
|
28.9.04
Alguma coisa está fora da ordem.
Alguma coisa dentro de mim está fora de ordem.
Preciso ser formatada, como um computador: binária, lenta, efetua alguma operações ilegais e trava de vez em sempre.
Tem alguma coisa errada, pois estou com os sentimentos muito confusos. As pastas de arquivo, provavelmente, foram tomadas por vírus inúmeros que confundiram os conteúdos. É como se o arquivo da minha mente tivesse todo bagunçado: tem coisa errada em todo lugar.
Estou com problema sério de organização: de idéias, de trabalhos, de sentimentos, de coisas a serem lidas, de discos a serem ouvidos, de deveres a serem cumpridos.
Preciso voltar a fumar maconha, porque eu emburreci um bocado desde que parei.
Ficar dois meses sem ir pra Monte Alto me deixa pianinha: esgotam-se energias, fico minada, vazia e saudosista.
Monte Alto é a recarga mensal que, percebi, não pode me faltar. Amigos, ócio produtivo, festeenhas e risadas que sobram, até.
Estou com um problema sério de "xinto falta" (copyleft: Breno Cabeção, padronizada por Cassius, Cebola e Cia), mas é um xinto falta estranho, as pessoas que estou xintindo falta não são as pessoas que deveriam ser (se é que vocês me entendem, porque até para mim ficou muito confuso!)
Ontem eu me chateei. Tinha deixado um recado no scrapbook do Malagó e ele apagou. Tuf.
Engraçada essa vida: a pessoa, durante um ano, passa todas as tardes na sua casa e, de repente, resolve apagar os seus recados.
O mais engraçado ainda (é, não tem graça alguma essa história de perder pessoas) é que, quando ele me encontra, parece uma macaca de auditório. Pula, me conta 5 segredos por minuto, fica fazendo uma declarações bestas (e talvez falsas até o dedão do pé) de "amizade eterna" e blá blá blá, "você é minha irmãzinha" e blá blá blá e apaga o meu recado, tão imbecil e inofensivo "saudades, mande beijo para a Ana". Ana? Enfie essa Ana no cu, seu bostinha. Ana, a namorada dele. Amiga de uma neurótica lá de Monte Alto, uma dessas que amam a gente tanto que chamam a gente de vagabunda e coisa e tal e depois falam pros nossos pais que a gente é incrível.
Acho engraçadas essas pessoas. Tão malucas e sofrem tanto com isso...porque se é pra ser maluco, sejamos sem consciência: consciência implica culpa e dor.
Pra você ver a confusão mental que tenho enfrentado: sem o Eduardo, choro de saudades da minha mãe.
"E agora, José?"
Vida freak-show.
Para sexta, já tinha feito o set-list da perturbação: Lightning Bolt, Aphex Twin, Four Tet etc. etc. Mas o Zégas me pediu Trash 80's, o que pode ser bem mais perturbador do que Two Towers tocada inteira.
Pensa bem: vão me chutar da pick-up quando tocar Tati Quebra-Barraco num bastard pop com Devo. haha.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:49 PM
27.9.04
"but it's too late to say i'm sorry"...
Vim até aqui só pra pedir desculpas a: Cassius, Jardel, Peagá, Fábio e a quem mais eu esteja devendo e-mails, pois estou sem tempo de fazê-lo.
Minha vida está muito VANILLA SKY, se é que vocês me entendem. Não distingüo realidade de sonho e transformei a minha vida na capa de meu disco preferido. Há dias estou afundada no vício que me meti profundamente: o disco novo do Arnaldo Baptista, o gênio, O GÊNIO.
Estou condensada com saudade e nostalgia insuportáveis, praticamente dissolvida entre esse monte de pensamentos mal vindos.
A vida está pesada e doce ao mesmo tempo e passo alguns minutos agradecendo a Deus pelas coisas que vêm dando certo. E pedindo mais algumas, porque só Deus sabe o tanto que eu sou insatisfeita e lombriguenta.
Por isso, novamente, peço aos meninos que me desculpem.
Não sei se eu volto essa semana.
Queria deixar avisado que SEXTA eu vou pra MONTE ALTO. Vou discotecar na festa do Zé Galinha e vou votar em algum paspalho no domingo.
; )
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:59 PM
24.9.04
Amor é isto:
você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo
nem fale em amor
que amor é isto
(Paulo Leminski)
Murmure:
Katie Kill licked you at: 10:55 PM
Deus é paaaaai.
Porque hoje é sexta-feira.
Era isso que eu queria dizer.
***
Ai, Terra, ai.
A gente AINDA sangra junto. Pra sempre, acho. haha. Lóviu, beibe, lóviu!
***
Queria falar que tá rolando Curta Petrobrás às 6 no Espaço Unibanco tudinovo. Vai lá ver que é de graça.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 9:50 PM
23.9.04
Cheguei em São Paulo há quase três anos e tinha nas mãos um bilhete, com três referências: Eduardo Ramos, Espaço Unibanco e DJ Club.
Não tinha idéia do que seria morar aqui, mas sabia (e queria - como queria!) que enfrentaria muitas coisas diferentes e novas.
