Ego Tripping at the Gates of Hell...

 

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30.8.04

 
hang your ego, child, hang your ego...

Não adianta me ligar hoje, meu celular estará desligado.
Estou em crise e não quero falar com ninguém.
Entregarei sua carta esta noite.
Estou cansada e com vontade mandar À MERDA.
À MERDA, bunch of fucking bastards.
À MERDA.
Vou fumar um cigarro e pegar um ônibus agora.
Vou pra casa mais cedo porque a minha cabeça tá doendo.
"Carlos, não se mate."
À MERDA, CARLOS. À MERDA, CARLOS, que só a gente tá sabendo o que é isso neste momento.
Vou pro bar. Vou beber até cair. O Michael vai ter que me carregar até em casa.
"Vaia de bêbado não vale".
Choro de kátia-punch-drunk não vale. Daí vou poder chorar em paz. Não vai valer mesmo.
 
- Dá beijo? Boa noite...
- ...
- gggggg
- puf, puf...
- ai, ai...
- la, la, la...
- cante essa canção mesmo, estava quase dormindo.
- hum, hum, hum...
- puf, puf...
- já dormiu?
- ...

(E todas as noites eu quero que sejam assim. Pro resto da minha vida.)

***
Sodomitas são devassas?

***
Ganhei - lindo, lindo, lindo - de papai, Hitchcock/Truffaut.

***
Não tem nada pra fazer hoje...ai, que tédio!

***
Quer saber das três vontades que me passam pela vida agora?
- Morrer.
- Passar o resto da vida com o Du, sem sair mais do quarto, ficar só na cama, dormindo, acordando, beijando, fazendo amor, dormindo de novo...sem precisar pensar em trabalhar, em sair de casa, em viver algo além daquilo.
- Morrer.

***
Sabe vontade de fazer nada? Tô ficando desesperada de vontade de fazer nada.

27.8.04

 
Oh, faça-me um cafuné, preciso de mimo. Preciso de colo, preciso chorar devagar como se chorar devagar significasse botar tudo de ruim que há em meu peito pra fora, como um riacho que corre lento e deságua no mar, calmo, pleno, eterno. Como se meu corpo pingasse em lágrimas e terminasse em poça amorfa e assintética. Chorar de-va-g-a-r...muitas e muitas gotinhas salgadas jorrando desesperadas, porque só quem já me viu chorando sabe o tanto que eu gotejo. E estou com um nó na garganta há uns bons 20 dias, ou mais, não calculei. Mas é que piorou e piorou nos últimos dois dias, desde que papai chegou aqui em São Paulo. Muitas coisas têm me doído dor que parece rasgar o esôfago e fechar a garganta sem piedade alguma: engasgo, nauseio, meus olhos marejam e me falta o ar e pareço uma asmática tentando respirar, mas tusso, tusso, tusso e quase vomito.
Meu corpo dá claros sinais de que algo precisa ser posto pra fora. Há algo que precisa sair, que eu preciso me livrar, mas ainda não descobri o que é. Ossinho de galinha nas amígdalas, estas cheias de pus e angústia.
E quando choro por admiração aos gênios delicados, é porque algo vai mal. Pareço que vou entrar em combustão. Olhava Truffaut ontem e a paixão queimava tudo por dentro. Me apaixono fácil por pessoas como Truffaut, Cortázar, Antoine Doinel, Guimarães Rosa e Dalí.
Não sei se conseguiria explicar, não sei nem se isso é explicável, mas sinto um misto de admiração, ternura, respeito e amor. Homens de atitudes frágeis e fala baixa e ponderada, homens que são fisicamente inofensivos, mas intelectualmente destruidores, homens que conseguem transformar em arte tudo o que eu sinto e penso, que consegue me confortar, que conseguem me fazer sonhar e flutuar como uma gotinha de saliva densa e perdida.
Tenho vontade de dar uma abraço no Truffaut, de dar um beijo na testa dele e vê-lo sorrir devagar e pouco, como só os tímidos sabem fazer, sorrir com a boca inteira mas sem abri-la e por tempo curto e suficiente para livrar-se do sentimento lisonjeiro de um elogio sincero.
Meu menino mesmo é assim, suas bochechas coram, sorri envergonhado e abaixa a cabeça com leveza, pra desviar o olhar porque é tão profundamente tímido que não consegue me encarar.
Mas preciso me livrar. Este sentimento está me matando devagar. Chega a hora de sair de casa ou de levantar da cama e, por algum motivo, sinto vontade de morrer, de não fazer nada. De não ver pessoas, de não sorrir, de não viver.
Por isso preciso de um choro lento e prolongado, choro pra me livrar. Pra tentar salvar aquele lado que as pessoas falavam que era feliz. Uma vez uma pessoa chegou ao ponto de dizer que eu tinha o dom da felicidade, seja lá o que isso significa.
Então, como o mundo inteiro, vou continuar buscando o que todos procuram. Mas não com tanta veemência e fé, porque tenho medo de ser frustrada. Meu maior medo na vida é ser frustrada e descontar nos outros. Porque odeio gente frustrada.
E Truffaut que me aguarde, ainda dou um beijo naquela testa genial.

