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30.7.04
E você, já se sentiu chateado hoje?
Muitas coisas têm me chateado nas últimas semanas.
Como que tantos sentimentos bons se tornam amargura infinita?
Vontade de chutar a bunda do mundo, meter o pé em tudo, ir embora dessa merda. De vida.
Chegou no limite, mas tudo pode piorar. Sou a otimista mais pessimista do universo.
Aliás, em dias assim penso em uma parede de Polyannas e em tiro ao alvo. Penso que em foder todas as Polyannas do mundo.
A patricinha sai bicudinha da festa. "Sou estressada mesmo, e daí?", ela disse, com aquele orgulho típico de quem acha rebeldia uma coisa muito bonita. "Vai, imbecil, tá precisando de um tanque de roupa suja, isso sim!" Dezessete anos, corpinho de miss, cabelo lisinho, roupinha nova e nada na cabeça. "Tu não sabe o que é problema, pirralha!" Dei uma causada com a menina. Queria mesmo era arrumar uma briga. Mas nem responder a garota conseguiu. Deu uma engasgada homérica expondo sua ignorância infantil.
Pobreza de espírito me irrita. Ah, como me irrita. Filas de banco me chateiam, supermercados lotados me chateiam, malandragem no trânsito me chateia, mas pobreza de espírito é diferente. Mas dá vontade de arrancar os cabelos, de dar umas bicudas, de dar uns tapas na cara da pessoa pra ver se ela acorda pra vida.
Pobreza de espírito é diferente de ignorância e de burrice. Veja bem. Gosto dos ignorantes. Principalmente os humildes. Ninguém é de todo ignorante, nós é que somos elitistas e tachamos "ignorantes", "cultos", essa bobagem toda. Já leu Paulo Freire?
Todo mundo sabe alguma coisa, mas cada um de algo diferente. O cara pode não saber ler, pode nem imaginar quem é Beethoven e que ele é o autor daquela música do caminhão de gás (pobre Elise, que chateia meus ouvidos!) ou como se resolve uma derivada, mas o cara sabe, melhor do que todos nós, os "cultos", a plantar e a colher. Talvez saiba outra coisa, sei lá, talvez fabrique tijolos como ninguém, ou teça tapetes bonitos etc. A gente é muito etnocêntrico, isso sim. Umbigueiro, egoísta, elitista.
Mas é sobre pobreza de espírito que falava. Como me dói ver gente que poderia ter mais informação, mais "bagagem" (como dizia a tia no colegial) e ser tão alheio, tão perdido no mundo...ser tão pobre de espírito a ponto de não saber do que se trata e, ainda assim, dizer "não gosto" ou "é chato"...
Vejo meu irmão, por exemplo. Um ignorante clássico. Coloquei Asa Chang & Junray no computador e, meio minuto depois, ele disse: "não gosto disso! É ruim!"
Como você não gosta disso, feto acéfalo?
O cara nunca escutou e não tem o menor parâmetro para criticar. Tudo bem quanto ao "não gostar", mas dizer que é ruim, bom, é demais.
Pobreza de espírito é isso. É estar com um cabresto e não fazer questão de tirar. É viver num mundinho hermético e vazio e achar que está bom. Não é nem se conformar, é não ter sapiência do próprio conformismo. Todo pobre de espírito é ignorante. Mas nem todo ignorante é pobre de espírito, veja bem. Tá, tá, conheço uns pobres de espírito que não são ignorantes. Os pobres de espírito que são cultos, são, invariavelmente, arrogantes. Insuportavelmente arrogantes. São patéticos, o que causam em mim, além de raiva, uma certa pena. Poderiam ser gente muito legal de se conversar e de se conviver.
Mas é isso. Chateada com toda essa merda. Chateada com os imbecis do mundo.
Se piorar, melhora, eu acho.
"Meões do nada, desaparecei-me" é a frase mais certa neste momento. Só queria desaparecer.
E eu nem preciso de um tanque de roupa suja. Um emprego me basta.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 2:11 AM
29.7.04
Dos adendos da vida.
É sobre confiança.
Sempre estimei cumplicidade e fidelidade acima de tudo. Nunca me importei com muitas coisas, o que me bastou, até hoje, foi fidelidade. A pessoa pode não concordar com algumas coisas que você faz, fala ou escreve, mas está ali pra te dar uma força.
Sempre me achei muito fiel e cúmplice, mas passei por uma prova fudida no ano passado. Fui infiel e passei por maus dias pensando em palavras de significado amplo e vago como honestidade e idoneidade. Até então fidelidade significava, tão somente, não trair, mas isso se tornou tão adolescente e frívolo, que desisti de enxergar antônimos e passei a tentar entender o leque de possibilidades e abrangências que se abre.
Você só sabe o que é fidelidade se já traiu ou foi traído. Experiências limpam as portas da percepção e, por mais que isso pareça hippie, as abre. E traição não é somente o que enxerga o senso comum: beijar outra pessoa, revelar um segredo, falar mal pelas costas. Incompreensão é traição, ingratidão é traição, desrespeito é traição, críticas ofensivas e vazias são traições, não ser cúmplice é traição, omissão é traição, desinteresse é traição.
Ninguém falou que você precisa ser politicamente correto para ser fiel. Fidelidade é mais do que não ficar com outra pessoa, é não PRECISAR de outra pessoa. Porque fidelidade não se contrata, se CONQUISTA.
Depois de tempos pensando na minha desonestidade e traição, cheguei a uma conclusão binária: há os canalhas e há os desorientados. Os canalhas traem porque não se apegam a nada e os desorientados traem porque procuram um rumo. Já disse e repito: o coração humano precisa ter sentimentos a orientá-lo. Posso falar melhor dos desorientados porque fui um deles. Já sobre os pulhas, posso dizer que eles não sabem (e nem querem saber) o que é culpa. Traem porque são despudorados e amorais. Os desorientados, não. Pesam-lhes toda a sorte de dores e arrependimentos, estes, verdadeiros e profundos e desprovidos de lucidez. Um desorientado é um embriagado de amor e vontade de viver e é somente isto. Não é alguém a ser recebido com quatro pedras na mão.
É um ser que é traído diariamente pela incompreensão e desrespeito e falta de cumplicidade.
E cri que uma vez infiel, sempre infiel. Mas o desorientado infiel, quando encontra segurança, complacência, respeito, reciprocidade e afeto, deixa de se basear na mentira e passa a compartilhar da honestidade. Sua fidelidade foi conquistada. E não há o que desnorteie um homem de convicções lúcidas e leais. Não há. Um homem convicto é, antes de tudo, um bravo. Um obstinado. Um lutador.
Nasce, em relacionamento qualquer que seja, num primeiro instante, um contrato mudo e selado que preza pela cumplicidade, honestidade e fidelidade. É um pacto e não é sobre leis de boa vizinhança e suportabilidade que se baseiam, mas sim no prazer e na naturalidade de ser fiel. Há amigos a amores que hão de se manter fieis naturalmente e talvez seu cérebro nem se dê conta disso.