Ontem eu estava andando pela Paulista (antes um monstro de 2,7 Km, depois a rua da minha casa e, hoje em dia, o lugar mais comum do mundo) e me senti paulistana. Muito paulistana. E percebi que qualquer pessoa que muda pra cá e aprende a viver nesta cidade, vira paulistano. E carrega um pouquinho de amor dentro de si. Tolice quem diz que não suporta mais este lugar. Balela, coisa boba. Quem tá aqui só tá aqui porque ama e ponto.
Pois bem. Cheguei aqui sabendo que São Paulo tinha Eduardo Ramos, Espaço Unibanco e DJ Club. Mais nada. A primeira vez que eu fui no Espaço Unibanco, tava rolando a Mostra "Curta Petrobras às 6". O DJ Club virou uma coisa "infrequentável" (se é que essa palavra existe). E Eduardo Ramos, ah, esse virou meu namorado.
Talvez eu tenha virado paulistana mesmo. Agreguei tudo o que queria da cidade pra minha vida e mais um pouco: tudo o mais que eu não imaginava que existia.
E por 14 dias, ainda, São Paulo estará muito vazia, mesmo estando tão cheia. E mesmo eu estando tão paulistana.
Porque o DJ Club "fechou", porque o Espaço Unibanco se tornou muito comum e porque Eduardo Ramos - ai, Du - está muito longe.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:21 PM
21.9.04
Dejá vù
Tô puta, muito puta, tepeêmica, chorona, gorda, feia, com a pele parecendo uma lixa d`água # 5, com uma barriga horrorosa, celulites até no pescoço, com os dentes amarelados, com o cabelo todo quebrado-feio-sem vida, pirata (tipo com um olho mas baixo que o outro), com o nariz cheio de cravos pretos enormes, sarando de uma gripe, chorei até às 4:00 da manhã, acordei às 7:00 com as olheiras do Bela Lugosi e vim trabalhar. Chego no trabalho, finalizo o roteiro e o que acontece? O roteiro some, desaparece pela rede do escritório.
Tô gorda, tô horrível...tô pesando 62 quilos e eu meço só 1,65, eu tô um balão de gigante...
Tô deprimida e quero que o mundo acabe amanhã.
Eu quero minha mãe.
Tô com saudade dela.
Fiquei chorando e falando "mãe, mãe, mãe" 300 vezes pra ver se ela aparecia, porque quando eu tenho essas crises, a voz da minha mãe era a única do universo que me acalmava. E não existe ninguém no mundo que eu possa contar tudo sobre a minha vida, que morre de dar risada e fala "larga de ser tonta, minha filha", porque eu não suporto MORALISMOS, eu não suporto que fiquem me CORRIGINDO, eu não suporto que me DEPRECIEM, eu não suporto que tirem o mérito das minha dores, porque sou eu quem tá sentindo, sou eu que sei o tamanho da ferida e a pessoa fica tirando uma na minha cara, ou falando "magina, bobagem".
Minha mãe nunca me deu liçãozinha barata de moral. Nunca ficou jogando coisas imbecis na minha cara.
Eu poderia falar qualquer coisa pra minha mãe e ela não me julgava. E existe pessoa melhor no mundo do que alguém que não te julga? Eu poderia falar:
- Mãe, eu vendí minhas roupas pra comprar heroína, daí me droguei, dei o cu pra 30 caras sem camisinha, caí na rua e quebrei os dentes da frente.
(daí ela falaria)
- Mas o que você quer fazer agora?
- Quero ir pra casa descansar.
- Então vem, filha.
...
Pô, era assim.
Era bom não ser julgada. Era bom ter ela como IRMÃ.
Hoje em dia, qualquer coisa que eu diga pra qualquer pessoa, amigo, irmão, namorado, vizinho, roomate, colega de classe, desafeto, logo falam: Por que? Por que?
Logo querem saber os motivos e as conseqüências pra te julgarem.
Ficam o tempo todo enfiando o dedo na sua cara e falando inverdades e dando vereditos sobre a SUA vida.
Ficam tentando te controlar e nem perguntam o que você tá sentindo, porque você precisou fazer, se você quer ajuda ou não, se você quer colo ou quer ficar sozinho.
Já vem com aquela frase idiota: "ah, mas você..."
Mas você O QUE filho duma puta?
Olha o teu rabo antes de falar do meu.
Ficam julgando, julgando, julgando, tô cansada.
Ficando te tachando, tachando e nem sabem porque você precisa disso ou daquilo.
Quero minha mãe. Quero morrer logo, quero ficar com ela.
Quero ir embora, não quero mais dar satisfações nem nada, quero ir pra onde ela estiver.
Tô com saudade e tá doendo muito.
Muito mesmo.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:00 PM
20.9.04
It's no good trying...
Uma tarde ficamos, eu e Júlio, vendo fotos do Syd Barrett.
Não sei se já falei, mas dá pra perceber: sou muito apaixonada pelo Syd. Perdidamente, completamente.
Syd mudou a minha vida e eu nem sei porque, ou como. Sei que depois de Syd, sou outra mulher. Aliás, depois de Syd, me veio Shaggs, Beat Happenin e o sentido pra muita coisa e muitas paixões. Não que eles tenham conexão entre si ou façam sons parecidos, mas me despertaram o mesmo tipo de admiração, tipo de fazer música por gostar de música, não por sabê-la ou elaborá-la, mas por colocar pra fora o sentimento.
vai dizer que você não se apaixonaria por essas olheiras e essa cara de lunático?