 
Meu coração dói. Felicidade e tristeza ao mesmo tempo dá nisso.
Cada dia fico angustiada por alguma coisa boba. E não quero. E não sei porquê.
Ontem teve A Noite Americana, um dos filmes mais bonitos que eu já vi na minha vida. Truffaut me dá água na boca.
Estou nostálgica e chateada. E não quero.
Papai foi comigo ao cinema. Pessoa engraçada. Adorou o filme. Imaginei papai de óculos de aro grosso, sentado no BH teorizando sobre o "cinema de autor". Medo.
Ontem teve o último dia de Batidão. Alegria e tristeza. É como se um pedacinho da minha vida tivesse sido fechado. Chegava quinta-feira (quinta-feira é "o dia que a semana não acaba", certo?), já tava dando canseira, tristeza, agonia, mas tudo ia passando conforme chegava o final, pois estava chegando perto da hora de ir pro batidão jogar conversa fora e dar risada.
Mas agora não tem mais batidão. E as quintas voltarão a ser dias eternos e chateados. Saco.

26.8.04

 
A Noiva Estava de Preto é O filme. O filme. Foda, muito foda.

25.8.04

 
Velocity Possessed

Como eu volto a trabalhar amanhã (é, a mentalização de um suicídio funcionou, Deus ficou com medo de mais uma alma penada e me arrumou um emprego!) e não vou ter tempo de postar a alegriazinha da comemoração de mais uma data, deixo avisado desde hoje: cinco meses de casada.
A vida inteira eu não dei muita bola pra datas, sou esquecida e dispersa, mas é que 26 é 26 e sempre será. Quando eu casar de verdade (na igreja, de branco, com direito a arroz e latinhas no pára-choque do táxi, porque nós dois não dirigimos, e uma lua-de-mel em algum lugar com energia elétrica pra gente ligar o aparelho de som!), terá que ser em um dia 26. E nada de "maio mês das noivas", porque eu sou brega, mas não tão sem-noção.

Foto por Pétria Chaves


Amor, amor, desaprendi a viver sem você. Segundo Pessoa, todas as cartas de amor são ridículas e não seriam de amor se não fossem ridículas, então posso suspirar e oralizar como o Wando (e você diria: se fosse o Gerry falando isso, você ia achar lindo!), mas vou falar como uma teenage fan: your love is the place where I come from.
Obrigada, além de todas as coisas como compreensão, afeto, ternura, respeito, delicadeza, doçura, graça e felicidade, pela paciência. Cinco meses de convivência e nenhuma briga, me é um dado histórico. E olha que eu morro de ciúme de você.
E você, como poucos no mundo, me deixa tão bem, tão feliz, tão viva.