Você já pensou a quantas coisas você é fiel? A quantos discos, livros e amigos você se curva e é humilde e complacente? A quem pode te ligar às 3:00 da manhã e você não vai se chatear? A quem te apóia mesmo sabendo que você vai quebrar a cara, mas te dá o braço depois? A quem você pode chorar? A quem você pode brigar e pedir desculpas e ser compreendido?
Fidelidade é muito mais do que não beijar outra boca ou revelar um segredo. É ser afável e cúmplice, é ser irmão, é oferecer tudo o que o outro precisar, é casamento, é "brotheragem", é estar na festa ou no hospital, no barraco ou na mansão, é estar ali para o que for necessário, saca?
Não é sobre criar laços, somente, é sobre ser fiel a eles. Não é sobre consertar o mundo, é sobre fazer a manutenção das relações.
É sobre descobrir em si O QUE TE FAZ FIEL. Sobre o que te faz ter fé em alguém/algo e não querer perder de jeito nenhum.
E sobre ser fiel a alguém e, ainda assim, não ter de perder a fidelidade a si mesmo.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 2:30 AM
28.7.04
Não, não, tô viva.
Mais tarde tem texto novo.
***
Desconfio que a mocinha que assina "tenho vergonha", é uma garota muito doce de Monte Alto. Pode assinar seu próprio nome, fofinha.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:49 AM
23.7.04
Das cartas chilenas...
Prezadíssimo Fábio,
Desculpe-me a demora a responder seus e-mails de preocupação, carinho e poesia.
Eles são essenciais para mim e para minha inspiração.
Estou passando por dias ruins e perturbados. O que faz fracassar o meu lado escritora: já não faço um bom texto há dias.
Não quero ser jornalista, tão pouco escritora, quero ser algo prático. A teoria cansou-me como uma maratona de 100 km na chuva.
Quero trabalhar com as mãos, mas não com papéis, computadores e telefones. Quero trabalhar com pessoas e sentimentos, quero contruir coisas. Queria ser um misto de engenheira-publicitária-médica-professora primária. Seria, de fato, uma workaholic, e com prazer, prazer imenso de produzir coisas, de colocar vida em tudo, até em seres inanimados.
Queria que a minha vida se transformasse em algo como o filme "Fantasia" de Walt Disney, quero cadeiras conversando comigo, quero vassouras dançando ao meu lado. Queria uma vida, essencialmente, extraordinária e fabulosa, como Alice no País das Maravilhas.
Alice se passa em um único dia: 4 de maio, data de meu aniversário de nascimento. Não há como comemorar um "desaniversário" com o Chapeleiro Maluco porque é a estória bem no dia do meu aniversário.
Werther, de Goethe, também começa em um dia 4 de maio. E quão trágico é o final da vida melancólica e entediada de Werther.
Não quero ser Werther, quero ser Alice, já disse.
Minha vida está lamuriosa e triste: eu sou um fracasso. Tenho passado minhas horas em graves desesperos regados a sentimentos de culpa e fracasso. Sou uma perdedora mesmo não querendo sê-lo. Olho para o teto e penso em tudo o que eu não fiz e não vou conseguir fazer: não há dinheiro que compre ou que coloque em prática minhas idéias.
Gente burra como eu deveria ter menos criatividade e menos desejos e sonhos coloridos e alegres, menos conquistadores e revolucionários.
Não sou de total perda: ainda sonho. Mas meus sonhos andam tão doloridos e agoniados que era melhor nem tê-los sonhado.
Dizia que só queria uma vida medíocre e confortável e me enganei: quero uma existência excêntrica e caótica. Quero ser rotulada, apontada, odiada e respeitada. Não tenho medo.
O que me mete em medo severo é o fracasso, é terminar a vida sem ter produzido um diferencial sequer.
Todo esse tempo me enganei sobre mim mesma: achava que queria ser tanta coisa que hoje não quero ser.
Não quero ser jornalista. O jornalismo é uma profissão ingrata e de merda, onde nem tudo está no lugar certo. Aliás, tem muita coisa no lugar errado. A começar pelo curso, que te ensina, somente, a odiar o jornalismo. Jornalistas são, em 80% dos casos, pessoas execráveis e escrotas, arrogantes e imbecis. Não quero trabalhar com jornalistas, quero trabalhar com seres humanos.
Não quero fazer textos, quero salvar vidas.
Nasci burra e sonhadora, uma combinação bombástica e deprimente.
Não consigo colocar um mísero plano em prática, não consigo me ajustar a nada, vivo nutrida de insatisfação e injúria.
Não escrevo bem, sou uma negação densamente ofensiva à língua portuguêsa e sua complexa gramática. E mais ofensiva, ainda que contrariando Antônio Cândido, à nossa vasta casta de bons escritores.
Cheguei a uma conclusão agora há pouco, há uns 20 minutos: sou Macabéa. Não sou Clarice Lispector, sou Macabéa. Nasci querendo ser estrela e tudo o que conseguirei é ser atropelada por uma Limousine e vomitar uma estrela de mil pontas.
Sou a combinação extrema de tudo o que um ser humano deve ter em baixas doses, ou em doses únicas para si: sonhadora, pretensiosa, rebelde, injuriada, melancólica, ignorante e densamente dispersa. Sou incapaz de concluir um único pensamento. Meu cérebro borbulha, segundo um professor, e eu não dou conta de controlá-lo. São pensamentos selvagens e brutos, sem entalhes, precisando de muitas correções e referências.
Tenho medo. Não quero ser um fracasso como tenho sido. Não quero fazer coisas horrendas e chatas, ou antiéticas e desonestas para ganhar o pão no fim do mês. Quero trabalhar honestamente e fazer o que eu gosto. Dinheiro não é nada quando se tem prazer no que se faz.
E onde eu poderia ter gosto, não vão me contratar. Sou medíocre, talvez até menos do que quem ocupa meu lugar, mas sou uma "ovelha bege", uma pessoa que não se destaca por coisa alguma.
Sou nada. Sou esta estrofe de Fernado Pessoa: "Não sou nada./Nunca serei nada./A parte disso, tenho um mim todos os sonhos do mundo."
Sou sonho sem prática e teorias sem prática de nada valem. Nem chegam a existir, a não ser metafisicamente. E pro diabo com a metafísica. Grande bosta a metafísica.
Estou desempregada. O problema não é o desemprego e o trauma psicológico que isto causa, mas o medo de entrar em outro trabalho ruim e humilhante, trabalho que esmague meus sonhos e projetos e que me transforme numa máquina de produzir resultados medíocres.
Não quero produzir resultados, quero construir coisas novas.
Bem, acho que falei demais.
E sobre isso tudo que eu falei, nunca passa. É sentimento constante e que se agrava com as rasteiras do destino.
Sou um fracasso e não há como mudar isso. Infelizmente.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 2:30 PM
20.7.04
My Wandering Days Are Over
You know my wandering days are over
Does that mean that I'm getting boring?
