de mim - assim, como eu sou, sem pôr nem tirar - meu peito fica formigando. Eu não sei onde fica o ego de vocês, mas o meu fica entre o coração - este, selvagem, e depois eu explico o porquê - e o esôfago, pegando um pedaço da traquéia e alguns alvéolos pulmonares, podendo envolver a pleura ou não. E quando meu ego está sendo massageado, essa área fica queimando de adrenalina e paixão, e meus braços ficam moles, e minha boca fica sorrindo sem trégua e sem culpa, e eu até tremo, e tenho vontade de abraçar a pessoa e dizer o quanto ela é linda e dizer muito obrigada por ela gostar de mim - este sentimento eu também explico depois.
Mas eu sou - por mais que não pareça, e isto eu também explico depois - criminosamente tímida. E guardo estes sentimentos para mim. E nem é egoísmo, é só timidez.
O meu ego baila tonto e desgovernado dentro de mim, como se a minha alma estivesse descolada do corpo, quando recebo um elogio. Ou quando escuto palavras doces de gente de boa índole - que sei não serem falsas.
Antes eu não aceitava elogios. Minha mãe falava que não aceitar um elogio é muito orgulho, que é coisa de gente que não aceita a delicadeza alheia. Eu achava que elogios eram peças de interesse, eram coisas vazias de sentido. Pedi para a minha mãe me ensinar a ser humilde. Ela era beatinha, e me deu uns textos bíblicos e escreveu uma carta para mim dizendo o que achava que era humildade. Tenho essa carta guardada até hoje e leio quando estou me sentindo muito arrogante, ou mesquinha, ou vazia, ou prepotente.
Não sou humilde. Eu tento, mas humildade é coisa que vem de berço, e tenho criação burguesa. Mas aprendi a aceitar elogios e guardá-los no meu coração, então acho que isso já é parte da minha humildade nascendo. Já faz uns dois anos que eu aprendi a ouvir elogios e ficar feliz e deixar o ego deslizar no sentimento úmido do prazer auditivo.
E todo dia eu encontro alguém que me faz um bem danado de bom, que nem precisa me elogiar ou dizer palavras doces, mas que está ali e trasborda amor pelos poros e passa um sentimento firme e sólido de amizade, de estar alí para o que precisar.
Sobre ter o coração selvagem, tenho essa consciência desde que li Clarice Lispector. Tenho um coração rústico, pronto para ser entalhado. Aberto para sentimentos primais, simples, que nascem em um coração selvagem, não-mecanizado, não endurecido, não pré-conceituoso, coração de criança que quer abraçar o mundo e ser mãe de todo mundo.
E sobre as pessoas gostarem de mim, agradeço pelo amor que é selvagem e puro assim, porque não sou fácil de engolir. Agradecer pela ternura e pelo apoio, pelas palavras e pelo conforto que sinto quando estou perto delas.
E quanto a ser criminosamente tímida, creio que já perdi pessoas por isso. Por não ter falado muito obrigada por existir, muito obrigada por eu te amar assim, muito obrigada por ser esse ser maravilhoso e fazer a minha vida mais completa. Sou covarde. Tenho medo que as pessoas não entendam. Mato sonhos. Tenho medo que a interpretação errada e burra caia sobre mim e mate o amor. Um amor que pode existir até em silêncio.
Qualidades, não tenho muitas. Sou otimista e isso é uma qualidade. Mas das últimas que descobri - e uma das únicas - descobri que sou open field. Que estou aí pra me jogar no mundo. E tenho outra qualidade: eu amo. Eu amo muito, amo de peito aberto. E não queria que ninguém entedesse mal nunca: tenho um namorado incrível e ele é a única pessoa no mundo que eu amo pra beijar na boca.
Porque já pensaram muito mal de mim quando disse "gosto de você" ou "te amo" a ponto de se afastarem ou inventarem explicações para não namorar comigo. E não era isso. Não queria beijar essas pessoas na boca, namorar, casar. Queria só poder amá-las. Por isso não falo, guardo. Sou covarde. Mas sinto quem gosta de mim. E espero que quem eu goste também sinta.
***
Penso na Rosa do Pequeno Príncipe. Tão vaidosa! E tinha um só admirador: o pequeno príncipe. Vivia com o ego flutuando e - veja bem - era somente um garoto que a amava. Não sou vaidosa. Mas fico com o peito envaidecido quando encontro alguém que amo. Porque sinto amor. Porque sinto vida.
***
Então, se eu morrer amanhã, ou se eu me calar quando vos encontrardes, queria que soubesses que o que penso é isso: amo com amor de mãe. Amo profundamente. Sinceramente. Alegremente. Eternamente.
(***Texto dedicado, em especial, a algumas pessoas que o destino teve por obrigação afastar de mim (pra sempre ou por pouco), "porque era, tinha de ser!" assim: D. Cândida, Mariana, Daniel, Fabiana, Venceslau, D. Valquíria. E para outras pessoas que eu vejo muito pouco, mas ainda amo muito: Tia Sônia, D. Eliza, Beto, Tica. Obrigada por existir e terem passado pela minha vida.)
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Kátia 12:38
29.6.04
Em função do completo fracasso da frase da maior intelectual do sexo feminino do Brasil (fazendo páreo com Marilena Chauí), Kelly Key, coloquei um comment caretinha.
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Kátia 11:38
Plástico-bolha é a maior invenção da humanidade.
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Kátia 08:06
28.6.04
[agora]
Está tocando Yo La Tengo. "Today is the Day". É como se o mar fosse feito de gel e eu estivesse submersa. É como se tudo flutuasse. Se imagine submerso em um mar de gel. É melhor sensação do mundo. É coisa de pele, contato, fresco e leve, pegando no corpo todo. Today is the Day é um mar de gel. Cinco minutos submerso, catando bolhinhas, vendo os peixes dormindo e as arraias deitadas na areia lá no fundo, cavernas escuras com os tubarões nervosos e imóveis, as algas dançando de felicidade. É um mar de gel. E Birdland da Patti Smith é uma camisa de força que tende a ser estourada. E Venus in Furs do Velvet é um transe no deserto com muita mescalina no estômago. E Two Towers do Lightning Bolt é uma bordoada seguida de outra e outra na nuca.