"Contudo agradeço-te, do íntimo do meu coração, a desespero que me causas quando não estás, e detesto o sossego em que vivi antes de conhecer-te..."
(Sóror Mariana Alcoforado, in Cartas Portuguesas, Terceira Carta)
 
"Entre palavrões irresistíveis, nossos pêlos do braço mexiam,
nosso estômago era socado naquela noite de carnaval
Decibéis que me deixam feliz...decibéis que me deixam feliz..."

"Existe uma vibração e existe uma emoção que
há muito tempo eu não sinto"...

Dodô salvou minha noite.

 
Como eu acordei muito bem humorada hoje, entoemos todos juntos um mantra:
Vai se fudê todos os grevistas que vêm protestar na Paulista.
Vai se fudê, também, os idiotas que colocam Ivete Sangalo pra tocar nos caminhões de som que acompanham os idiotas que falam imbecilidades (alto, bem alto) nos caminhões de som.
Já falei, no Brasil, tudo vira carnaval. Ninguém leva protestos a sério. Assim, toda e qualquer manifestação que é feita, de nada serve além de acordar os vizinhos alheios a essas chateações.
Eles poderiam, por exemplo, se organizar em homens-bombas e irem destruindo os prédios de seus respectivos empregos, um por um.
Vai se fudê.
Vai se fudê.

23.8.04

 
Vendo as fotos do povo de Monte Alto, me sinto, ao mesmo tempo, muito melancólica e feliz.
Saudades de vocês, muita.
***
Jules & Jim ontem.
Um amor para dois.
A única conclusão que consigo tirar é que não houve movimento mais legal no cinema do que a Novelle Vague.
***
O que tenho em mãos, agora, é um conflito.
Devo transformá-lo em prosa poética?
***
Prumo na vida:
Preciso de um emprego.
***
Duas ruas que eu odeio e uma que eu adoro, parte um.
- Brig. Luís Antônio:
Odeio. Cheira mal, tem mais pessoas do que comporta as calçadas e conta com um sem-número de camelôs que colaboram, invariavelmente, com o caos e a minha angústia. As pessoas passam muito devagar, quando não, param na sua frente criando uma parada brusca seguida de desvio e muitos palavrões na cabeça. Tem os piores restaurantes que esse cidade pode comportar, ainda mais malcheirosos que os do centro velho. Falo do lado "centro" da avenida. Os ônibus demoram dias pra passar, as lojas são lotadas e só vende roupas horríveis e montanhas intermináveis de lixo se acumulam nos mínimos pedaços em que os camelôs ainda não ocuparam.
Chegando mais perto do Bixiga, a coisa piora e perto de centro bate uma depressão inenarrável: teatros decadentes, sociedade decadente, humor decadente.
- Pamplona:
Odeio praticamente pelos mesmos motivos da Brigadeiro. Só que é bem pior: as calçadas são muito estreitas, tem poste, lixo e camelô que reduzem a via à capacidade de passagem de duas pessoas e muitos, muitos bingos. E eu odeio bingos. Os vãos de esgotos são abertos e sempre empoçados por uma água esbranquiçada e gordurenta, cheirando a carniça. As lojas são pequenas e empoeiradas, com preços altos e produtos feios. Há milhares de pseudo-yuppies e atendedores de telemarketing fazendo graça, fechando a passagem e falando "eu vou estar te ligando depois pra gente estar combinando a balada". Tem uns botecos com garçons cheios de má vontade e falta de educação. Tem um Pão de Açúcar carríssimo e umas madames decadentes andando a meio km por hora.
Um horror.

- Eu adoro a rua da minha casa.

20.8.04

 
Porque o que tenho em mãos é um Drummond.
E não quero que acabe nunca.