Bom, voltando ao Syd, víamos fotos dele depois de seu último álbum (solo, mas com uma mãozinha de gente de calibre, como Gilmor e Wright), Barrett, de 1970. Quando gravou Barrett, Syd já estava beeeem pirado. Na verdade ele já estava passadinho na turnê do The Piper at the Gates of Dawn, com o Pink Floyd. Não aparecia no estúdio, nem nos shows, ficava catatônico em entrevistas, estava apático com a banda, que foi o afastando até expulsá-lo oficialmente.
Bem, depois de Barrett, Syd foi morar com a mãe e nunca mais gravou nada. Os amigos do Pink Floyd até iam visitá-lo, mas a mãe proibiu as visitas depois que percebeu que Syd ficava extremamente triste quando os via.
Eu e Júlio víamos as fotos e ficamos extremamente chateados em ver fotos recentes de Syd, que está careca, com olhos muito fundos e perdidos (como sempre), não fala mais e, diabético, está cego como um morcego.
Syd era genial demais para esse mundo.
Mas tô falando de Syd porque pensava que Arnaldo Baptista estava na mesma situação...
Arnaldo mora em Juíz de Fora, MG, e ficou 20 anos sem gravar nada.
Sábado ele foi ao programa do Serginho Groisman (veja bem, nem sei o nome do programa...) e eu me derreti de chorar.
Arnaldo é brilhante, genial, e só se reconhece gênios verdadeiros pela sua delicadeza e sensibilidade.
Ele está completamente afetado, leva a mão à cabeça várias vezes em diferentes situações, solta um sorriso débil e puro, puríssimo, de criança mesmo, fala com dificuldade e sua voz está diferente, irregular. Chorei, chorei feito criança em ver que Arnaldo, apesar de tudo, ainda existe.
Ele foi até o piano, cantou uma música que eu não me lembro o nome, nem o autor, igualzinho o Syd Barrett. Desafinado, sincero e ingênuo feito Syd.
O John, do Pato Fu, e o Lobão (que lançou o disco de Arnaldo pela revista "Outra Coisa", à venda em bancas) se preocupavam, o tempo todo, em só soltar elogios e lembranças que enalteciam Arnaldo. Mesmo porque ele merece, é um dos maiores gênios que esse país já teve.
Mas fique muito triste. Não sei porque. Muita pena, talvez.
E não deixa de ser um gênio, apesar de tudo.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 2:12 PM
19.9.04
I quit
Sinto acessos de raiva pela Cásper Líbero. Se ganhasse na loteria, sabe o que faria?
Compraria aquele prédio só pra implodir. Convidaria a todas para ver o espetáculo. Concreto e e tijolos abaixo, num festival de alegria incomensurável: estaríamos livres.
Falo isso desde que ficava com um garoto da minha sala, um menino fofo, forte, inteligente, que tô morrendo de saudades. Bem, vocês sabem quem é. A gente parava no parapeito da janela do meu apartamento, olhava pro prédio e dizia, em outras palavras: "Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco". Éramos Bandeiristas, ué, vivíamos a discutir coisas de nenhum valor, coisas vazias que preenchiam a noite até o amanhecer e até sermos obrigados a ficar silenciosos por causa dos nossos beijos. Que importava tudo aquilo, aquela imponência e pompa, aquela burocracia e dor, se o que havia ali, definitivamente, era o beco?
Xíngávamos e enchíamos nossas boquinhas de munição para falarmos verdades inaudíveis sobre o "prédio da Gazeta".
Verdades inaudíveis...entramos e sairemos daquele lugar sem nunca termos sido escutados.
Um casperiano entra casperiano, se torna um masoquista e sai segurando um canudo envergonhado, tímido por ter se formado naquela espelunca. Há os que conseguem bons empregos, pois são poucos os de fora que sabem da prostituição intelectual que rola lá dentro.
Eu mesma prostituí meu intelecto: compro informações medíocres, pago por aulas inúteis e repasso toda a minha burrice nos trabalhos e provas, pois é assim que eles te querem: calado, imbecilizado, aceitando todo e qualquer terrorismo pedagógico como se fosse normal. Pagamos pelos cabrestos.
Não participo de fóruns, pois estes são tão inúteis e desprezíveis, que até quem está lá dentro se despreza.
Não me envolvo com o CA, que por mais bem intencionado que seja, não é ouvido, não vale nada. Tenho uns seis ou sete amigos dentro do CA, veja bem, gosto deles, mas vi e vejo o trabalho deles indo por água abaixo toda santa luta.
Vivemos em um regime totalitário, os ditadores mandam, as massas calam. E pior que eu, que não me importo em lutar, estão os que não se importam em saber. Dois terços de quem está lá dentro, não sabe do que está acontecendo. O mundo está desabando sobre a cabeça deles e eles estão pensando em festas, samba-rock e solventes inaláveis para ficarem "bem loucos". Indivíduos execráveis.
Já fui mais esperançosa. Já briguei mais, já protestei, já pintei e carreguei faixas, já gritei, já chorei. Adiantou? Nada.