E eu não sei falar de música. Só sei sentir. Sentir o mar de gel e não me afogar. Música é a aflição do coração solitário. Me abre até os póros. Me abre a vida. Música é o apelido do sublime. Música é entorpecente e vicia. E ninguém aqui tá falando de qualquer tipo de música. Estamos falando de música boa, bem feita, bonita. Estamos aqui pró-flautas, pró-metalofones, pró-trompetes, pró-ruídos, pró-piano, pró-cítaras, pró-sentimentos.
Porque vivo, respiro, trabalho e como música. Porque se houver castigo grande no mundo, esse é a surdez. Não quero entender de música (como tentei por anos a fio). Quero sentir música. Quero poder fechar os olhos e dançar e soltar aquele sorriso que nasce, cresce e explode com música. E toda música é única e sublime como qualquer orgasmo. (Música = orgasmo = chocolate)
E nada É sem música. Ninguém É sem música. Queria lembrar aquela maldita frase do Shakespeare que fala mais ou menos, que o indivíduo que não gosta de música nasceu para a violência a para as coisas más.
E agora estou no mar de gel e ninguém me tira daqui.
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Kátia 14:31
Te conto minha vida em capítulos. Vida besta. I'm only sleeping.
O mundo não teria graça se não houvesse FRITURA. Ou bacon. Ou batata. Ou molho agridoce. Ou o nosso restaurante japonês.
Por isso que eu tô gorda e pesada: só penso em comida.
Tô sem assunto. Acordei injuriada. Com vontade de matar várias pessoas. Tipo você é inútil pou! pou!
Com vontade de falar isso: o mundo não passa de uma visão medíocre e parcial de cada um. O mundo sempre se reduz ao seu umbigo. Isso porque eu vi uma fotos hoje cedo e fiquei mais injuriada. Tipo um bando de gente babaca, pou! pou!, pronto, agora estou mais feliz.
Eles não estão perdendo nada enquanto eu tô perdendo a paciência.
Mas vamos falar de coisas boas. Porque a injúria só vai passar amanhã a noite:
Sexta = Fun House, Dago discotecando, umas caipirinhas de caquí, quatro shows da família marcados.
Sábado = Almoço vegetariano fudido, ensaio da Lulina (ela é foda) em um estúdio apertadinho, show do Tony Allen, sanduíche agridoce sensa no Hot, sobremesa na Ofner, (menina chata causando), bagun corujão no Fran's.
Domingo = Acordar às 5:00, DVD fantástico do John Spencer, quatro rounds de destruição no nosso japa preferido, namorinho de portão e chega.
Segunda = I'm only sleeeeeping.
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Kátia 12:42
Medo:
O Marcelo Coelho está no Orkut.
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Kátia 10:48
25.6.04
Em homenagem a nossa grande Kelly Key:
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Kátia 14:39
Porque eu sei.
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Kátia 14:35
24.6.04
Chorei com Adriano Cintra hoje. Adriano Cintra não foi feito pra chorar. Ele não nasceu pra fazer chorar. Ele faz força para não parecer sentimental e escreve descontroladamente como um adolescente rebelde.
Olha isso:
"E eu ainda fiquei muito tempo do sonho procurando minha mãe até que parei na frente do canteiro com as flores dela e o caseiro falou que era ali que estavam as cinzas dela, e é lá que estão mesmo as cinzas dela e quando eu acordei eu fiquei com vontade de ir correndo pro sítio regar essas flores e ficar lá sentado olhando e tirar fotos e acender velas e incensos e conversar com essas plantas e abraçar e cuidar pra sempre delas."
Post do dia 17 de junho.
Chorei, estou chorando até agora. E olha, vou falar, fazia muito tempo que eu não chorava de saudade da minha mãe.
A verdade é que eu estou um poço de sentimentos. Todos bons, só pra constar.
(E saudade é coisa boa de doer)
Anteontem eu estava lendo "A Menina de Lá" e chorei. De lindo, de profundo, de angustiante, de comovente, de sentimentos que Guimarães provoca.
Ontem eu estava na casa do Du vendo o Wilco tocar no Late Show e chorei. Música bonita, linda, comovente, sentimento que música boa provoca.
E hoje eu chorei com o texto do Adriano. Não sei o que aconteceu com a mãe dele, nem quanto tempo faz que ela morreu.
Mas é um texto cheio de sentimentos. É como se, por algum milagre, a gente pudesse ter nossas mães de volta, nem que seja em uma florzinha, em um canteirinho. E regar, e cuidar, e amar como eu fazia com a minha mãe.
Estou toda sentimentos. Quando o Du me fala te amo eu também tenho vontade de chorar. Porque é tão bonito, e carinhoso, e sincero, e gostoso, e eu fico toda comovida.
Mas é chorar de sentimento bom. Tristeza foi embora de mim há muitos meses já. Chorar de alegria, e gratidão, e amor.
De cuidar pra sempre. Porque o amor me faz chorar. De saudade e de ternura.
Eu sonho com a minha mãe quase todo dia atualmente. Mas são sonhos normais, como se ela estivesse na minha vida ainda. No começo eu sonhava uma vez por mês, mais ou menos. Quando eu estava em depressão, passei três meses sem sonhar com ela. Agora ela aparece indo comigo no mercado, em casa, nos churrascos. Como se ela estivesse viva.
E me deu uma saudade fudida da minha florzinha. Porque é inevitável: tem dia que bate e bate forte. E a garganta fecha e o choro brota. E fica esse ossinho de galinha enroscado. Porque ela era muito foda, muito massa, muito mãe. Quem tá vivo aí pode falar. Mas ela está linda, matrona, bem, cabeluda e com as bochechas cor-de-rosa e sorridente. Eu sei. Eu vejo. E se hoje eu sonhar com ela, vou falar aquelas coisas que a gente se falava pelo telefone quase todo dia: minha querida, te amo. E vou dar um mega abraço nela. E nem vou chorar.
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Kátia 16:52
Toda quinta ela faz tudo sempre igual...