 
O show do coral ontem foi lindo!
Melhor que qualquer ensaio, quem perdeu, perdeu.
Aliás, não, não.
Quem perdeu terá uma segunda chance:
A gente vai se apresentar na Fun House em novembro.

***
Tá tendo uma mostra incrível no Espaço Unibanco, que começou ontem:
Hitchcock / Truffaut.
É pra comemorar o relançamento do livro HITCHCOCKTRUFFAUT pela Companhia da Letras.
Vai passa A Mulher do Lado, o filme do Truffaut que eu mais quero ver na vida e eu não perco por nada neste mundo.
Esse, quem perder, perdeu mesmo.

18.8.04

 
Tá chegando!

Ontem teve o último ensaio da Open Field Church, aniversário do Eugênio, gravação pra Rádio UOL, o caminhão da dengue apareceu e quase matamos uma criança do coração no prédio vizinho, mas foi tudo bem.
A apresentação será amanhã e eu só estou falando isso porque quero que todo mundo que lê esse blogue vá.
Olha só:
Happy Hour Generics
A partir das 21:00
Onde? Na rua Aspicuelta, # 321, Vila Madalena.
Zero de entrada e cerveja a preço amigo.
DJ set: Daguito e Du (como sempre) insanos.
Bônus: apresentação do "coral-indie" Open Field Church, ou aquela celebração que salva vidas.
Garanto, no mínimo, diversão.

***
Não consegui dormir:
O Headache acabou

17.8.04

 
Carrego comigo a crença e a descrença em alguns seres.
Há um em especial que eu botava a maior fé, pessoa inteligente que queria salvar o mundo. Depois concluí que era só mais um idiota fazendo pose de sabidão. Era um horror conviver com tanta "sabedoria". Mas depois a gente vê que um idiota só é inteligente pra fingir que é inteligente. Pra todas as outras coisas, são burros como uma porta, e surdos como tal.
Tinha outra pessoa que eu não botava uma fé. Mas é um gênio, e as multidões deveriam sabê-lo, vez que gênios hão de ser reconhecidos, hora ou outra.
Há também outra pessoa que eu até tentei ser amiga, mas não deu. Eu cri que era digna de minhas considerações e rezas, mas não. Causou, causou com pessoas que eu não olhava nem de soslaio e que hoje olho nos olhos e posso dizer que amo. Achava que era pessoa do bem, mas não.
Há outra pessoa que faz muitas coisas e a vida dá certo e eu não páro de torcer por ela. Pessoa doce, harmoniosa, querida, que eu adoro encontrar pelos corredores casperianos.
Mas já cai muitas vezes do cavalo. Já dei confiança pra gente que deixou cair a máscara e me fez chorar por noites a fio.
A vida é estranha.
Quando me empolgo em conhecer alguém, em ser amiga, me ferro. As pessoas que me empolgam são sempre gente despreocupada e traiçoeira.
As que eu me envolvo devagar, um pouco por dia, que me conquistam homeopaticamente, dão, invevitavelmente, certo. Se tornam pessoas essenciais e mágicas e, oras, vejam só, num momento percebo que estou amando.
E tudo o que dá errado é culpa minha, juro pra vocês.
Nos momentos que eu mais preciso dos meus queridos, me tranco em casa. Aversiva, alheia e envergonhada. Acho que não preciso chatear ninguém com as minhas angustias, sejam estas grandes ou pequenas. Tinha uma pessoa que concordava mesmo com essa teoria: nunca queria saber das minhas dores.
Então eu desaprendi a procurar pessoas e chorar em ombros amigos.
Simples assim: não sei o que fazer. Fico tonta dentro do apartamento e gasto horas sem fazer nada.
Fazia muito tempo que eu não me sentia assim.
E é horrível. Parece que se abriu um abismo entre mim e o mundo e estou desconectada de todas as coisas e pessoas. Parece que mesmo se eu gritar, ninguém vai escutar. E se escutar, não vai entender.
A solidão, ah, a solidão. Sentir-se só mesmo no meio de um milhão de pessoas. Sentir-se só mesmo rodeada por dez amigos.
Quando foi a última vez que o silêncio foi tão perturbador?
Quantas noites com insônia até em uma segunda-feira desmaiar pra acordar só no outro dia?
Falta-me até a fome. Ainda não comi nada, não tirei o pijama, não saí do computador.
Não quero preocupar as pessoas, falo que está tudo bem. Eu sempre falo que está tudo bem. No dia em que minha mãe morreu, me perguntavam e eu falava: está tudo bem. É lógico que não estava tudo bem, oras. Agora não está tudo bem. De madrugada não está tudo bem.
E há poucas coisas que estão bem.
E não me venham os amigos antigos falando: você não é assim, você é feliz, como tantas vezes já ouvi. Não estou feliz. Há, essencialmente, duas ou três coisas que estão caminhando muito bem na minha vida, mas outras vinte que estão indo muito mal.
E como tantas outras vezes está tudo muito escuro na minha cabeça. E eu não gosto dessas fases, porque me perco do meu meio e não é sempre que nasce uma "patota" pra salvar meus dias.
Quando a "patota" surgiu, estava em crise. Mas essas pessoas me trataram muito bem: bar, festas, tchu-tchus, aniversários, mais festas, sair pra almoçar, dormir em casa etc. etc. Era bom, foi bom.
Mas perdi a crença. Em mim. Não coloco um pingo de fé em mim. Pelo contrário, tenho repudiado dois terços dos meus atos. E reprovado a minha atual postura: insossa, alheia, vazia, mal humorada, chata.
A vida é bem estranha.
E eu continuo falando de solidão...
 