You tell me
I'm tired of listening to myself now
I'm tired of fixing things for Michael and the rest of them
You know my bip-bopping days are over
I hung my boots up and then retired from the disco floor
Now the centre of my so called being is
The space between your bed and wardrobe with the louvre doors
I said "My celibate days are over"
You put me straight on the finer points of my speech rehearsed
In the mirror of my steamy bathroom
Where the lino tells a sorry story in a monologue
Six months on, the winter's gone
The disenchanted pony
Left the town with the circus boy
The circus boy got lonely
It's summer, and it's sister song's
Been written for the lonely
The circus boy is feeling melancholy
It's got to be fate that's doing it
A spooky witch in a sexy dress has been bugging me
With the story of the way it should be
With the story of Sebastian and Belle the singer
I said "My one man band is over"
I hit the drum for the final time and I walked away
I saw you in Japanese restaurant
You were doing it for business men on the piano, Belle
You said it was a living Hell
You said that it was Hell
.
Talvez seja por isso que eu goste tanto de Belle and Sebastian.
Eles sempre falam o que eu estou sentindo.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 8:35 PM
Deus me tira daqui, por favor, me tira daqui...
Me bota num chiqueiro e enche meus pés de olhos de peixe, me bota num inferno de 40º C e me faça carpinar 50 alqueires por dia, me faça varrer a Avenida Paulista com vassoura de piaçava toda manhã, mas não me deixe levantar da cama amanhã e ter que me dirigir até aqui...por favor, por favor...imploro...
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:34 PM
É sobre amar.
Eu não sabia o que era.
Eu achava que sabia, achava que amava aquele, ou este outro, mas eu simplesmente achava.
Porque o amor é uma coisa incrível e transcendental, que pouca gente tem. Pouca gente sabe o que é amor de verdade.
Eles acham que amam, mas não passam de seres egoístas pensando na próxima briga.
Eu achava que amava, mas tudo não passava de uma brincadeira, como carnaval, que acaba e fica aquela serpentina e confete pelo chão e arlequins chorando pelo amor de suas colombinas no meio de uma multidão que não se importa com a sua dor.
Eu era um arlequim, boba como um arlequim, apaixonada como um arlequim. Pintada como um arlequim. Colombinas traiçoeiras, egoístas e malvadas deixavam-me afundada em uma tristeza inconsolável e eu estava sempre pronta para outro carnaval.
Mas daí a máscara caiu. A minha. E parei de procurar carnavais pelas ruas e sentei na Praça da Apoteose. Tenho carnaval todo dia. É amor.
Tenho um amor que não me deixa esmorecer por mal algum. Um amor que é um alento no meio do caos. Amor que eu não duvido que faça qualquer coisa pra me deixar feliz. Não duvido e nem peço que faça, acho que provas de amor são ridículas. Tenho raiva de provas de amor, porque ter que se legitimar, cansa. "O menos é mais".
Eu era um arlequim doutorado em legitimações. Mas arlequins são frágeis e desfalecem em cachos como serpentinas. Derretem, vão com o vento.
Agora, pouca coisa basta. Basta que ele me olhe e eu sei que está tudo bem.
Basta que ele me aperte no peito dele e eu sei que as coisas vão dar certo.
E só pode ser amor, porque eu já imagino os nossos filhos de nariz perfeito e cabelos cacheados correndo pela casa descalços e falando muito rápido, todos espertos e com os dentinhos de leite tortos, porque criança só é criança se tiver o dente torto. E porque a gente usou séculos de aparelho ortodôntico pra ter esses dentes que parecem dentadura.
E não há mais carnaval. Há festa todo dia.
E posso acordar com vontade de morrer porque esse emprego novo é chato à beça, mas a noite tudo passa. Tudo passa com a voz, só isso.
A vida fica simples quando há amor. Não quero grandes complicações, não quero conflitos, não quero escrever livros, nada. Só quero te amar.
Quero trocar fraldas, dar umas aulas, dividir cama, chuveiro e chocolate. Quero dividir sentimentos e deitar no seu colo e ganhar cafuné. Só isso.
Pra ser feliz, me basta uma coisa: você. Você todo dia, você lindo, você sorrindo, você forte, você dançando. Você que eu amo e você me amando. Obrigada por existir, Du. Obrigada pelo amor e pela força que você me dá. Obrigada pela paciência e, por fim, pelo amor.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:48 PM
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê
Vai si fudê.
É tipo um mantra, saca?
Tô aqui repetindo incessantemente na minha cabeça antes de perder o controle, levantar da cadeira e chutar a cabeça desse infeliz que acha que é meu chefe.
E que resolveu ligar o computador da mesa ao lado e sentar aqui.
E fica balançando a bunda que nem uma gata no cio.
Ele tem mesmo uma cara de quem curte atracar em pés de mesa e almofadas.
Afff, preciso de um emprego novo, senão vou ter uma úlcera.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:07 PM
19.7.04
Pô, eu adoro o blogue do Ronaldo!
Murmure:
Katie Kill licked you at: 7:18 PM
Você quer mesmo saber?
Tem certeza?
Não, porque se não estiver afim mesmo de saber, dê meia volta e feche seu brownser. Esqueça.
Não prolongue seu esforço para saber como eu estou.
Afinal, você não é psicólogo nem nada. Afinal, o que vai mudar eu te falar ou você ler o monte de bobagens que eu escrever?
Não adianta. Não vai mudar sua vida. Esse texto não vai melhorar seu dia. Não acrescenta. Não nada.
Angustia. Clara e pronta. Nasci suicida. Penso muito sobre me matar. Não que eu vá executar, de maneira alguma. Nem pense nisso, velório, café e alça de caixão. Já pensou. Não me mataria. Não que eu farei falta a mais de quatro pessoas; aliás, você deve ser uma destas quatro, pois está lendo este texto. Como Brás Cubas terei 11 pessoas aos pés do meu túmulo, destes, quatro serão pessoas que me amam ou amaram de verdade, quatro serão interesseiros e três serão cobradores chorando minhas dívidas.
Dívidas estas que nem fui eu quem fiz. Antes tivessem nascido de compras fúteis, divertidas e caras, coisa que eu nunca fiz mas adoraria: gastar vinte e cinco mil reais em bobagens excêntricas como sapatos de mangá de 400 reais, calças Gangue ou Diesel de 400 reais, casacos Zara de 1.600 reais ou uns discos importados de 150 reais; bom, pouco importa, gastaria 25.000 reais com uma facilidade inacreditável. Mas nem foi nisso que gastaram. Foi em coisas que desapareceram.
Bom, não é sobre isso que eu gostaria de falar. É sobre karma. Você não acredita em karma, mas eu acredito. Você pode não acreditar em Deus, mas eu acredito.
E acredito no inferno que a vida pode ser tornar em tão pouco tempo.
Eu não escolhi ter meu pai como pai, certo?
Eu odeio meu pai. Odeio com um ódio que eu não desejo pro coração de ninguém.
Odeio desde sempre, desde que desenvolvi um pouquinho de espírito crítico dentro de mim. Faz uns dez anos que eu odeio meu pai. Mas há um pacto: ele paga as contas e eu calo a boca.
O dinheiro e o silêncio. A chantagem e a raiva homicida. A baba elástica e viscosa que, imaginariamente, cai da minha boca espumando de nervoso por cada milimétrica besteira que ele faz.