(Me sacode às 6:00 horas da manhã
Me sorrí um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã)
Chico rulez!
Bom, mas não é isso, não!
É Batidão! Toda quinta tem Generics.
E hoje tem Brendon Toshiro ao vivo no happy hour.
[Serviço: Rua Aspicuelta, 321 - Vila Madalena]
Eu odeio a Slag, mas curto um marketing.
(Brincadeira...)
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Kátia 15:03
23.6.04
No hay banda.
(De Cidade dos Sonhos)
Chegou. Sou uma cidadão italiana.
Passaporte vermelho e os três telefones do Consolato Generale d' Italia in San Paolo ocupados.
E só sei falar três palavras em italiano: caspita, ciao e bella.
Aliás, falo mais francês do que italiano. E enquanto poliglota eu sou uma boa costureira. Afff.
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Kátia 17:15
Top 10 - Eu sou do rock!
(ou do folk, ou do proto-punk, sei lá)
Há alguns dias Eduardo cometeu o despautério de falar que Aphex Twin estava entre seus cinco artistas preferidos. Daí eu fiz careta e disse que falaria, na hora, cinco bandas que ele gostava mais do que o músico, dito que eu não vou muito com a cara e com a música de laboratório de Richard D. James. Gosto mais do trabalho paralelo Mike & Rich do que trabalho Aphex Twin de Richard.
Bom, aqui estão dez bandas que o Eduardo gosta mais do que Aphex Twin (sem ordem de preferência, porque aí já é demais), só pra tirar um pouquinho o mérito do moço eletrônico:
- Velvet Underground
- Nick Drake
- Modern Lovers (aka Jonathan Richman)
- Beat Happening
- Neil Young
- The Pastels
- Sebadoh
- Big Star (aka Alex Chilton)
- Flaming Lips
- Low
Pronto, falei.
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Kátia 10:22
22.6.04
é coisa de minuto
Tamos aí, entre o alento e a falta de ar. Entre o gozo respiratório e o lexotan 6mg. Entre o caos e o cronos. Entre livros e idéias. Entre desejos assassinos e raivas absolutamente passageiras. Coisa de minuto.
Tamos aí pra reclamar e engolir, pra xingar e enxergar: é coisa de minuto. Pedindo dotes culinários e queimando o sutiã. Acreditando no niilismo: coisa de minuto, o niilismo morre no momento em que acreditamos nele.
Tamos xingando o ventre e amando a mãe. Chorando, engasgando, cuspindo. Pra lágrima brotar, coisa de minuto: basta um afago. E sonhar pra esquecer de lembrar o que deve ter sido apaziguado com cachaça e agora surge na sobriedade.
Escrever errado. Errar. O problema não é errar, é repetir o erro. Tamos aí pra consertar. O mundo, a vida, as idéias.
O muderno e o desmuderno, munderno. Tamos aí pra engolir o João Guimarães, o maior enfiador (afiador) de neologismos que o diga.
Tamos aí para o extremo do sentido. Dentro de mim há um abismo entre o surreal e a lucidez. Não há o mais belo. Se completam. Entre a timidez e o nu, não há o mais belo. Entre o perigo e a salvação, entre a vida e a inércia, entre o retrato e a família. Não há mais belo. São petiscos da mesma bandeja.
Entre você ser um provocador e um idiota há uma delicada linha que deve se prezar a não ser ultrapassada. E o mundo está repleto de idiotas que se julgam provocadores. Pobres almas. Como fere o dito "entre a genialidade e a estupidez há somente uma diferença: a genialidade tem limite". É coisa de minuto.
Mas o mundo também está repleto de coisas que não precisam de minuto, que são instantâneas. E coisas que são de construção. As diferenças são sutis, como a mágica da vida. É tão sutil que tem gente que não percebe. E coisas que são ambíguas, como o amor. Que pode ser instantâneo ou de construção. Coisa de minuto pra saber.
Tamos aí para o mundo. A cabeça cansa só de olhar tanto movimento. Então movemo-nos com ele, perdendo tudo, atropelando pessoas e coisas que poderiam mudar nossas vidas. Coisa de minuto. Parar pra reparar. Você não observa o mundo, ele é que te engole. O problema não é ser engolido. É ser engolido e se deixar digerir. Sem pegar nada para si. Sem morder um pedaço do banquete que está te passando sob os olhos.
Deve ser triste a vida dessas pessoas. Coisa de minuto pra você passar a ignorá-las e seguir para outra freguesia.
E talvez a escória do mundo nem se reserve aos vazios, mas sim aos chateadores. Tão patéticos. Quem age com o intuito de desconstruir noções e desejos, quem discorda só pelo prazer de ver a ira alheia. São infelizes. Se nutrem da infelicidade vizinha e se divertem com um gozo que só faz sentido a si mesmos e só naquele momento. Quem tergiversa só pra depreciar. Coisa de minuto: me angustio.
A vida é coisa de minuto, Leminski é coisa de minuto, morrer é coisa de minuto, rir é coisa de minuto. E essa porra de mentruação descer também é coisa de minuto. Antes que essa tpm me mova ao homicídio.
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Kátia 12:57
21.6.04
Um suflair e uma garrafa d'água. Afff.
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Kátia 16:27
18.6.04
Tô sem vontade de escrever. Vim só pra falar do show do Open Field de ontem. Pense em um acampamento. Daí, no lugar dos seus colegas, você coloca uns caras FUDIDOS que tocam bem e querem causar.
Foi muito bom. Muito fudido. Todo mundo participou, fazendo qualquer barulho. Sérgio tocando um lixo cheio de latas. Dago revelando seus dotes com a gaita e com a Angelina Jolie. Miranda também deu seu show "bá!". Eduardo pegou a escaleta, tocou três notas e guardou. Pegou o trompete e ainda recebeu elogio do Guilherme, que além de um violão, levou seu irmão "antropólogo" trimassa pra curtir a família. Sons de ternura vindos do metalofone. Eu e Michael, segundo o Eugênio, também participamos. Na verdade estávamos mais preocupados com o SANTO DAIME do que com a nossa (des)afinação. A última canção foi transcedental. Éramos todos almas, não havia mais carne ou matéria que resistisse àquilo tudo.