Vejo duas saídas: terrorismo e desprezo. Se instauramos um regime de terror contra os ditadores, veremos, ao mesmo tempo, retaliação e recuo. Os ditadores recuarão de várias de suas imbecis decisão, mas retaliarão os terroristas. Ao desprezo, cabe a auto-destruição. Se desprezarmos tudo o que eles fazem, automaticamente, como em regimes fascistas ou nazistas, eles se auto-destruirão. É como vai acontecer se Bush se reeleger: veremos a queda do império americano.
Não vejo saída. Vejo que vou me formar e nada vai acontecer além de pioras graduais aos nossos direitos.
Há maneiras e maneiras de protesto. Mas nenhuma delas será ouvida.
Me tornei uma masoquista amarga em relação à Cásper Líbero. Lá dentro eu sofro, mas eu preciso do diploma. Mesmo não querendo ser jornalista. Paguei, quero meu produto. Já entrei no esquema da mercantilização. Estamos lá pra comprar alguma coisa e, pior, estamos pagando caro pra levar uma mixaria no final.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 2:39 PM
18.9.04
Por que meu corpo encasqueta de ficar doente sempre que o Du tá longe?
É sério.
Segunda vez que a gente fica longe e segunda vez que uma dessas gripes arrasadoras me atacam.
Acho que é saudade.
Tudo saudade.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:07 AM
17.9.04
Amém
Quando Deus fez o feijão, Ele disse: meus filhos, gozem.
Chili, acarajé, manjyu, tutu, preto, carioquinha, branco, rajado, vermelho: gozo.
Daí Deus fez a berinjela. E disse: quem comer esta coisa feia vai cultivar felicidade ao sentir este sabor.
E a felicidade explode na minha língua quando como este legume.
Daí Deus fez a minha mãe e disse: filha, você vai fazer delícias tão bem temperadas que as pessoas vão cair nos teus pratos e se deleitar. Mas mamãe foi cozinhar no céu, porque Deus queria experimentar as delícias que inventou e que mamãe preparava com tanto carinho.
Daí Deus fez a Kátia e disse: minha filha, não vou te fazer nem bonita, nem inteligente, nem bem apossada, vou te fazer forte.
E cá está Kátia, fazendo força pra superar os traumas do passado.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:30 PM
16.9.04
Descobri uma coisa e parece que meu peito vai explodir. Alegria, alegria. Adoro descobrir coisas de dentro de mim.Tipo...é uma coisa que está lá dentro e parece que nunca vai sair, daí você deixa adormecer e - tuff - desapareceu. E você descobre que desapareceu. É como num passe de mágica e 25 coelhos saem da cartola. VINTE E CINCO COELHOS PARA FORA DA CARTOLA. Adeus, coelhos.
As crises têm vindo com menos frequência também. Durante mês/mês e meio chorei, xinguei, ignorei, pisei, briguei: comigo. O mundo é assim, né?
Por que a gente acha que vai ficar nessa pra sempre?
Passa. Sobre aquela teoria de a vida ser uma roda gigante e, bem, é. Invevitavelmente: é.
Daí as crises passaram para uma vez por semana e percebi que quem tava procurando encrenca, era eu. A última foi semana passada, ou segunda-feira, não sei direito, porque elas têm vindo bem fraquinhas e eu quase não dou bola: procuro uma desculpa bem idiota - como ganhar na loteria, ou comprar sapatos novos - e fico feliz. E engulo a chateação que é ter um cérebro borbulhante, medíocre e sonhador e sigo em frente. Me convenço de que algo próximo a mim pode acontecer - como arrumar um emprego legal algum dia, ou poder passar o resto da vida com o meu amor - e dou um sorrisinho patético e embriago e, bem, vou lá viver de novo.
A parte mais legal do dia é sair pra fumar um cigarro. Vou pra escada do prédio e fico imaginando bobagens cretinas: um dia eu sou cineasta e estou dando uma entrevista pro Woody Allen (e imagino ele fazendo umas perguntas beeeem, como eu diria...woody allen) e dou risada sozinha; no outro dia eu sou uma jornalista neurótica e mal comida, feito essas Pettas da vida e sou muito séria e intelectual e no outro dia eu imagino qualquer coisa, como pegar o ônibus pra Monte Alto e minha mãe ir me buscar na rodoviária e me levar na padaria pra comprar bombas de chocolate, como ela fazia antigamente...
E isso me faz rir como uma hiena, afinal, rio e como merda mesmo. Ser hiena não dói nada, já aviso.
E estou com muita saudade de Monte Alto e dos meus amigos de lá, queria ir e ficar uma semana todinha lá, pegar meus álbuns de crianças e meus filmes de aniversários e ficar vendo, me ver pequena e de cabelos louros e cacheados e ver meu irmão lourinho também, com cara de tosco na fita da festa de dois anos e assistir os vídeos das festas de final de ano na casa da tia Virgínia e ver eu e o Paulo "namorando" (é, eu namorava meu primo quando tinha uns 5 anos) e lembrar que a família botava a maior fé em mim, porque eu devia ser genial, porque eles botavam a maior fé em mim e na minha prima Ana, porque éramos geniais, íamos bem na escola e éramos as queridinhas do colégio etc. etc.