Tá, confesso:
Estou assistindo as olimpíadas todas as noites.

13.8.04

 
Olimpíadas sucks.

 
Eba!

Hoje tem LULINA na Fun House!!!

Ah, nunca escutou?

Escute agora.

Aproveite e dê uma olhada na matéria que o Six fez com ela na Trama Virtual: Simples, tímida e genial.


12.8.04

 
Se vos digo que sinto saudades da minha infância, não estaria mentindo nem uma unha e não estaria caindo nem um passinho em lugar comum.
Mas quem se importa se faço uso de Paulo Coelho ou Gramsci para inspirar meus textos?
Quem se importa, afinal, se me contorço toda com João Guimarães ou Fernando Pessoa?
Ou Velvet, ou Love, ou Stooges, top 3 do fundo do coração, coisa de acabar em briga e tapa se falarem mal?
Leio, atulamente, Rainer Maria Rilke, um tcheco nascido em Praga no século retrasado.
Mas quem se importa?
Kátia é abreviação de Catarina e significa "pura".
Pureza de sentidos, naturalmente, me seria muito bem vinda, já que os tenhos todos embaçados e rastejantes.
Queria separar pureza de ingenuidade e ingenuidade de lerdeza. Não sou, talvez, nem pura nem ingênua, sou lerda.
Não prego contra a malícia e acho até que ela me falta em bom tanto, mas sou como as tartarugas marinhas que batem as patas achando que podem nadar muito longe e morrem na boca de um tubarão.
Bato as patas, gesticulo e se me amarrarem as mãos, talvez desmaie. Não tenho um pingo de classe nem à mesa nem em festas, e protocolo significava, para mim, até outro dia, uma ficha a ser preenchida e não uma regra a ser seguida.
Quando tenho fome, tenho fome e agarro as comidas como um javali e sou assim com todas as coisas. E parte do meu descontrole é inconsciente, vez que vos digo: queria ser delicada.
Via os delicados e sentia um misto de raiva, inveja e ternura, porque sou, praticamente, uma jogadora de futebol, uma zagueira pronta a dar coices em todo e qualquer atacante que rumasse à minha bola predileta.
De menina, tenho muito pouco. Cresci em meio a onze moleques que falavam cerca de três palavrões por minuto, coçavam o saco desavergonhadamente e falavam coisas que eu acabava concordando por inércia. Não há como esperar de mim carinha de nojo quando toca-se em assuntos escatológicos, aliás, falo deles com a desenvoltura de uma prostituta. Não tenho o mínimo problema em falar de partes púdicas, sexo, excretas etc. etc.
Mas sou tímida e medrosa como uma coruja. Olhos grandes e assustados, sempre temendo a raposa que espreita meu ninho a procura de bochechas coradas, falta de ar e taquicardia e me enfio no buraco de novo. E pode haver milhares de pessoas que não acreditem na minha timidez, mas ela existe e cresce e diminui conforme a situação. Talvez não acreditem porque tenho fome e vou salivando às coisas, mas os tímidos também tem de viver, certo?
Eu sei quando alguém me acha burra. Dá pra ver na maneira que a pessoa me trata, os assuntos que ela alavanca comigo e as conclusões a que se chega. Tenho uns três ou quatro conhecidos que me tratam como uma autista, falando coisas baratas e vazias, fazendo cara de incompreensão às minhas opiniões e matando a conversa rapidamente para se livrarem de mim e de tudo o que implica um diálogo comigo.