Sensa. Foi sensa.
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Kátia 15:37
Um Fantasma Nasceu
Uou!
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Kátia 12:16
17.6.04
Atendendo a pedidos (Karen, você é pequena, mas dá um trabaaalho...):
Meu TCC é sobre Cultura POP dos anos 80. Além de todo o engodo teórico que enfrentarei (comunicação de massa, mídia, escola de Frankfurt etc.), vou fazer um site com TODOS (eu disse todos!) os ícones pop dos anos 80. Desde Caverna do Dragão até Changeman, passando por RPM a Duran Duran, alcançando pérolas como Show de Calouros a Clube do Bolinha, linkando músicas-tema de Armação Ilimitada até TV Pirata, incluindo Super Vick a Chapolin etc. etc. Entrevistar uns 30 neguinhos que fizeram teses/reportagens/estudos da comunicação de massa daquele década. Tudo que tocou no rádio, passou na TV e atingiu um público mínimo, bem, tá incluso!
Tô empolgada. Porque até ontem a idéia original era fazer um paralelo entre as músicas radioveiculadas na década de 80 e na década de 90 e provar uma que houve decadência estética/lírica/poética/de nível na música pop brasileña.
Mas o Luis (meu orientador) sugeriu que eu escapasse da monografia, vez que a conclusão de ambos (eu e ele) é que não tenho concentração suficiente pra ler/anotar/escrever/ fazer nota de rodapé sobre tanta coisa.
Segundo ele "meu cérebro borbulha", não dou conta de segurar meus pensamentos.
Daí ele me levou em uma lojinha de bonecos de animações antigas e disse "seu TCC está aqui". Fechou. Tô com o site na cabeça. Tô com tudo na cabeça.
Vai ser fudido! FUDIDO!
(Agora eu tenho som, úh-úh, e estou cantando apple scruuuuuuuuuffs, apple scruuuuuuuuuuuuuuuuuffs, how I love you, how I love you...)
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Kátia 14:14
Aaah, comecei a fazer meu TCC. Vai ficar fudido!
Em Março do ano que vem, quando tem que entregar um "esqueleto" do bagulho, já vou estar com, provavelmente, um terço do projeto pronto! Daí eu vou ficar folgando haha.
Mas depois eu falo sobre isso.
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Kátia 11:28
Tá rolando um January fudido aqui. January e Nelson Rodrigues.
Mas depois eu falo sobre isso.
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Kátia 10:43
16.6.04
Não bota Jesus no meio
Quando eu não lia a Folha de S. Paulo, eu acreditava que era um bom jornal. Quando eu não fazia jornalismo eu acreditava que era uma boa profissão. Acreditava que a escória da humanidade estava reservada, única e plena, a publicitários, advogados e psicólogos.
Daí a gente cai nessa maldição de clipping. Ler a Folha de S. Paulo todo dia, ao menos a quem tem um pingo de senso crítico, faz perceber que é o pior jornal do país. Pior que o Diário, pior que o Jornal do Brasil, pior do que o Estadão. Pior que o jornal fuleiro da cidade do interior.
E percebe, também, que jornalista é tudo filho da puta. Que é, talvez, escória da escória. "Médico pensa que é Deus, jornalista tem certeza". Quanta besteira saí publicada todos os dias nessas folhas amarelas e vagabundas (de conteúdo também) que sujam nossos dedos com essa tinta de off-set maldita e aumentam nossos preconceitos e ignorância.
Vai ler a Folha, macaco. Daí você abre num dia, no espaço reservado à política, tem uma coluna carregada de burrice, preconceito e ofensa gratuita, avaliando um governo pela sua chiqueza. Um martírio, uma ofensa até ao jornalismo marrom. Um monte de merda escrita com a destreza de um cágado. Daí você abre em outro dia, hoje, pra ser mais exata, na página A3, coluna reservada às cartas do leitor burro que assina/compra a Folha e acha que está lendo lá grande coisa. E tem que engolir:
"Observamos, no domingo passado, um fato preocupante: registrou-se no Brasil, em São Paulo, a maior parada gay do mundo. De fato, esse desfile é um alerta para todos nós que procuramos observar os preceitos cristãos. Ou seja, ele é um indicativo de que cada vez mais homens e mulheres permanecem em um PERIGOSO EQUÍVOCO.(grifo meu) É oportuno e urgente que os cristãos estejam engajados num projeto amplo de persuasão a fim de os HOJE HOMOSSEXUAIS (grifo meu) encontrem amanhã a verdade e a vida plena em Cristo."
Meu Deus, o que faz um jornal de circulação e alcance midiático NACIONAL publicar um absurdo desse?
Meu Deus, o que faz Igor Gabriel Álvares Rodrigues Assis (o autor acéfalo) meter DEUS no meio disso e ainda se achar juiz do mundo, achando que Ele não ama seus filhos homossexuais?
É uma carga de preconceito comparável a "o número de negros inscritos no vestibular com cotas para negros aumentou 80%, isso é um alerta para que os brancos revejam seus conceitos e corram atrás de seus direitos, porque esses negros estão sem noção".
(maniqueísta, eu? Não, que é isso...)
Graças a Deus, isso sim, é a maior parada gay do mundo. Isso significa que, no Brasil, a liberdade sexual e a tolerância aumentaram em relação aos homossexuais, o que é quase mentira, mas é bom. É quase mentira porque no brazil (com z e bê minúsculo!) não há tolerância a nada.
O país fica aí cantando de galo e falando sobre essa tal tolerância e é um dos países mais preconceituosos do mundo. Bom, mas não é sobre a merda de país em que vivemos que eu falo agora, é sobre a Folha de S. Paulo.
Essa carta é bipartidária e publicando-a, o jornal parece partilhar da mesma opinião. Bipartidária porque 1, é contra os gays e considera a orientação sexual deles equivocada (como disse o leitor) e 2, acredita que a solução do "problema" (qual é o problema?) está em "buscar a Deus". Logo, quem acredita em Deus não pode gostar de alguém do mesmo sexo.