Raiva homicida. Há horas que a minha vontade é de pular no pescoço dele e chutar a cabeça até ver sair sangue pelo ouvido, pelo nariz e pela boca.
Sou uma pessoa com tanto ódio dentro de mim que espero, pacientemente, por uma úlcera ou por um câncer, resposta do organismo.
O câncer da minha mãe? José Antônio. Os sete cânceres da minha mãe? José Antônio. Não há cristão no universo que mereça meu pai. Ninguém merece meu pai. É tipo você escolher casar com um ogro estúpido com cerca de três neurônios e quatro pares de mãos prontas pra te detonar financeira e psicologicamente.
Não há solução.
Rezo para que ele arrume um emprego lá nos canfundós do nordeste e volte só umas duas vezes por ano pra casa. Rezo pra ele desaparecer. Às vezes rezo pra ele morrer. Rezo com a raiva e com a revolta de tudo o que deu errado e quem tá pagando sou eu. Rezo porque não entendo porque Deus bota gente tão filha duma puta na nossa vida.
Mas foi bom. Só convivendo com gente do naipe dele que a gente aprende a ser honesto, sincero e legal. Porque dá tanta raiva viver escutando as mentiras dele, vendo as canalhices que ele apronta e aguentando a burrice dele que a gente aprende a ser melhor.
Ah, se aprende.
Mas isso é parte-causa de uma esfera muito maior, coisa que não dá pra falar porque eu tenho até vergonha de falar o que se passa. Vergonha eu tenho muita, mas nenhuma que se compare a essa.
Foi culpa da minha mãe também, mas ela não está aqui pra se defender, então não posso acusá-la. Cada um tem os seus motivos.
Então, rezo com a fé cega e burra e estou prestes a me flagelar pelo desvinculo com esse bosta. Meu pai é um bosta, saca? Antes fosse só um bosta loser, mas não. É um bosta que contamina tudo o que está perto dele. Bem, rezo pra ele sumir da minha vida. Sumir. Pra eu trabalhar em qualquer merda que seja, até essa porcaria angustiante de assessoria que eu me enfiei, pra eu me sustentar. Pra eu não ter que aguentar chantagem, burrice e indolência.
Porque quem casou com ele foi minha mãe, não eu. E antes tivesse sido eu, assim eu poderia pedir desquite.
Inferno.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:56 PM
Que tal enfiar no cu?
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:00 AM
16.7.04
Garoto de Ipanema
O Dú é a coisa mais linda
mais cheia de graça,
é ele o menino que vem e que passa
num doce balanço a caminho do mar...
Ah, se ele soubesse que quando ele passa,
o mundo inteirinho se enche de graça
e fica mais lindo por causa do amor...
***
Acabei de compor essa música. Até que ficou boa, né? Demorei umas duas horas pra escrever, sentei no calçadão, tomei um uísque on the rocks e ela saiu naturalmente enquanto eu pensava no meu menino.
Opa!
Acabei de compor outra música:
Meu Menino
Ele é o meu menino...
Eu sou a menina dele...
Ele é o meu amor...
E eu sou o amor todinha dele.
***
Nossa, eu tô um gênio hoje!!!
Tô muito compositora.
hahahaha.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:56 PM
Mundo bastardo: meu peito dói.
Merd.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:04 AM
15.7.04
Neologismo
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, a verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.
Manuel Bandeira.
***
A angústia do dia inteiro. Descobri que só são felizes os que fazem o que gostam.
Sobre gostar, talvez tenha falado pouco. Meus dias se baseiam em sonhos de casamento.
Sobre chegar em casa, deitar a cabeça no seu ombro, me consolar dessa tristeza que acorda e dorme comigo.
"Não adianta dormir que a dor não passa", repete Chico Buarque incessante na minha mente.
Acordo com o peito nu e desesperado por vida.
Tinha me esquecido o que eram lamúrias e indelicadezas. Queixosa e tristonha.
Mas tenho teu colo. Não todos os dias. Mas penso em casamento. Penso em festas. Penso em viagens. Penso em muitas coisas boas, passo ligações e textos a sonhar.
Não quero ficar nem ir. Should I stay or should I go?
Como viver assim, infeliz?
Como acordar com vontade de morrer?
Como levantar e ter que desviar o pensamento pra conseguir sair de casa?
A vida me fez dramática.
Lamuriosa, lírica, nostálgica, soturna, medonha.
Num dia remoto eu acendi um cigarro e pensei: sou poeta. Como se tivesse concluído algo simples e vadio.
Mas sou poeta, que é um fingidor e "finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente".
Finjo que sou poeta. Lirismo fajuto e minguado.
Não é difícil fingir ser um poeta. Difícil é enganar alguém.
Posso fingir tantas coisas e, dentre tantas, fiquei com um fingimento simples: sou poeta. Ninguém pode me acreditar, mas sou poeta no meu mundo.
Podia fingir ser John Lennon e ficar deitada nua em uma cama, abraçada a uma oriental horrenda, cantando Power to the People.
Mas iam me tachar de louca, de alucinada, de desvairada.
Sendo poeta, ninguém me sabe: uso umas vestimentas de gente normal, assovio umas musiquinhas da Plastic Ono Band pra fingir ser fã e ninguém me aponta na rua falando: esta daí, cadela louca, pensa que é poeta. Ninguém me sabe, oras.
E tenho uns quatro ou cinco poemas publicáveis no minha nada notória carreira de escritora e não publico: leio baixinho e de língua enrolada para quem não vá rir das minhas bobagens sentimentais. Basta não rir, não precisa gostar. Basta que não me zombe o lirismo e a cafonice. Basta que me jogue os olhos de serpente que falam por si: não gostei.
Não ria de mim; sou poeta, não palhaça. Escolhi ser poeta justamente por isso: para não zombarem do ofício que eu desenvolvo escondida no meu quarto.
E não escrevo poesias. Nenhuma, desde 2002.
Poetas precisam de musas (musos?) e inspiração. Passei dois anos sem inspiração ou transpiração, a vida esmagou a porção poeta que vivia aqui dentro.
Então descobri que poeta não é só quem escreve: é quem enxerga a poesia. Fotógrafos, pintores, cineastas, escultores, músicos, oras, são todos poetas. É quem tem o coração aberto para enxergar a arte poética, seja ela na forma que for.
Enfim, o meu amor é poesia.
É arte poética na forma que tiver que vir: amor. Em música, verso e prosa: amor.
E se tenho essa tristeza tamanha, que também é poética, me dói menos quando penso na sua voz: amor.
O amor cuida, o amor preenche o coração selvagem e seus buracos e devaneios: amor.
A amor me faz acordar e me faz viver mesmo com a alma triste e condensada e confusa.
O amor, o samba e a pena.
Tenho que parar de encher o saco do leitor com tanta reclamação.
Volto quando me recuperar.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:51 AM
14.7.04
Dez minutos. Daqui dez minutos você vai caber na sua poltrona e vai dormindo por toda a Dr. Arnaldo. Sonhando com a parte boa da vida.