Sábado os meninos de Monte me ligaram e falaram que iam fazer o meu enterro, porque faz uns dois meses que eu não apareço por lá. Tava rolando um sushi na casa do Zé Galinha e, putz, me deixaram com água na boca de vontade de dar um abraço neles, o Dani, o Zéga, o Cadu, o Júlio, o Caique, queria mesmo estar lá e queria que a época do colégio voltasse só um pouquinho, podia ser por uns 15 minutos e eu já ia ficar feliz a beça. A gente cria cada saudade na cabeça, né?
É aniversário da minha avó no sábado. Queria ir pra lá, pra dar um abraço nela.
É saudade que não cabe em mim.
E a coisa só tende a piorar com o Du lá longe.
Mas...vai começar a semana de provas e não, juro que não rola de eu pegar um buso e voltar sem fôlego.
Vou ter que esperar o feriado, mais uns 22 dias que demorarão uma eternidade pra passar.
Chega, cansei de falar.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 7:27 PM
Serviço Kátia de Guloseimas S/A
Zentsi, tem um bubbaloo novo no universo: Salada de frutas.
Daí eu fui e comprei achando que tinha todas os sabores numa só mastigada, mas a estratégia de vendas dos caras foi mais foda: eles colocaram sabores sortidos.
Filhos da fruta!
O de hoje: banana. Fudido..
Acho que o esquema é comprar uma caixa inteira e passar uma tarde descobrindo os sabores.
haha.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 5:15 PM
Johnny Ramone is dead and gone, and i'm not felling very well...
Enquanto isso o Lou Reed toca Sweet Jane ao vivo na rádio.
E o amor foi viajar.
Tô com coração apertadinho assim ó: .
Volta logo, amor, volta
:-(
I disappear when you're not here, in my life.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 1:58 PM
14.9.04
Sonar Sound - 10-11-12/set. - 2004, Sampa.
Foi uma maratona. Cansa, cansa muito. Há horas que os joelhos falham, os pés doem, os calcanhares ameaçam greve, o ouvido zuni, a paciência esgota e o senso crítico parece fora do normal. Mas há horas em que tudo parece uma maravilha, você quer berrar até o pulmão explodir, quer dançar até o joelho gritar, quer fazer reverência pro fudido que tá no palco, quer quebrar tudo e não quer que acabe nunca.
Há horas que você não consegue piscar e parece submerso em catatonia, quer que o DJ toque pra sempre e aquilo tudo te engula e há horas que você balança os ombros e, com descaso descomunal, abandona a banda/DJ no palco e já pula pra outro stage, ou evento, ou restaurante, ou, sei lá, tanto faz, senta em algum lugar junto com pessoas legais como a Sra. Terra Matias e dá umas risadas da patetices que acontecem pelos corredores, protagonizados, quase sempre, por gente "famosa" no mundinho alternativo.
Tudo correu como previsto, ou até melhor do que eu esperava.
Vou falar de tudo que eu curti a pampa, vou falar também do que eu não curti muito, mas vá, que tudo foi bem incrível e encantador, que eu saí de lá outra pessoa, como mandava o slogan da Nokia (aquele blá blá blá horrível de "você vai sair melhor do que entrou" e eu saí gostando mesmo do barulho todo)
Sonar dia, no Tomie Ohtake e Sonar noite, no Credicard Hall. Aliás, o Credicard Hall é um lugar muito careta, com uma acústica muito ruim e muito longe de tudo, lá no cu do mundo, pra hospedar um festival desses.
Mas agora que eu virei essa pessoa OPEN FIELD e sem um pingo de CRITÉRIO pra gostar ou não de algo (gostar de música é algo que vem de dentro, da soma de sensações do estômago e coração, coisa que não se explica nem se entende. Só sentindo a paixão pela melodia pra saber. Não é racional. Não é mesmo. É espiritual. Tipo tomar Santo Daime e descobrir o segredo do universo. Assim é música. O Santo Daime nosso de cada dia. A epifania em notas musicais. he)
Sexta,
18h, National: Friiiton, friton pra fumar uma erva. Perderam a oportunidade de fazer vários barulhos bons. O que não tira o mérito de músicos dos caras.
19h, Beans: Aaah, o cara botou pra foder. Negão com rima, ginga e bases prontas, só esperando pelas prosas poéticas que 'feijão' soltou sem perder o fôlego.
00:30h Chicks on Speed: Umas mina alemã tosca, fazendo reverência mais tosca ainda à música eletrônica (We don`t play guitars), mas com um clipe bem cool passando no fundo. O Cansei de Ser Sexy é bem mais legal.
1:30h Ladytron DJs: nem vi muito, só umas cinco músicas. Discotecagem meio inocente e que tentou, pelo que eu vi, ganhar o público. Tocaram até Mutantes. Acho que não agradaram muito.
3:30h LCD Soundsystem: foi uma das três apresentações mais fudidas do Sonar. Champanhe, histeria e Devo na veia. Não dá pra descrever, foi foda.
4:30h DJ Marlboro: Eu fiquei só metade da apresentação, mas foi foda. De Tati Quebra Barraco ao underground do funk, muito palavrão e muito pancadão. Saí pingando da pista, de tanto dançar...
Sábado,
17h Hurtmold: Foi muito bom, bom mesmo, pena que a segunda parte do show deu uma brochada homérica.