Deus está aí na criança órfã que um casal de gays pode adotar e dar lar, carinho, educação e comida (=direitos humanos básicos e universais). Deus está no amor, certo? Deus é amor, não é isso que a gente aprende na porra da catequese? Então se dois seres humanos, mesmo que do mesmo sexo, se amam, Deus não está ali? Tolstói tem até um livro que se chama "Onde Existe Amor, Deus ali Está". Você respeita Tolstói, certo? Você respeita Oscar Wilde, certo? O cara era gay e tinha um namorado marinheiro. Você respeita militares, certo?
Só tô tentando dizer que a porra do preconceito que você nutre, agrega muito mais valores e fatos do que você pode imaginar. A coisa é muito maior. O preconceito é uma burrice que se dirige a uma coisa muito pequena, mas que atinge uma esfera muito grande.
Você tá aí falando que odeia os negros, logo, você não respeita gente de calibre muito superior ao seu. Você fala que odeia nordestinos, logo, está odiando grande gênios da literatura/música/pintura/arte brasileira. Você fala que odeia qualquer tipo de etnia ou cultura, logo você está sendo Ignorante com i maiúsculo.
MEU CU pra porra do preconceito e pro etnocentrismo! MEU CU pra quem acha que homossexualidade é doença! MEU CU pra Folha de S. Paulo, esse folhetim fascista, preconceituoso e retardado! MEU CU pra essas igrejas que pregam que homossexualidade é doença e que a cura está em Deus.
Meu filho, "preocupante" é você ter um pensamento tão antiquado e conservador. MEU CU pra você também. Como diria Mino Carta: E tenho dito!
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Kátia 12:22
15.6.04
And in the end the love you take
Is equal to the love you make
De sentimentos velhos e saudades inadequadas. Ele era bonito, sim. Talvez nem fosse tão bonito assim, talvez o momento tenha sido bonito. Porque não sinto saudade somente das pessoas, sinto saudade de momentos. As pessoas que fazem os momento bons. Tá, sinto saudades de pessoas. Porque cada um causa um sentimento diferente em mim. Cada um, uma impressão. Quase sempre boa, pois tenho bons olhos para com a humanidade. E quem eu odeio, bom, sinto pena de quem eu odeio. Porque tem que me dar muito motivo até eu odiar, tem que ser muito carregado de péssimas qualidades. L.L., saca? É um bom exemplo de dificuldade pra engolir. Ela é sacana, infantil e faz pose de ingênua. Não dá pra engolir quem faz pose de ingênua, de santa, de madalena arrependida. Fode comigo e com o meu humor. Ah, não, gente sacana merecia umas boas palmadas. Delatores do mundo: uni-vos e explodi-vos!
Bom, mas não era sobre isso que eu estava falando. Era sobre o momento. A sincronia perfeita dos acontecimentos, como notas musicais todas postas em songbooks, todas escritas a serem seguidas. Anteontem falávamos, eu e Astor, sobre destino. E sobre as sortes ou reveses que o destino trás. Pode fazer o diabo, tem que coisas que acontecem porque têm de acontecer. Não há homem no mundo capaz de mudar os fatos. Há de amenizá-los se tem bom coração, mas não mudá-los, jamais. E, sendo um pessimista, o homem fica cego para a sorte e enxerga somente o revés. Perde momentos tão frágeis e imaculados que fazem inveja a qualquer cristão. Tenho uma infinidade de boas lembranças daquele tempo em que ele era bonito. Eu o fazia bonito. Meus olhos se enchiam de luz, os corredores, a casa, o peito, tudo se enchia de vida e doçura. Não é sentimento exclusivo, mas é único. Eu fiz de cada pessoa da minha vida um laguinho de paixão para matar a minha sede. Pena que existam laguinhos que sequem. De tanto eu sugar o que eu mesma nutria sozinha. Os momentos bons têm essa mania inconsolável de acabarem mal. Inconsolável.
Falávamos também, ainda eu e Astor, sobre uma menina que ele ficou. A menina tem namorado e talvez até goste dele, mas ficou com o Astor. Falávamos o quanto isso pode ser certo ou errado. Traições nem sempre são nutridas por más intenções, mas sempre fazem mal. Traições nascem de corações vazios. Traições brotam por culpa do coração vazio. Porque há, inato ao homem, o desejo de ter sentimentos no coração. Seja ele qual for, sentimento. E talvez o namoro dela esteja esvaziado de sentido e ela precise buscar sentido em outras coisas. Conheço a menina e sei de sua índole: ela não fez por mal, ela fez por sede. A mesma sede de paixão dos moribundos. Há, dentro dela, vontade de viver enquanto seus sonhos estão no limbo. É aquele desejo inato da qual já falei: ter sentimentos. A vida precisa ter sentido. Quando a vida perde o sentido, perdemos a razão de estar aqui. Dá vontade de ir embora.
Não falo de mim por esse tempo. Minha vida, agora, brilha e derrama felicidade por todos os cantos. Incontrolável felicidade. A felicidade dos apaixonados. Só há de saber quem está apaixonado ou quem já se apaixonou. A fúria de querer viver. De querer abraçar o mundo. De querer tudo e saber que não se precisa de mais nada.
Falo de quando o fazia bonito. Porque ontem caiu nas minhas graças cartas antigas. Eu sempre guardo cartas, bilhetes, papéis que possam remeter a qualquer lembrança, por menor que seja. Por isso odeio o e-mail e a modernidade, porque não dá pra guardar na lata de cartas. E eu vi o amor e a fúria que depositei naquelas palavras com pouco nexo e muita paixão: ¿rezo pra você aparecer, rezo pra você cair, rezo pra você me agarrar, rezo pra você sumir, rezo pra você me amar, rezo pra você morrer¿...era assim. E sinto saudade deste sentimento adolescente, da verborragia, do calor, do impulso, da inconseqüência.
De você, talvez não. De você bonito, talvez sim. Porque você era feito bonito naquela época. Saudades daquele tempo, pois sim. Porque tudo muda. Pessoas são como livros. De quando em quando se encontra e se lê e cada vez tira-se um significado diferente. Um sentimento diferente. Hoje sinto nostalgia. Talvez sempre sinta nostalgia daquele tempo. Talvez não.