Mudei de opinião em relação aos ingênuos depois que li O Pequeno Príncipe, que, enfatizo, é um livro feito para adultos. A ingenuidade é linda nos livros, não na prática. Na prática causa uma comoção muito parecida com a pena e pena é uma coisa que me causa repulsa. "Coitadinho, tão ingênuo"...e este é um pensamento errado acerca dos ingênuos. Eles não são coitados, eles são felizes pois estão livres dos julgamentos e filosofias que estragam nossas vidas. Julgar e filosofar não leva a lugar nenhum, a não ser a uma conclusão parcial e medíocre sobre algo. Não falo dos filósofos antigos e de suas teorias, mas dessas teorizações baratas do cotidiano.
Minhas indignações nascem de coisas muito mesquinhas e efêmeras e de nada servem. Tenho um lado terrorista, acho que muitas coisas poderiam ser resolvidas, facilmente, com bombas. Sinto raiva com tanta intensidade e inconseqüência e não entendo os que ainda pensam em dialogar com coisas "indialogáveis". Me irrita também os conformistas, aquela turma do "deixa quieto". Não quero deixar quieto, quero causar. E tenho uma idéias fascistas, penso que onde não há respeito, a única política a ser instaurada é a do medo. O cara não te respeita, certo? Encaixe um revólver no ouvido dele pra você ver como o respeito cresce. Eu acho que estou errada e muitas pessoas me jogam isso na cara com ou sem argumentos plausíveis, mas sou binária, maniqueísta até a raiz do cabelo e acredito nas armas. Mas, repito, de nada servem. Ninguém entende sobre a baderna, a revolução, o protesto. Fazem de tudo um carnaval, coisa que não dá pra ser levada a sério.
Essa intensidade de sentimentos me faz muito mal. Preferia, mil vezes, ser alheia, uma daquelas pessoas que não querem brigar por nada, que só querem chegar em casa e colocar o traseiro gordo no sofá enquanto o mundo está despencando lá fora. Queria mesmo ser normal, ser feliz com emprego-casa-cachorro e deixar que tudo se explodisse e apontar pessoas como eu na rua e dizer: sonhadora, coitada.
A maldição foi ter nascido assim, iludida com sonhos vazios de mundo melhor e de ambientes harmoniosos.
E odeio discussões de bar. Estas servem menos ainda.
Se houvesse um termometro para esperança, o meu estaria medindo cerca de 0,2. Não há soluções. Não há futuro. Por isso que o punk é legal. Punk 77, veja bem. Os de hoje gostam de Blink 182, urgh! No future, dear, no future. Vamos nos entupir de drogas, destruir coisas e nos meter com a porcada fardada. O mundo tem que escutar, porque você está xingando a rainha e quebrando as posses burguesas.
O caos está instaurado, o que nos cabe é intensificá-lo.
Mas deixe-me voltar para Rainer Maria Rilke, que fala de solidão e suas fortunas e angústias. Porque se não há futuro, há, ainda, solidão, e está há de ser carreagada, inevitavelmente, por toda a eternidade.

