
|
6.12.04
Acabou. Fim. Minhas mãos tremem. Sinto-me fraca. Meu corpo dá sinais de que vou desfalecer. Desmoronar. Derreter.
Passou ano, ano e meio, "seus textos melhoraram", hora de acabar.
Tornei-me niilista demais pra tudo isso.
Mitos e certezas cairam em minha cabeça. Deixei de acreditar em muita coisa, passei a odiar outras tantas.
Eu mudei. Quase 22, quase velha. Nada mais me empolga tanto. Não sei se me tornei indiferente por fingir indifença ou se me tornei indiferente por não acreditar em mais nada.
"Quem desdenha quer comprar". Consumismo cultural fudido que corria em minhas veias, morreu. Vontade de não querer nada.
Tema de TCC que mudou quatro vezes desde que nasceu. Temas completamente distintos, diga-se, nasceu "músicas dos anos 80 em detrimento das músicas dos anos 90", formato monografia; depois "cultura pop dos anos 80 que foram veiculados por TV e rádio", formato revista eletrônica, depois "doutores da alegria", formato livro-reportagem e, por fim, "eu vou fazer a Uncut brasileira", formato revista, lombada quadrada e 96 páginas.
"Difícil, hein?", alguém duvidou. Alguém ainda duvida de mim. Anos e anos lutando pra parecer uma pessoa indubitável e alguém ainda ousa duvidar de mim. Estavam galhofando, não é possível. Ou, decerto, viram que eu não sou capaz.
Chegou a hora de eu ser outra pessoa. Chegou a hora de se livrar de tanta melancolia e de tanta saudade de ser eu mesma. Ora, se eu não posso ser eu mesma, posso fingir ser uma pessoa incrível. Certo?
Então chegou a hora de fingir ser uma pessoa incrível. Agora vou viver a fingir inteligência, autruísmo, doçura, cultura.
A vida não pode ser do jeito que a gente quer, então vamos fingir.
Vou fingir até que não sou niilista e binária.
Não tenho mais o que falar. E se tiver, a quem interessa?
Peguei um jornal ontem. Dei uma folheada, nada me interessava mais do que o fechar. Poucas coisas são agregáveis. Poucas coisas são importantes para o universo ou para as pessoas.
E, no presente momento, sinto-me "destampada". É como se o tampo que guardava as minhas paixões tivesse sido arrancado e todas vazaram. Se foram. Escorreram. Sumiram.
Tragédia, hã?
Nem tragediosa estou mais, pra falar a verdade.
Destampada e vazia, só isso.
Então acabou. Não volte mais, acabou. Ciclos se completam. Se fecham. Para que outros ciclos nasçam.
Os verdes funebrilhos apagaram. A menina de lá morreu. "No alarms, no surprises".
Um dia eu volto. Volto pra falar com vocês, sobre vocês, pra vocês. Volto pra falar do que eu gosto e do que eu não gosto.
Por enquanto eu vou tocar a minha vida medíocre e sem graça. "No hope, no harm".
Mas, antes do tchau mesmo, queria agradecer a paciência das pessoas que gastavam uns minutinhos diários comigo.
Valeu, Brasil.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 3:47 PM
*Cenas*
Santa Casa de Monte Alto, mesa de cirurgia, dois ou três doutores consertando uma placa que não deveria ter quebrado na perna do Zé Galinha; furadeira, anestesia e bisturi.
Daí o Zéga acorda, "meio que" olha pra carnificina que estão fazendo com seu membro inferior esquerdo e pergunta:
- Doutor, eu tô ficando bonito?
O doutor responde, contando com um bocado de sinceridade:
- Claro que não. Você tá ficando até mais feio.
E Zé Galinha, calmo como um koala, termina o diálogo:
- Ah, bom! Porque eu cansei de ser sexy.
- - Corta - -
Zentsi! É verdadsi que o churros man tá na boda?
Adóuro!
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:23 PM
1.12.04
*Não é piada interna, não. Eu amo a modernidade mesmo. Mas eu não me lembro o contexto que me empolgou tanto a publicar a frase.*
***
Dentes arrumados. Ufa, sou outra pessoa.
***
Eu quero aquele All Star de quadrinhos.
***
Logo eu volto pra SP, tá? Tô fazendo um *bundalelê* aqui em Monte, engordando a base de sorvete e cachorro quente e assistindo TV tudo o que não assisti esse ano inteiro.
***
Ah, e ando mixando umas músicas do Lobão e do Roberto Carlos. A princípio era um bastard pop, mas virou mixagem. E fica engraçado, hein? Putamerda!
***
Monte Alto me torna, mesmo, uma autista. Dóru!
***
Tiger, coisa linda, tô com saudades. Quando é a apresentação do seu TCC?
***
Bom, é isso, né? Ah!, frase de Kátia drugged, sábado a noite:
"A Escócia é uma banda só".
Depois eu mostro o desenho que surgiu dessa frase.
Murmure:
Katie Kill licked you at: 12:17 AM
|