E ontem me lembrei de mamãe. Em meados de dezembro de 2002, mamãe recebeu uma ligação da Itália. Carlos foi seu namorado na adolescência. Um namorado que, segundo a minha madrinha, mamãe amou demais. Se mamãe não tivesse ido embora, perguntaria a ela sobre o sentimentos, sobre o tempo, sobre como se comportou seu coração quando recebeu aquela ligação. Porque os verdadeiros sentimentos nunca morrem. Gostaria de saber. Mamãe casou, teve filhos, tocou a vida; Carlos casou, teve filhos, mudou para outro país, se separou. O que será que passa no coração de alguém quando fala com outro alguém que amou demais?
Eu o fiz bonito e o amei demais. Como todo amor deve ser, incondicional. Se ele me amou ou não, agora não faz diferença. Como diria os Beatles " e no final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz". Eu o fiz bonito, eu o fiz amor. E o que eu levo é isso. Carrego comigo a nostalgia de um momento incrível, a memória afetiva carregada das coisas que eu senti. Afinal, que mais na vida importa senão os sentimentos?
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Kátia 13:51
Cara, isso é muito bom:
"Podemos dar cotas aos alcoólatras, pois estes seguem o exemplo do presidente"
"Se descobrirem vidas em outros planetas, os conceitos de 'Miss Universo' teriam de ser repensados".
De uma redação que está rodando a internet, de autoria de Rodrigo Longo.
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Kátia 12:01
Por que algum dia o imbecil do Samuel Wainer casou com a bucéfala da Danuza Leão? Isso a fez pensar que era jornalista. E a Folha de S. Paulo dá crédito pras toneladas de bobagens que ela fala. E a Kátia idiota vai lá e lê. E fica brava, muito brava. Campanha "a Danuza Leão tem que morrer". Olha, vou falar, não estou lá muito contente com o presidente que votei (eu votei, eu votei!) e que chorei no discurso da vitória em um domingo na Avenida Paulista e chacoalhei bandeira e gritei e comemorei. Era esperança e alegria de fim de mandato do Boca de Sovaco.
Mas sentir saudade daquele governo besteirol só porque D. Ruth e o Sêo Fernando eram mais classudos já é demais pra minha cabeça.
Vai lá, Danuza Felino quadrúpede, vai falar mal de festa junina e de mau gosto. Vai lá, medir um governo pela sua etiqueta. Volta a cobrir casamento de filha do Roberto Marinho e festinha pra cachorro da Vera Loyola que você é bem melhor falando de quilates e estolas do que de política. E tenho dito e cuspido.
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Kátia 11:23
14.6.04
7,5
Olha, eu vou te contar. Não é segredo. Sou a menina do 7,5. A vida inteira eu só tirei sete e meio. Nas redações, nas provas, nos trabalhos, na vida. Sete e meio é frase constante que significa, ao menos para mim, mediocridade. Ignorando um 10 de física que eu tirei no segundo colegial e um 3,5 de Cultura Brasileira que eu tirei no bimestre passado, entre outras notinhas, sete e meio é nota periódica.
Ainda no colegial, me apaixonei por literatura. Quando ouvia biografias, sonhava alto: "Joaquim de Sousândrade foi um aluno de notas medíocres", ou "Machado de Assis teve desempenho mediano nos estudos" e pensava: olha, eu sou assim sete e meio, mas serei uma boa escritora. Já perdi esta esperança. Pau que nasce torto nunca se endireita. Hoje me conformo em lidar com futuros gênios, ou gênios embutidos, como bem sei que da(s) minha(s) turma(s) sairão figuras ilustres. Quem nasce estrela não tem outra alternativa senão brilhar.
Na verdade esse negócio de eu querer ser alguma coisa nem é uma ego-satisfaction. É um lance diferente, de querer deixar um legado, de produzir algo que mude vidas, de fazer bem ao coração de alguém. Pretensão, pura pretensão. Será que quem faz arte tem noção de que está confortando, em algum lugar do mundo, o coração de alguém? Será que quem faz da angústia uma arte, sabe que está fazendo companhia a alguém tão ou mais angustiado que si?
Não sei, não sou artista.
Já me conformei em não ser o orgulho de ninguém. Em ser a famosa "Quem?". Sou a menina-sete-e-meio. Nos textos, nas provas, na vida. Nasci sem a célula criativa e o que é genético implica conformismo. Ou cirurgia-plástica. Mas não há plásticas para o cérebro.
Tenho 85 leitores diários. Gente que, por bem ou por mal, volta, pacientemente, para ler as bobagens vazias que eu escrevo. Prezo por meus 85 leitores como se cuidasse de um jardim com três orquídeas. Com carinho e amor.
E, além de ser medíocre, sou piegas. A pieguice me é inata. Talvez os meus 85 leitores gostem do meu jeito cafoninha.
A ambição desta menina sete e meio, não é fazer fama. É fazer textos que conforte corações solitários, que amenize saudades, que bote um sorrizinho no rosto de quem está se sentindo mal.
Pra piorar, sou maniqueísta. Tenho cérebro binário: sim ou não, bom ou ruim, certo ou errado, bem ou mal, bonito ou feio. O extremismo, lhe digo, é um cabresto. Uma praga. Faz enxergar bem menos do que poderíamos.
Uma vez eu li que poetas, músicos, pintores, cineastas, gente que faz arte em geral, divide uma área no céu. Por mérito, acredito que isso exista para eles. Trabalharam pelo bem da humanidade. Quantas vezes eu recorri a Fernando Pessoa ou Syd Barrett para me sentir melhor? Havia uma época na minha vida em que só Velvet Underground pra segurar a barra na segunda-feira de manhã. É incrível dividir sentimentos com gênios. Dividir opiniões. Dividir o gôsto.
Não há de ser boa pessoa quem não se comova com arte; nasceu para coisas ruins, como já disse Shakespeare.