Por que eu fui acreditar naquela psicóloga que falou que eu deveria ser jornalista?
Não! Não! Eu deveria ter sido médica. Eles todos erraram. Eu errei.
Deveria estar por aí, salvando umas vidas, pegando uns filhotes no colo, limpando placenta, fechando cortes, medindo febre, escutando o pulmão, pedindo uns exames, apalpando, conversando...
Eu queria ser o Lester Bangs, não deu certo.
Eu queria ser o Patch Adams, não deu certo.
Eu queria ser o Che Guevara, não deu certo.
Eu queria ser qualquer dos ícones clichê do universo, tanto faz ser Andy Warhol ou Jack Kerouac, eu só queria ser cool e me divertir com as coisas que eu faço.
Eu queria ser professora de literatura num colégio qualquer do mundo, também não deu certo.
Eu só queria uma vida medíocre e confortável, um trabalho divertido e umas ruas sem trânsito e umas pessoas que te sorriem quando você chega e discos novos todo mês e uns livros de capa dura e cheiro de folhas virgens, e algumas películas, umas duas por semana.
Só isso.
Será que é difícil de encontrar?
Será que ainda está muito longe?
Cinco horas.
Tchau, saco.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 4:58 PM
"Acho que gostaria de ser como você!"
Tanta gente legal no mundo e você quer ser como eu?
Oras, não se fade ao fracasso.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:42 AM
13.7.04
shhh.
quero morrer. agora.
silêncio. morrer agora.
agora de coração apertado. morrer como quem dorme.
morrer.
shhh.
morrer porque não vou aguentar. quero morrer.
já sei.
não, não.
basta morrer.
shhh.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:57 PM
Agora meu nome tá lá no banco de doadores de medula óssea.
É tão fácil: tiram dois tubinhos de sangue do seu braço, você preenche uma ficha e vai embora. Pronto.
Daí se a sua medula for compatível com a medula de alguém que precise, eles te chamam, fazem exames mais profundos no seu sangue e no seu estado de saúde e, por fim, depois de uns dois dias, retiram sua medula com anestesia e tudo e te mandam embora como se nada tivesse acontecido.
O absurdo é que no Brasil (inteiro!) só exista 50.000 doadores de medula óssea. Se é tão facinho, porque as pessoas não o fazem?
***
Serviço:
Banco de sangue da Santa Casa/Hospital Santa Isabel:
R: Marquês de Itu, 567.
Santa Cecília.
É só chegar e falar que você quer ser doador de medula.
Ah, e vê se não faz que nem eu que fiquei dando volta no hospital: é fora dele, do outro lado da rua.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:11 AM
Clima de velório, silêncio ensurdecedor, tec-tec-tec, teclado complicado, medo.
O que eu vim fazer aqui?
Quero só a fortuna do salário no final do mês.
Eu quero a minha mãe.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 10:55 AM
Não, não, não era sobre o Du que eu tava falando no outro post.
Eduardo nunca me tratou mal. Nunca me chateou (fora duas crises de ciúme - uma eu tive vontade de jogar minha bolsinha na cara da menina ruiva que ficava olhando pra ele!). Nunca falou bobagem alguma. Acho que o Du não fala nem palavrão.
O Du é santo. A gente nunca brigou.
Crizi, causadora fudida, protagonizou uma cena que deve ter sido muito engraçada: deu uma bronca no Du e tudo.
Crizi, o Du é santo. hahaha.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 10:52 AM
12.7.04
Uma frase
A menina acordou contente e com vontade de gritar pro mundo inteiro ouvir: fora, carvão.
Sai, carvão; sai, zica; sai, olho gordo.
Dedos congelados, duros, difícil de digitar qualquer coisa.
É a última vez que falo desta nave.
Fases. É vida é mais ou menos um video-game e eu passei de fase três vezes esse ano. Só este ano.
Uma frase. Como uma frase pode deixar o coração, tão de repente, magoado e triste por dias a fio.
Minha mãe falava e eu não acreditava: existem muitas maneiras de se falar a mesma coisa.
Muitas, todas diferentes, sutilmente ou abismalmente diferentes.
Há muitas maneiras de se falar "não". Sabia que "nãos" machucavam as pessoas, mas não sabia que mal dado, um "não" fura o estômago com a intensidade dolorida de uma úlcera.
Reparei que machuco pessoas, mas sem intenção.
Eu sei que o que ele fez foi sem intenção, mas foi arrogante e depreciativo. Desde quarta-feira com o mesmo rancor, sentimento este que não costumo carregar por mais de duas horas.
Troquei seis por meia dúzia.
Você pode falar "não, me desculpe", ou "não, você não gostaria de fazer isso depois?" ou "nem fudendo, vaza". E outras 700 maneiras de dizer "não, agora, não".
E um "nem fudendo, vaza", seguido de outras duas ou três bobagens que pegam no fígado, me deixaram assim, melancólica, revoltada, braba, magoada e com vontade mesmo é de dizer um punhado de verdades e ir embora sem dar nem tchau.
Saí de casa com o coração carregadinho. A gente espera muitas coisas de muitas pessoas, mas nunca que elas sejam estúpidas e grosseiras por bobagem. Muito menos ele, alguém que eu gosto e prezo e cuido.
"Nem fudendo, vaza", se repete com exata clareza na minha cabeça.
E a vontade que eu estou agora é de dizer "enfia esta merda no cu e vá ser medíocre e babaca assim no inferno das crianças mimadas, que sempre gritam e batem o pé e fazem bico porque querem tudo do jeito delas, porque o julga certo, porque o julga melhor".
Minhas coisas de volta. Tudo da maneira alheia.
A verdade é que eu acho que eu não sou boazinha, sou tonta mesmo.
Vamos exercitar o egoísmo e a arrogância, porque o desejo alheio eu já cumpri demais. Já me calei demais, já cedi demais, já sorri demais pra gente que eu "preferia chutar no olho".
Tudo estava bem e eu não me importava até o "nem fudendo, vaza". Agora quem tá afim de fuder sou eu.
Eu nunca fui estúpida com você, o que te tira o direito de ser estúpido comigo. Ou me dá o direito de ser mesquinha e te fuder um pouco por dia.
Entenda, de uma vez por todas, que eu sou resultado. Sou um ser afetivo e carinhoso para quem o é comigo. Sou babaca e grossa para quem o é comigo. Sou um animal, sou selvagem e vivo baseada no mutualismo. Na cumplicidade. Na devolução.
E não gosto de gente que muda na frente de outras pessoas. Não gosto de gente que só comigo é uma coisa e quando está na frente dos outros me trata diferente. Aviso que tenho traumas fudidos quanto a isso a serem tratados com terapia intensiva.
Já suportei pessoas, num incalculável número, que me falavam te adoro e te amo e gosto de você para mim e me tratavam com desprezo e infantilidade e recalque e depreciação na frente dos outros.
Ser humilhada é fato, dito que desde pequena eu era um poço de chacota. Nunca liguei muito para o que os outros pensavam de mim, pode humilhar, não me importa o que pensam os imbecis que acreditam nos humilhantes. Importa o sentimento que eu tenho pela pessoas e a mágoa que me dá ser destratada por alguém que eu amo.