19h Liars: uma multidão de indies esperava pela performance demente da bandinha. Devem ter ficados satisfeitos. Eu saí na metade.
2h Prefuse 73: Barulho bom, hip hop que dá vontade de dançar até de manhã, discotecagem bem feita e tudo.
3h Kid Koala: HE'S GOT DA BEAT, he's got da beat!! Esse eu babava, babava aos litros. Ele não tocou nenhuma música dele, mas fez um set de desmaiar multidões. O cara aprontava e o público aplaudia. Falou português e mixou Louis Armstrong, só pra você sentir o drama. Um dos três mais.
4h: EL-P: a gente tava mesmo esperando o fim do mundo. E foi só o fim da paciência. Um saco de show, americano bobo cópia paraguaia de Eminem. Prefiro (muito mais) o De Leve. Mesmo.
5h Patife + Trio Mocotó: como o trio mocotó não aparece, a gente foi embora.
Domingo,
17h LCD: nada a ver com o LCD Soundsystem, são uns brasileiros fazendo um friton com uns computadores, até que legal.
18h: DU + Dago Dj Set: Ah, estes subverteram o lounge. Começaram com um disco de ginástica (?) e passaram pelo caminho de sempre do batidão: Asa Chang and Junray, Animal Colective etc. etc. etc.
19h Four Tet: Preciso falar que este fechou o Top 3? Moleque bom pra carai, colagens incríveis e a completa desconstrução da música.
E tudo acabou no Lelis, com EL-P e Four Tet na mesma mesa (?) e mais uma gringada, aquela coisa toda.
Foi foda de bom.
E daqui uns dias tem Tim Festival. E mostra internacional de cinema. E mais um monte de coisas. Deus do céu, eu preciso ganhar na loteria.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 5:07 PM
13.9.04
Sonar foi fooooooooooooooooooooooooooooooda.
Foda, foda, foda.
Amanhã ou depois eu conto tudo.
Tudo.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 10:07 PM
10.9.04
iaiiiiii?
Deixa eu deixar falado, pipou:
Hoje começa Sonar Sound e Kátia ficará indisponível nas próximas 72 horas. Tipo domingo, umas 10:00 da noite, estarei de volta à terra. Ou não. Depende do grau de abdução.
E pra quem não gostava de música eletrônica, até que estou bem empolgada.
Ah, o mundo dos modernos, o mundo dos modernos! Deus me proteja de pessoas muito avançadas, de indies ortodoxos e de pessoas que gostam de psytrance. Rezo também para que meu cérebro assimile a IDM, o breakbeat e o rap do terror. Que tudo isso não ultrapasse as barreiras do meu saco e me meta em tédio. Que o DJ Malrlboro faça um set foooda. E que depois de todo o post-rock eletrônico e o beat indie e esse monte de rótulos - e que monte! - que eu não consigo decorar, eu volte pro twee pop e pra garagem. Amém.
Kátia Mello tunt-tunt, 19 anos e 28 meses, nunca passou mais de uma hora escutando música eletrônica porque não aguenta e nunca foi a um show de electro porque tinha certeza que não gostava.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:41 PM
9.9.04
Com água na boca:
já já tem debate com Dalmo Dallari + Clóvis de Barros na Cásper.
Adóóóuro.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 5:44 PM
Delicinhas da última semana:
Porque a aqui a gente mata a cobra e mostra o pau, ou, digo, come e fala de onde vem a panzer
- Toddynho de chocolate com maçã do amor. Foda, viu? Tipo sabor de infância.
- Moranguete. Que está com sabor de danoninho.
- Pirulito de bengala da Galo Doce
Kátia Mello, 21, toma Toddynho de qualquer sabor, come chocolate de qualquer marca e curte doces com formatos anti-convencionais.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:33 PM
8.9.04
"...e o réco-réco que eu brincava, mãe, a senhora me bateu porque eu troquei por um isqueiro...pra podê fumá"...
Parar de fumar é algo te leva pra longe do paraíso. Tenho sintomas avessos ao das pessoas normais. Fico deprimida, tenho vontade de chorar por qualquer bobagem e meu estômago parece um buraco, sinto que, a qualquer momento, vou morrer de fome.
Não adianta, tem coisas que são inatas ao homem: suicidas já nascem suicidas, desvirginadas já nascem desvirginadas, fumantes já nascem fumantes. Não há o que tire de mim a paixão ao cigarro, por mais escroto e nojento que seja. Não como em área de fumantes, fico enjoada com cheiro de cigarro em salas fechadas, não suporto o cheiro que deixa nas roupas e o mau hálito eterno que fica na boca, detesto ressaca de nicotina (e só quem já teve sabe quanto é foda), a pele fica parecendo uma casca de laranja enferrujada, mas, pô, eu curto demais fumar um cigarro.
Poucas, pouquíssimas coisas são melhores do que sentar para escrever e fumar um cigarro.
E detesto, também, incomodar as pessoas com o meu cigarro, ninguém é obrigado a cheirar o cigarro alheio. Me chateia demais ver alguém que não fuma apanhando da fumacinha cinza e fedida. E todo mundo, acho que posso afirmar, TODO MUNDO que não fuma, não suporta cheiro de cigarro.