Mas me comovo sendo sete e meio. Não comoverei. Sendo sete e meio a sina é fundo de redação. Minha sina é ser a ovelha negra, a promessa que não certo. Sete e meio é o que "a vida inteira podia ter sido e não foi". Antes tivesse me aparecido um anjo torto e me mandado "ser guache na vida". Acho que eu teria dado mais certo. Um pouco mais certo...
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Kátia 11:34
11.6.04
Ciúme.
Ciúme, ciúme.
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Kátia 00:43
10.6.04
Da série "E o mestre disse..."
I ain't lookin' to compete with you,
Beat or cheat or mistreat you,
Simplify you, classify you,
Deny, defy or crucify you.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.
No, and I ain't lookin' to fight with you,
Frighten you or uptighten you,
Drag you down or drain you down,
Chain you down or bring you down.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.
I ain't lookin' to block you up
Shock or knock or lock you up,
Analyze you, categorize you,
Finalize you or advertise you.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.
I don't want to straight-face you,
Race or chase you, track or trace you,
Or disgrace you or displace you,
Or define you or confine you.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.
I don't want to meet your kin,
Make you spin or do you in,
Or select you or dissect you,
Or inspect you or reject you.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.
I don't want to fake you out,
Take or shake or forsake you out,
I ain't lookin' for you to feel like me,
See like me or be like me.
All I really want to do
Is, baby, be friends with you.
Dylan, seu fudido, como faz tanto tempo que eu não te dou atenção?
Música perfeita, poesia perfeita.
É que está sendo lançado o livro "Dylan's Visions of Sin", de Christopher Ricks, um professor de poesia de Oxford que dissecou a obra "poética" do cara. Esmiuçou as músicas mais populares e as suas preferidas também.
Já sei que é um clássico antes mesmo de ler. :-)
Créditos: Maurício Stycer, que andou fazendo clipping pra mim. (hahaha, brincadeira!)
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Kátia 21:04
9.6.04
O Manual de Jornalismo da Cultura pede que seus redatores escrevam como João Guimarães Rosa ou Carlos Drummond de Andrade. Fácil assim.
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Kátia 13:09
8.6.04
Afaste os móveis e shake your money maker
Conversando com a Noêmia ontem, chegamos a uma conclusão urgente: festa. Como é junho e frio e temático, tem que rolar uma festa junina. Com quentão, paçoca, vinho quente e pipoca. Com bandeirinhas e quadrilha e casamento. Só não vai ter uma fogueira, pois isso poderia causar um probleminha ao prédio, aquela coisa toda.
O apartamento novo é pequeno, mas tem coração de mãe. E vai caber todo mundo. Hoje eu já vou telefonar para Corazza, Savarese e afins para providenciar discos de músicas bregas. E já vou fazer a lista de convidados.
E faz muito tempo que eu não dou uma festa, então vou tentar me basear nas festas que dava em Monte Alto.
Vai ser fudido!
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Kátia 11:15
E meu quéti com dodói em casa...ô, judi!
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Kátia 00:15
7.6.04
Bom, fã de Los Hermanos é isso: Mãozinha pra cima quando a palavra é enfática ou quando a frase é interrogativa. Faz rodinha no chão e fica causando. É tudo meio twee. Vibra com Todo Carnaval Tem Seu Fim. Los Hermanos é isso: abre os shows com O Vencedor desde que lançou o Ventura. Dancinha canalha de Rodrigo Amarante. Cenário Rio de Janeiro no fundo. Sempre deixa A Flor pro bis.
Não vou mais a shows do Los Hermanos. É tudo a mesma coisa. Só que dessa vez nem tocaram Azedume.
O show do Vurla foi melhor. Bem melhor.
***
Final de semana gastronômico. Japa de qualidade na Liberdade. Só não pode ter bagun lá porque a crizi não come peixe cru.
***
Filme de amor, Brasil, 2004.
Conclusão: Kátia, dear, você não consegue ENGOLIR nem caviar, nem Júlio Bressane. Desiste, filha.
Filme chato-ruim-pretensioso do caralho. Pra quem tem menos de quatro neurônios ou ausência de culhões. Retifico: ou para quem tem muito culhão. Um vaisifudê pra crítica que deu quatro estrelas pra esse lixo ou um *jásifudeu* pra petrobras, que patrocinou essa porcaria.
***
O Sixpáque é maior assunto na roda.
O Dago foi a atração do Vurla. Possuído-espírito-Ozzy-from-hell.
Sanduíche old school e batata smile. Dose cavalar de açúcar pro Bruno.
***
Hoje tem celebridade from quarto três aqui em sampa. Cassius chega logo mais, nas cenas do próximo capítulo.
***
Tô com saudade fudida d'A Patota. Fudida.
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Kátia 14:27
4.6.04
*Maquiavélicas*
Faça um plano. Coloque-o em prática. Observe. Espere. Ria. Ria bastante. Aliás, pode gargalhar.
Deu certo? Deu. Ria mais ainda.
Os paspalhos que lêem seu blogue sabem que você mentiu. E fizeram um textinho paspalho sobre o submundo. E depois falam aos quatro ventos que não lêem *verdesfunebrilhos*
haha. Kátia funciona.
Filho, enquanto você tomava mamadeira eu já escutava Heroin. Filho, enquanto você ficava me enfrentando, eu já sabia The Murder Mistery de cor. Filho, enquanto você pagava pau pra uns babacas de terninho eu já sabia para quem Candy Says tinha sido feita. Filho, enquanto você cita Who Loves de Sun, eu já estou escutando material praticamente inacessível de Nico, Lou Reed e John Cale. Filho, não me venha com churumelas agora. Não agora. Chega de molecagem. Enquanto você fica aí bolando picuinhas, eu estou em casa cantando Venus in Furs no chuveiro. Filho, não é porque você tem a MÚSICA Chelsea Girls que você sabe o que é o DISCO Chelsea Girls. Filho, entenda, você ainda tem muito o que aprender para citar essa banda. Filho, calma, você ainda tem a vida inteira pra admitir que isso é a melhor coisa da terra e que você não consegue parar de escutar. Filho, pare de ser burrinho, então, pare de ser tonto. Velvet Underground RULES absoluto.
E Kátia funciona.