Durante anos eu acreditei que era unloveable (não existe essa palavra em português) por causa disso. Acreditei que as pessoas tinham vergonha de mim, de gostar de mim, de andar comigo. Durante anos eu lutei contra o bulling (também não existe em português!), tanto o que eu sofria quanto o dos outros. Não suporto ver gente humilhada. Não suporto depreciação, seja ela qual for, e dirigida a quem for.
Então eu instalei a cultura do medo. Autoritarismo fudido. Metia a mão em quem me humilhava. Batia em gente que magoava meus amigos. Depois de algum tempo ninguém ousava falar um "a" pra mim. "A Kátia é louca, a Kátia é louca, cuidado com ela".
Funcionava.
Daí a gente cresce, fica mais fracote, fica mais careta e menos ignorante e pára de bater nas pessoas. E aprende a se calar.
E só fui perceber que não era unloveable quando me dei conta que meus amigos eram as pessoas mais incríveis do universo. E não me zoavam. E eram amigos de verdade, daqueles que não mudam na frente das pessoas.
Mas o "nem fudendo, vaza" foi típico de gente que quer se mostrar. Típico, falo porque conheço gente infantil ou recalcada de longe.
E estou magoada. E passei o final de semana todo calada pra não brigar com quem não tem nada a ver. E vou falar as verdades. Mas da maneira certa, pra tentar esclarecer sem magoar. É isso. Uma frase e a gente aprende. É sempre bom tomar cuidado com o que a gente diz por aí. A gente nunca sabe quais são os princípios e os traumas dos outros. A gente nunca sabe o que pode deixar o coração que alguém fraquejado.
A vida inteira pra aprender com uma frase o que faz as coisas darem errado. Uma frase.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:57 PM
8.7.04
(Eu não pedi pra Sixpaq, mas acho que ele não vai ficar bravo: colori o seu desenho!)
HOJE TEM LULINA
* Desenho do Six = quatro flyers.
É tipo imperdível. Garanto.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 10:09 AM
7.7.04
Peligro, sweet peligro!
***
Frase (malvada) do dia:
"Essa banda aí não fica boa nem se o baterista do Can tocar nela!"
Kátia, sobre uma ordinária banda paulistana. Se eles escutarem bastante Serginho Moreira e conseguirem contratar o Jaki Leibezeit, talvez a coisa melhore. Ou nem assim.
***
Peligro, Sweet Peligro again.
Bem, não tô ganhando nada pra fazer propaganda, a verdade é que a coisa é boa mesmo.
-> TV on the Radio (importado) por 35 reais.
Catálogo Slag e 4 Hearts in a Can por preço amigo (tipo 15 ou 18 reais).
Vai lá conferir!
Murmure:
Katie Kill licked you at: 2:55 PM
Não tenho nada com isso nem vem falar
Eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica
Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar
Do muito ou pouco que houve entre você e eu
Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa eu não douro a pílula
Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar no cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico
(Caetano Veloso - Muito Romântico.)
Mas eu gosto mesmo é da versão do Roberto Carlos, que está em um disco que herdei de Mamãe: Roberto Carlos, de 1977.
Mamãe não me deixou muitas coisas. Uns oito ou nove vinis do Rei, um compacto do Rod Stuart e outro da Perla, um do Bee Gees, um 10 polegadas da dupla caipira Ouro e Prata (autores de clássicos como "A Mulher que o Trem matou, Morreu" e "Não Sei se Caso ou Compro um Frango"), três vinis (sempre ignorados) da Simone, quatro K-7s dos Beatles e do ABBA, um 12 polegadas duplo da trilha sonora de Grease - Nos Tempos da Brilhantina, outro da Big Band do Canecão, três Chicos e a coleção completa do Sid Moreira narrando os salmos em CD.
Meu pai tem uma coleção de uns 150 CDs, divididos entre gêneros ilustres como sertanejo, pagode, axé e poperot.
Meus vinis se resumem em seis da Xuxa, Polegar, Bozo, Balão Mágico (destes eu gosto), Trem da Alegria, um dos Monkees
e um do Lou Reed.
Estou falando disso porque me lembrei de uma estúpida estudante de psicologia do Mackenzie que defendia que você é resultado do meio em que vive. Naquela época eu a escutei e defendi meu ponto de vista, mas se fosse hoje, eu teria, decerto, dado um chute na boca dela. Não discordo que as pessoas sejam resultado do meio em que cresceram, o problema é que ela defendia com veemência que não havia excessões. Foi nesse dia que eu acreditei que toda unanimidade é burra.
Eu cresci nesse meio: mamãe nunca ligou pra música e papai sempre escutou coisas ruins.
Herdei a Sonata de mamãe quando eu tinha uns três anos de idade. Essa Sonata de 27 anos está lá, inteirona até hoje. Sempre cantei e dancei com os meus discos, sempre gostei de comprar discos. E quem me ensinou isso? De quem eu herdei isso?
Na verdade, não entendo de onde vem o amor pela música.
Até meus 18 anos morei no interior, que é o lugar mais castrador que existe. O acesso a informação lá é extremamente restrito e é brochante viver dessa maneira. Lia a Showbizz e queria morrer porque não conseguia escutar algum disco.
Michael falou de uma coisa que foi extremamente bem lembrada: "Ká, isso é da época que a gente só via os shows pelo jornal". A gente só tinha o jornal e nada mais. Tinha a cultura do não-acesso. Perdi shows e shows porque morava lá. Tínhamos que ir pra outras cidades comprar discos. Lia sobre filmes que só veria três anos mais tarde. Daí veio o Napster, a revolução. O Napster mudou a minha vida. Usava o Imesh também, que até hoje (quatro anos depois!) continua muito ruim.
Eu e o Michael matávamos aula e íamos pra minha casa baixar música. Passávamos horas em frente do computador. Lembro com perfeição do meu primeiro MP3: Seeing Other People, do Belle and Sebastian. Que foi seguida de The Stars of Track and Field e Like Dylan in the Movies. Baixamos Weezer, o Kid A do Radiohead, Guided By Voices, Arab Strap, Salako, John Spencer Blues Explosion, Built to Spill.
Era glorioso. Estávamos descobrindo o mundo.
Depois veio o Audiogalaxy e eu baixei o Yoshimi Battles the Pink Robots do Flaming Lips e o Love is Here do Starsailor. Já morava há algumas semanas em São Paulo.
Monte Alto teve a revolução indie quando eu, o Júlio e o Cassius escambávamos discos e K-7s descaradamente. Era bom demais. Quando alguém viajava, era uma espera ansiosa pra saber o que chegaria às nossas mãos.
Mas isso tudo não passa de uma visão romântica do passado. Porque tudo mudou, arrumar música hoje é fácil.
Muito romântica, só isso.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:12 PM
6.7.04
Sobre a perda da virgindade...