Eu não tenho vontade de fumar ao ver alguém fumando, nem de sentir o cheiro, nem nada. Tenho vontade de fumar porque tenho, ué, porque gosto, porque é um momento muito meu empunhar o cilindrinho duentiii e tragar tragar tragar.
E há coisas muito peculiares no mundo que proporcionam momentos muito seus, mesmo que no meio de uma multidão. Ontem eu tomei um missoshiru e, putz, é muito eu e a tigela no universo. Eu prestava atenção nos tofús e nos brotos de feijão boiando e tomava toda feliz, como se não houvesse nada mais no mundo, só eu e o caldo, até o final, até o último gole.
Um cigarro é isso: uma brasa numa ponta e um idiota feliz na outra. Eu sou uma idiota feliz quando fumo. Ou fumava, não sei.
Na verdade, mal sei porque parei. Pra parar de incomodar o Du, pra gastar menos dinheiro, pra ter um pouco mais de saúde, pra não ter mais esse engodo no meio do caminho (convenhamos, um cigarro é um engodo. Vive atrapalhando a gente num bocado de coisas).
Mas é isso, troquei o réco-réco por um isqueiro e agora troquei um isqueiro pelo resto das minhas unhas, que já roí quase inteiras.
Longe do paraíso.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:20 PM
Existe um bocado de música triste no mundo, né?
Quando eu escuto "Último Romance", do canalha-dançarino Amarante, me dá uma tristeza doída, doída.
O Clipe (tosco) já está na emetevê. Será que é tão caro assim produzir um clipe mais legal do que colocar uma banda "ao vivo"?
***
Final de semana roubando amoras em Itapetininga.
;-)
***
Olha, vou falar:
1 - Coma as batatas fritas com chili + queijo do El Kabong. Coma e depois a gente conversa.
2 - Foi bom não ter ido pra Monte Alto. Mas acho que eu vou ficar mal acostumada. E, Cassius, veja bem, nem é falta de saudade de vocês.
(Depois eu falo dos pernilongos e dos pesadelos. Agora preciso trabalhar)...
Murmure:
Katie Kill licked you at: 9:55 AM
3.9.04
Deuzducéu, eu quero uma lomo.
Quero mesmo, quero uma lomo qualquer, uma LC-A ou uma sampler, qualquer sampler.
Como eu faço pra comprar uma Lomo nova? Acho que eu quero mesmo uma LC-A.
Quero uma Lomo e ficar brincando de tirar fotos.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 5:46 PM
Ah, esqueci de falar: meu esposo vai discotecar com o Daguito no Sónar.
E o Grenade vai abrir pro Libertines no Tim Festival.
êêê, adoro show da família. (acho que eu já falei isso hoje...)
***
Sabe o que eu fazer daqui a 20 minutos?
Tomar uma Original fresca-fresca-fresca de doer a garganta. ô diliça.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:15 PM
ÊÊÊ
ou quando tem show de alguém da família eu fico feliz
Hoje cedo eu ajudei uma velhinha a atravessar a rua. Foi legal, e eu tive uma sensação de "vó". A gente atravessou a Amaral Gurgel de mãozinha dada e eu andei bem devagarinho, pra não atrapalhar os passos da vózinha. Tinha os cabelos bem branquinhos e os olhos bem azuis e corpo de vó, e mãos macias. Quando chegamos do outro lado ela me deu um beijo e disse "muito obrigada".
Daí eu lembrei de uma outra velhinha que parou ao meu lado na paulista, e estava garoando, e ela colocou seu guarda-chuva sobre mim e disse que eu não deveria tomar sereno. Daí o farol demorou bastante pra fechar e ficamos conversando, ela me contou a história da vida dela, que era de Portugal e morava no Brasil há nove anos e que só via os filhos uma vez por ano, no natal. Eu fiquei muito triste por ela. E nem era pena, era um sentimento estranho, diferente. Ela estava indo a algum lugar perto do MASP e eu, ao banco. Era umas sete da noite.
Já ajudei muitas pessoas a atravessar ruas, principalmente velhinhas e cegos, porque, afinal, moramos em São Paulo e os motoristas são beeeem loucos.
Mas eu acho que sempre que ajudar alguém, vou me lembrar da velhinha com o guarda-chuva. Porque ela não teve medo algum e foi gentil demais. Eu poderia ser Bonnie Parker, imagine só.
Eu curto umas velhinhas. Sério. Acho muito fofas, muito graciosas.
Mas eu só tô falando tudo isso porque eu tô morrendo de saudades da minha vó e não vou pra Monte Alto neste feriado. Foda, né?
***
O show da Lulins + Causadores foi incrível, sensacional. Muito bom mesmo. Não digo que foi o melhor que eu vi, porque ela é foda e só faz show bom, mas foi maravilhoso.
E hoje tem Blue Afternoon no Outs. Olha, fui no ensaio domingo e aviso: vai ser foda.
Adoro quando tem show da família. : )
Murmure:
Katie Kill licked you at: 11:27 AM
2.9.04
Concluindo mais um processo.
Da série de conclusões que tenho tirado nestes dias reclusa, calada, rebelde e tristonha, ontem fechei mais um ciclo.
Há uma semana estou escutando "the world will be OK" e "my uptight life". Sinto saudades do Teenage.