Sabe que dá um gostinho fudido ver que você teve que engolir todas as besteiras que disse um dia? E sem vaselina.
Belle and Sebastian diria: "That's the price you have to pay
For every stupid thing you say"
.
Só falta começar a citar os escoceses agora. Seria minha glória. Meu orgasmo. Minha gratificação.
hahaha. Vá roga bingo, véio!
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Kátia 21:27
Falta de ar, palpitação, tremedeiras, febre, enjôo, cólicas intestinais fortíssimas:
We are making major infrastructure
changes right now.
We will be down until
Saturday, June 5th.
We apologize for the inconvenience.
stay beautiful
orkut.com team
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Kátia 19:21
Naqueles remotos dias de maio, no Atari Club.
(Daí eu vi essa foto e comecei a rir descontroladamente!)
Michael, Du, Ká e Bruno
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Kátia 16:42
Show do Vurla.
Show do Vurla, la la la.
Show do Vurla, êêêê!
Show do Vurla, Michael, show do Vurla, cara!
Mas não conta pra ninguém porque é surpresa.
Show do Vurla no sábado, no Bazar de Dia dos namorados do Batidão (R: Aspicuelta, 321 - Vila Madá).
E de grátis ainda.
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Kátia 14:51
TOP - 3 - BANDAS QUE EU MAIS AMO NO UNIVERSO!
1ª Beatles! (A melhor coisa do universo!) - Absoluta, absoluta!
2ª The Clash
3ª Bob Dylan (Escuto tanto que me dá vertigens!)
Não consigo. White Album, Revolver e Sgt. Peppers estão fodendo com o laser do meu aparelho de som.
Estou lendo o Anthology. Afundei.
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Kátia 14:24
Tô mudeeerna hoje:
Camisetinha do Maher Shalal Hash Baz.
Almoço grátis.
Botei Pessoas do Século Passado (projeto do Dodô) pra rolar no computador do chefe. Sucesso.
Sonhei que estava fazendo tricô. Quero minhas agulhas cor-de-rosa já! Quem quiser cachecóis, peça! Pediram pra eu tomar cuidado para não virar AMÉLIA. Mas Amélia é que era mulher de verdade...
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Kátia 13:40
3.6.04
Um chute e um beijo
"O Estado deve dirigir a educação do povo (...) visando a formação de corpos sadios. Em segundo plano é que vem a educação intelectual".
Adolph Hitler, in Minha Luta.
Na verdade quase todas as frases desse livro são pérolas desse náipe.
Aliás, qual era o náipe desse cara, não?!
***
"Minha úlcera lambe leite como uma gata".
Nelson Rodrigues, in A Cabra Vadia.
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Kátia 16:07
Cinemon...
"O Retorno" entrou em cartaz. Um dos filmes mais bonitos que eu vi no ano passado.
Tô te falando, bicho, você precisa assistir. É muito bonito.
Lembro bem, penúltimo dia de Mostra, Espaço Unibanco lotado, quatro ou cinco cabeças junto comigo e mais umas 50 atrapalhando a minha visão. Final de filme, luzes acesas, Lígia-cantinho-do-olho-molhado. É tão bonito que a gente chorou.
Assista quem puder. Tô falando, tô falando...
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Kátia 11:45
2.6.04
[Saiba mais]
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Kátia 11:57
"Quem rezar por mim, que o faça sambando".
Antônio CANDEIA Filho.
Quem nasce bamba não tem outra alternativa senão sambar.
P.S.: A música Preciso Me Encontrar não é do Cartola, como muitos acreditam. É composição de Candeia. Só foi lançada em disco póstumo.)
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Kátia 11:48
There she goes again
She's out on the streets again...
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Kátia 11:34
1.6.04
Mas em compensação eu comprei uma *cobra azul com língua vermelha* pra segurar a minha porta.
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Kátia 16:07
Também quero!
  
Culpa da crizi e do sixpáque.
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Kátia 15:31
Era uma vez, Francisco...
Francisco é nome de santo, o mais humilde dos seres que já li a biografia.
Francisco é uma pessoa incrível. Ele vale a pena.
Hoje me peguei pensando nas pessoas que valem a pena respondendo e-mail de um dos meus melhores amigos da vida inteira, um melhor amigo que completou 16 anos de cumplicidade esses dias. Daniel é fudido.
Chiquinho vale por tudo. Pelo humor, pela inteligência, pela humildade, pela cumplicidade, pelo sorriso, pelas palavras, pelas camisas de listras, pelo estilo, pela fidelidade, pela cabeça inquieta e incontrolável, pelos livros que lê, pela sinceridade, pela maneira que se porta, pelo caráter, pela ética, pela amizade, por tudo. Chiquinho é tudo isso e mais um pouco que não consigo me lembrar. Chico, assim como eu, não suporta arrogância.
Chiquinho agora é meu amigo. A gente ri só de se olhar. Porque a gente curte mesmo é uma palhaçada.
Podemos analisar as pessoas pelos discos que elas escutam ou pelos livros que elas lêem. Comecei a me aproximar do Chico enquanto ele lia Saramago. Quem se atreve a resumir Saramago pra colega de sala? Na verdade tudo começou em um dia bêbado, quando contei a minha vida todinha pra ele, como só os bons bêbados sabem fazer. Chiquinho é reto em suas atitudes e eu sou uma bêbada mesmo em estado de sobriedade completa. Como isso poderia não dar certo? "O Bêbado e o Equilibrista".
E desde que ele me mandou ler Nelson Rodrigues, confio plenamente nesse menino.
Assim como confio em quem gosta de Velvet Underground, ou Byrds, ou Big Star.
É uma lei muito peculiar a minha pessoa, confio no gosto alheio por causa da primeira impressão.
Gostar de quem tem sentimento pela arte, seja qual das sete for.
Os olhos de Chiquinho brilhavam enquanto ele descrevia Saramago.
Como não confiar em gente que tem em si toda a paixão e ternura pelo mundo?
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Kátia 11:41
"Tenho um amigo que só pensa em biquini. Nos pesadelos, os umbigos o atropelam."
Nelson Rodrigues, in A Cabra Vadia.
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Kátia 10:34
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