Eu lia Capricho. Idéias românticas sobre a perda do hímem nunca foram abraçadas por mim. Nunca acreditei que seria lindo perder a vingindade. Minha mãe falava que doia. Eu não esperava a hora certa, nem o cara certo, eu simplesmente queria encontrar alguém que guardasse segredo, que me comesse e fosse embora sem estar se achando um escolhido. Na época, eu, Adriana e Marsílea fazíamos brincadeiras acerca de um "francês", inventamos um bonitão que vem, faz o serviço completo, fala mentiras do tipo "gostosa", ou "você é linda", nos acorda com café da manhã e vai embora sem encher o saco.
Arrumei um francês expresso. Tava na rua, conversávamos coisas do coração: música, cinema e literatura. Hoje ele é meu irmão, antes era apenas um bom amigo. Bebíamos cerveja barata e passávamos um friozinho coerente à época: junho. Era sexta-feira, eu tinha chegada em Monte Alto há dois dias. Era copa do mundo. Ele tinha uma namorada que estava na França, longe demais pra saber que estávamos prontos para a traição.
Eu nunca fui virgem. Virgindade implica fardo, coisa que você carrega com medo e ansiedade. Eu nunca fui virgem, repito. Nunca esperei príncipes ou flores, nunca esperei amor. A verdade é que eu não era iniciada, e foi somente isso. É como Nelson Rodrigues disse: "um suicída já nasce suícida. Getúlio nasceu pra se suicidar." Uma não-virgem já nasce desvirginada, por maior e mais forte que seja seu hímem. A pureza dos sentidos está em experimentar todas as coisas. Você só tem os sentidos abertos para o mundo se deixa o mundo te penetrar.
Voltando àquela madrugada: perdi a virgindade como quem compra um sorvete na padaria da esquina. Fácil assim. Parece até que encomendei. Meu amigo me perguntou se eu ainda estava virgem e eu falei: "sim, e você pode me furar hoje. Vambora."
Fomos até a minha casa, nos despimos, ele vestiu uma camisinha tão bege quanto todas as outras e me fez sangrar como um bovino em uma tourada espanhola: me esvaia em sangue multicor, psicodélico. Tocava Delgados, "Pull the Wires From the Wall".
Não teve um pingo de romantismo. A desculpa era a caixa do Velvet que eu tinha acabado de comprar, na época, a única de Monte Alto. A nossa atenção foi dividida entre a cama e o aparelho de som. Somos gente preocupada demais com música.
Durou duas horas. Doeu a dor e a alegria do momento. Doeu pra caralho, na verdade. "Mas já que começou, agora você termina isso". No domingo o Brasil foi Penta.
E durante ano e meio sexo era receita de bolo: bate, assa e come. Às vezes, nem isso: só come.
Mas a minha primeira vez foi com uma pessoa fantástica, que hoje é irmão. Pessoa que eu adoro e admiro e que às vezes não acredita que foi com ele, mas a gente se diverte quando lembra do "te furei".
E depois eu dei o Peloton pra ele, só pra ele lembrar pra sempre daquela noite.
E perder a virgindade foi isso: nem fácil, nem complicado. Foi simples. Simples como tirar tampa de danone. Só que muito mais divertido.
;-)
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:02 PM
5.7.04
O mundo anda tão complicado...
ou Bem-aventurados os que não usam o cérebro e seguem ignorando...
Ainda bem que existe gente reprimida. Se não a liberação estaria banalizada e ninguém falaria sobre ela. Não banalizemos a repressão. As pessoas precisam sabê-la para encontrar a própria liberdade.
Peguemos um exemplo prático: a melhor produção intelectual brasileira se deu nos tempos da ditadura. A censura produz ideais de revolução, de luta, de liberdade, coisas que não nos damos o trabalho de pensar em tempos de liberação, afinal, estamos livres. Tão livres que não pensamos. Ousar pensar para ousar viver.
A liberdade é coisa que tem que vir de dentro. É liberdade é visão peculiar: cada um tem a sua.
Essa liberdade que temos hoje em dia destrói a personalidade: estadunidenses são tão livres que não pensam em mudar nada. A liberdade total trás uma satisfação vagabunda e barata, um comodismo digno de repulsa.
Temos que conhecer limites para tentar quebrá-los. Se não conhecemos limites, vivemos por ormose: inércia e indiferença.
Tenho o tecido epitelial todo feito de revolta: rebeldia à flor da pele. Eu achava que quando crescesse perderia esse espírito guerreiro, mas não perdi. Hoje temo pela ignorância: gente rebelde não chega muito longe.
Teria que me adequar ao sistema, mas não consigo: sofro. Teria de me travestir de cordeiro e seguir o rebanho: sofro. Sofro com muita coisa, penso que sou idiota. Talvez seja por me importar. Sofro com gente que tem ideologia demais e não a coloca em prática: gente que tem garganta e frases feitas, mas não tira a bunda da cadeira pra mudar nem o vazinho de violetas que está pingando no carpete bege. Sofro com gente que fala mal por trás e lambe o saco pela frente. Sofro com a arrogância, sofro com a indiferença.
Sábado eu fui a um evento que juntou um antropólogo e uma dupla de músicos suíços. Meu cérebro borbulhava com o que dizia o antropólogo. Ele falou uma coisa que eu sempre penso e isso me dói como um tumor: você não é ninguém. Você não é nada. Você é somente uma pequena parte de um todo gigantesco.
Somos um câncer. Somos o câncer do universo. Os seres humanos são os animais mais destrutivos do mundo; acabamos com matas, faunas, espécies, dignidade pelo benefício próprio. Somos animais mais irracionais que macacos. Destruímos o que não é nosso, extinguimos o que só existirá em livros de biologia no futuro. Destruímos uns aos outros por dinheiro, poder e fama. SOMOS DESUMANOS! A única espécie humana é desumana, acredita? Isso não lhe parece assustador?
Resolvi ser antropóloga também. Preciso estudar a imbecilidade humana. Em todas as castas de seres que vivem em sociedade há hierarquia e respeito e isso funciona. Menos na espécime hominídio. Formigas, abelhas e elefantes funcionam. Homens, não.
O mundo está repleto de cultura e nós não conhecemos nem duas das milhares aí presentes. Somos lixo, somos nada.
Por isso que a arrogância machuca: a pessoa é um monte de merda que não sabe nada e se acha no topo da cadeia. A pessoa acha que só porque sabe "tudo sobre nada" está cima de alguém, é melhor do que os outros. Arrogância me dói como pimenta os olhos.
E isso é fruto de liberdade mal concedida. Não lhes foi ensinado limites.
Destruímos o nosso biossistema e o planeta está ficando inabitável: a culpa é nossa, somente nossa. Leões não destroem florestas. Jacarés não usam água pra lavar calçada. Tamanduás não usam óleo diesel e enchem o ar com CO2. A culpa é nossa. Sua, da sua mãe, do seu tio. Nossa. E não fazemos nada para melhorar: nem brigamos com a nossa faxineira quando ela deixa litros de água caindo ralo abaixo enquanto tem criança morrendo de sede no mundo.
Homens acham que isso não é problema nosso, mas isso será problema dos netos deles.
Dê liberdade e sinta libertinagem. Ser traquinas é coisa de modernista, e o modernismo já morreu.