Há uma semana trabalhando aqui e eu já tive três dejà vús. Três.
Tinha um amigo, um Henrique da vida, que me falava que eu tinha alguma mediunidade. Acredito e não acredito.
Bem, uma vez me falaram que a gente escolhe a vida que vai ter aqui na terra. Antes de encarnar, sabe?
Tenho uns sete neurônios bem espertos e acho que devo ter escolhido uma vida legal.
Não é possível que eu tenha escolhido uma vida de merda, mesmo porque tenho umas tendências suicidas, logo, devo ter escolhido uma encarnação que evite pulsos cortados, ou overdoses premeditadas. Não é possível que eu tenha escolhido perder minha mãe aos 19/20 anos, mas óqueeeei.
Bom, mas sobre a conclusão que fechei, é, bem, EU NÃO PRECISO DE MUITO DINHEIRO. E quando eu pensei nisso muitos problemas se esvairam, derreteram, sumiram.
Olha, eu não preciso vestir umas jaquetas legais, não preciso comprar uns tênis ou umas calças que eu vejo nas vitrines, ou aquelas bolsas e sandálias de patricinha, ou comprar, sei lá, muitos livros e muitos discos, porque isso tudo a gente empresta do colega que compra e quer dividir cultura com você e te deixa um bocado entupido de coisas boas (como não tem acontecido comigo, ninguém me empresta mais cds ou livros) e só preciso de um troco no final do mês pra ir no cinema, porque se eu tenho um vício no mundo, este são as telas enormes e a magia do sonho e do choro que nascem ali no escuro. E mais umas moedas pra comprar uns chocolates e uns danetes, porque deus pode me tirar as pernas, mas nunca a insulina do meu sangue, esta que cuida de tanta glicose que eu meto pra dentro do meu estômago.
E eu bem me lembro de uma das fases que eu fui mais feliz na minha vida: não tinha ninguém mais morando em Monte Alto e minha havia se reduzi a Júlio Punk e Paulo Henrique, dois brothers que salvaram a minha vida.
Júlio me levava pilhas de K7s e CDs e vinis e revistas velhas e livros beats e poesias e ficávamos o dia todo no Napster descobrindo o mundo. O Paulo Henrique dividia roteiros intermináveis e nunca executados de filmes B e a gente acabava se matando de rir só imaginando as filmagens.
Eu não tinha dinheiro algum. No dia em que não consegui comprar os ingressos do Belle and Sebastian (e, quer saber, por mim o avião deles podia cair e morrer todos, porque eu cansei desse escoceses frescos.), chorei dois dias seguidos, daí comprei umas batatas de barbecue, uns toblerones, doce de leite com ameixa e me matei de comer pra sair da fóça.
Eu não preciso de muita coisa. Mesmo. Preciso de uns livros, oras, me empreste uns livros que eu páro de chorar. Preciso de uns filmes do Truffaut, ou do Buñuel, ou do Kubrick, ou do Bergman, ou do Godard e fica tudo bem. Mesmo. Me empreste uma pilha de discos e me deixe em paz que o meu coração fica todo contente. E para me deixar feliz não é necessário mais do que 6.90R$, segundo cálculos recentes da minha cabeça.
E eu não preciso daquela sandália de lacinho de verniz cor-de-rosa (afê, Kátia...) pra ser feliz.
O negócio é aprender a ser pobre.
Gosto de andar de ônibus, a frota está quase toda nova, com bancos estofados e catracas eletrônicas, coisa fina.
Gosto de almoçar no restaurante perto da "firma", que custa 10.00R$ o quilo.
Mesmo. Daí eu fico feliz por demais quando o Du me leva nestes restaurantes de cardápios gordos e meio caros, que eu nunca iria se não fosse com ele.
Mas é isso. Preciso ir agora. De ônibus, claro.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 5:54 PM
Rapidinhas...
Deixe-me informar aos seis milhões de fãs, seguidores, convertidos, fiéis, almas (seja o que for...) da Open Field Church, a agenda da nossa turnê 2004:
- 16 de outubro, sába-dába-do: show em uma balada na Vila Olímpia, com direito a palco de oncinha e milhares de pecadores prontos a verem a verdade em Maher. (haha, exagerei. Quando descobrir o nome da balada, boto aqui!)
- 24 de outubro, domingueira: A família em apresentação única no RIO DE JANEIRO (a gente tá fino, benhê!), no teatro Odisséia, abrindo pro Casino.
- 12 de novembro, sexta-feira: Culto glorioso e rituais corporais na Fun House. Fim da turnê (ou não), da igrejinha mais twee do mundo.
***
E hoje, triste-triste-triste, último dia de Batidão-quinta-feira.
Tem Lulina Acústico, Cesinha dance-people-dance, yoga, causação e dancinha de rosto colado.
Última chance:
Hoje, a partir das 21:00, na Aspicuelta, 321, Vila madá. Entrada grátis, viu?
Murmure:
Katie Kill licked you at: 1:02 PM
1.9.04
Da série "Diálogos esdrúxulos".
- Que livro é esse?
- O Apanhador no Campo de Centeio.
- Mas você já leu...
- É que dessa vez eu quero matar o John Lennon.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 10:53 AM
|