 
Here she comes again
With vodka in her veins
Peen playing with a spike
She couldn't get it right

Splendour in silver dress
Velocity possessed
The world was hers again
It fell apart again

I don't need anyone to hurt me
No, not anyone at all
`Cause my so-called friends have left me
And I don't care at all

Leave me alone
Leave meeeee aloooooone.


(Primal Scream - Velocity Girl.)

10.8.04

 
Da série: vâmo lá enchê o saco

Ganhei uma conjutivite no olho direito. E como nunca tive cojutivite na vida e não tenho mãe, tô pingando colírio de alergia. E passando água boricada, porque, se bem me lembro, mamãe passava isso no meu olho quando eu tinha tersol. E aquela lenda de que nascia tersol no olho quando a gente olhava bunda de véio? haha.

***
Desse negócio de ficar engolindo informações na internet pra fazer (só) o esqueleto do meu TCC, descobri uma pequena pérola: Flashback, uma edição especial da Super Interessante sobre os anos 70 e 80. Daí já desci e comprei e, em 66 páginas, gritei a palavra *fueda* umas 38 vezes. Kitsch-cult-nostalgia danada de boa. Foda mesmo. Para admiradores de Playmobil, cometa Halley, Ploc Monsters e outras quinquilharias velhas. Tem uma coluna contando a história dos tênis iate e uma matéria com o ranking da Corrida Maluca. Delicinha...

***
Eu não tenho mais medo do Jandek. Uhúl.

***
Tem ensaio da Open Field Church hoje. Mas sem o Pereira e suas coreografias circenses.

***
Vou embora porque preciso achar meu orientador muderno e contar as 7 idéias novas que tive.

***
Preciso de um curso de webdesigner. Ou qualquer outro Dream Weaver da vida pra fazer o site.

***
Espero que entrevista da segunda seja em uma produtora de filmes pornô.
 
Eu não sei mexer nesse Multiply.
Eu simplesmente não sei mexer nesse Multiply.
Oras.

***

Frida,
Linda, espero te ver hoje pelos corredores insossos da cinzenta Cásper Líbero.
Estou com muita saudade de você e de suas palavras tão bem escolhidas e, conseqüentemente, certeiras.
Lispector necessita, seriamente, de seus quadros densos e belos para diminuir tristezas e acalentar o coração, querida Kahlo.
Beijão.

9.8.04

 
Minha cabeça dói. Tanta coisa a ser feita e tantas idéias nascendo e eu aqui, parada, esquecendo tudo.
Será que eu sempre serei assim, alguém que só funciona sob pressão?
Olho para as pessoas. Tenho idéias, quero falar sobre elas. Mas mal consigo começar. Perdi a fio condutor de pensamentos.
Disléxica.
Mnha cabeça dói.
Sonho com o passado. Sonho com festas, com pessoas, com coisas que já aconteceram. Não entendo porque meu cérebro as repete para mim.
Das 11:00 às 4:30 acontece o "tempo de reclusão", não consigo sair à rua, temo por encontrar pessoas. E há dias em que fico o dia todo sem querer ver ninguém, sem querer sorrir e sem querer soltar uma palavra sequer. Sem querer ouvir.
Eu acho que eu sei o que está acontecendo, mas acredito ser bem pior do que o meu controle possa remediar.
E estou sofrendo sem conseguir escrever, porque talvez uma parte disso tudo se resolva com umas palavras e sentimentos jogados no papel.
Vou comer. Minha cabeça dói. Preciso ir pra aula. Preciso ler coisas que me deixem o coração preenchido.