Seria arrogância de minha parte, mas tenho muita vontade de fazer: chegar pros arrogantes, pedantes, vazios e prepotentes e dizer que eles não passam de lixo.
Nós não passamos de lixo. Nós não justificamos a nossa existência. Somos como demônios da Tasmânia, passamos detruindo tudo.
Preferimos jogar comida fora a dar à alguém faminto. Gastamos fortunas com imbecilidades enquanto tem gente com frio. Somos desumanos. E para a desumanidade não há solução. Somos arrogantes naturalmente. É a genética da raça.
Não aproveitamos o que o mundo nos oferece: somos arrogantes a ponto de dizer que não precisamos disso ou daquilo. Sofro.
Precisamos de tudo.
Precisamos ter contato com outras culturas para enriquecer a nossa. Para diminuirmos o nosso cinismo diante do mundo. Para sufocar o preconceito pendente. Pra crescer. Para parar de destruir o que não é nosso.
Para sermos, finalmente, livres.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:49 PM
Congrats
Aniversário da Lígia fodida hoje.
Parabéns minina, tudo de bom pra você...saúde-paz-amor-sucesso-felicidades.
Te amo muito.
***
Bom, como a filha da Lígia também vai chamar Júlia (nossas filhas serão irmãzinhas de nome), vou colocar a letra da música que eu não consigo parar de cantarolar desde ontem:
Half of what I say is meaningless
But I say it just to reach you, Julia
Julia, Julia, oceanchild, calls me
So I sing a song of love, Julia
Julia, seashell eyes, windy smile, calls me
So I sing a song of love, Julia
Her hair of floating sky is shimmering, glimmering,
In the sun
Julia, Julia, morning moon, touch me
So I sing a song of love, Julia
When I cannot sing my heart
I can only speak my mind, Julia
Julia, sleeping sand, silent cloud, touch me
So I sing a song of love, Julia
Hum hum hum hum...calls me
So I sing a song of love for Julia, Julia, Julia
Essa música é triste, mas é linda. John Lennon a fez para a mãe, que morreu atropelada quando ele tinha 17 anos. Ela era prostituta e tinha problemas mentais e ele foi criado pela tia, por isso "Half of what I say is meaningless / But I say it just to reach you, Julia". Eles nunca tiveram um bom relacionamento.
Talvez haja muita lenda nessa história, mesmo porque eu nunca li sobre isso, só ouvi falar. Fonte confiável.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:02 AM
2.7.04
Nessa semana fez um ano que este blogue nasceu.
Nasceu da minha revolta com a blogger gringa, que resolveu não publicar mais os acentos.
Segundo o Cassius, esse daqui é melhor.
Confesso, o outro era um lixo. Não que esse seja grande coisa. É meu mundinho todo aqui, por onde meus amigos lêem a minha vida (dito que a gente se vê e se fala pouco por mera falta de tempo e ocasião).
Gosto desse blogue. Gosto, sou dependente. Preciso passar meus sentimentos do modo abstrato ao concreto.
Faço diários há dez anos, mais ou menos. Os "famosos" cadernos já são dezoito. Seiscentas poesias escritas na adolescência, umas 1500 páginas de confissões e bobagens, um incontável número de amores e amigos. Gosto de lê-los, gosto de escrevê-los.
Pra você ver como é gostoso, outro dia eu peguei o caderno catorze (de 2002) e o li para o Eduardo. Mostrei as vezes que ele apareceu, quando o conheci e o que escrevi sobre a minha impressão. Todas as impressões estão lá.
Esses cadernos eram proibidos, vetados para qualquer um que quisesse ler. Desde o primeiro, de 1997. Malagó roubava-o às vezes e se trancava no banheiro pra ler, Daniel (mermão, brother, saca?) lia porque eu deixava quando queria facilitar explicações e segredos, Zé Galinha lia porque sabia de tudo, mas só eles três.
Sempre tinha uma frase na contracapa desses espirais: "O caderno é o segredo". Eram sentimentos íntimos como pede a regra dos diários (que foi quebrada com o advento dos diários virtuais).
A idéia romântica de "diário" foi banalizada com os blogues. Sad, but true.
Meus diários têm títulos, como livros. Eu termino o caderno, leio inteiro e dou um título. Gosto muito de "Meninas Rebeldes Também Usam Camisola" (1998) e "Sanduíche Recheado de Estranhezas e um Gole de Vaidade" (2002). Há um ritual de começar cadernos: dou um panorama da minha vida.
Sou uma menina rebelde que usa camisola. Metáfora boba de menina de 15 anos. Meninas rebeldes também têm sentimentos de menina, também são sensíveis, também sofrem. Foi isso que eu quis dizer. Eu gritava, falava, me vestia e coçava o saco como um menino. Só andava com meninos, era isso. Mas sofria feito uma garota qualquer. Sou um moleque sensível que faz diários. Desde que comecei a "blogar", passei a escrever menos. E relutei, passei um ano e meio falando "eu não vou ter um blergh", mas caí em tentação e não parei mais.
Isso é bom para mim e ruim para o mundo. Publico bobagens tamanhas...
Mas é isso. Vamos comemorar: um ano. Já posso tirar as fraldas e a mamadeira, este filho cresceu.
Mas só cresceu porque eu estou rodeada de gente feliz que eu amo e que faz esse negócio ir pra frente. Me deprimo quando não há murmurios nos comentários e me alegro quando vocês falam qualquer coisa.
Obrigada, meus 85 leitores. São vocês que me movem e inspiram a escrever assim. Tudo gente ilustre. Tudo gente boa.
:-)
Murmure:
Katie Kill licked you at: 4:37 PM
::Hoje::
Sonho maluco do Palugas. Adorei, adorei!
***
Viva, viva Paris...
Tem Serginho Moreira no Outs. Eu vou.
***
Ontem a Generics foi foda. FO-DA!
Bizarro. Só quem tava lá pra saber.
O show do Headache foi trimassa (acho que nem falei pro Du que gostei tanto!).
Deu pra fazer umas fotos bem legais do Dago detonando na pista antes de ser seduzido por uma moçoila que foi alvo das mais ácidas e sarcásticas críticas produzidas na noite.
Até o Sixpaq e a Ana foram!!!
Terminou com um set insano do Du e do Gui naquele esquema "expulsão"...
É, deve ter sido a melhor noite do Batidão mesmo.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:05 PM
1.7.04
Deletei o post que tava aqui.
Não tô com vontade falar nada hoje.
Quero ficar quieta. Quero ir embora. Quero dormir.
Quero sarar.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:15 PM
::Boletim Kátia, 1º de Julho::
18:40 - Intervenção Divina, Cinesesc: palestina/israel/sei-lá-mais-onde. Filme massa. Se você estiver passando pela Augusta nesse horário, aproveite para ver esse filme.
21:30: Centro Cultural Batidão, Generics: afrobeat, post-rock e dor de cabeça (não necessariamente nesse mesma ordem). Show do Headache. Se você estiver passando pela Aspicuelta e escutar um ruído que destoa do som comum da Vila Madalena, pode entrar, é o Du fazendo graça.
;-)
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:02 AM
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