4.8.04

 
*bloguediarinhoquerido*

Hoje estou com o coração melhor.
Ontem teve ensaio da Open Field Church, o coral mais cool do Brasil e, talvez, terapia seja mesmo cantar She Don´t Use Jelly em alto e bom som batendo o pezinho, ou ficar rindo das coreografias circenses do Pereira ou ficar imaginando o Pablo (vide programa "Qual é a Música?", circa 80's), dançando na apresentação do coral.
E já vou deixar bem claro que quero presença de pessoas de coração aberto para as apresentações que ocorrerão no dia 19 de agosto na Generics (vide Happy Hour de quinta-feira + causação fudida) e em algum dia de outubro na Fun House.
Pra quem ainda não tem o coração aberto, convido-os para a conversão. Figuras ilustres como Astor Aversa e Fernando Vives já confirmaram presença.
Eu me converti na apresentação do dia 26 de março e, desde então, minha vida nunca mais foi a mesma. Coisas estranhas como bagun no Fran's Aclima, chuvas coloridas, capuccinos melados e beijinhos de bom dia têm acontecido com muita frequência; o que não é nada mal. Seres iluminados passaram a frequentar minha vida, com nomes incomuns e jeitinho twee (vide Crizi, Lulins, Jana, Dago, Pereira, Gui, Six, Eugênio etc. etc.) e acabei ganhando um namorado fudido, o Ramos, vulgo Dú.
E você, o que está esperando para se converter?

3.8.04

 
Vamos botar pra foder esse projeto experimental.
Anos 80: lá vou eu.
Segundo LM, meu orientador muderno, teve gente que tentou até corrompê-lo financeiramente pra pegar o meu tema.
Um outro menino me pediu em casamento só pra roubar minha idéia.
Vai vendo...afinal, alguma coisa legal essa faculdade tem que ter.

2.8.04

 
Tô procurando emprego.
Mas todos parecem muito chatos.
Daí eu comecei a ter uma crise fudida e fique com muita raiva e tive vontade de mandar tudo à merda e ir catar lixo na rua.
Ou montar uma barraca e virar camelô. Ou ir pro Japão arrumar um trampo escravo de 12 horas e ficar comendo sashimi e morando num apê do tamanho de um armário.
Ou trabalhar na linha de produção da Ford.
Essas coisas braçais, que a gente não precisa usar a cabeça, telefonar, falar com gente mal educada, não precisa nem ser gentil.
Mas pensei bem e cheguei a algumas conclusões.
Da série "o que eu faria que me faria feliz":

- Ter um bar. Ficar bundando atrás do balcão, chamar umas bandas pra tocar, tomar uns drinks de vez em quando.
- Ter um colégio. Daqueles bem caros, com um método de ensino maluco e "moderno" e ficar cuidando de crianças pra sempre.
- Viver de freela. Ficar resenhando uns discos, uns filmes, umas exposições, essas coisas.
- Ombudswoman. Só ficar metendo o pau nas bobagens que saem nos jornais.
- Ser professora de literatura. É isso.
- Ter uma sorveteria. Ou uma casa de sobremesa e ser gentil com os meus clientes gordos (de coração ou de corpo).
- Degustadora. Ser paga pra comer é O esquema.
- Ter uma loja de discos. Precisa explicar?
- Trabalhar na discoteca do CCSP. Ficar limpando os vinis, restaurando capas, escutando aquilo tudo, digitalizando as músicas.
- Trabalhar na Mojo. Tá, tô pedindo demais.
- Fotógrafa. Mas tipo Sebastião Salgado.
- Poderia ser rica. Ai não ia ter que trabalhar.
- Piloto de helicóptero. Ou de avião. Tem coisa melhor do que ficar passeando?
- Repórter da Cahiers du Cinema.

Só pensei nessas. Mas qualquer uma já tava bom. ;-)